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Seis brasileiras em missão pelo cinturão do milho dos EUA

Ao idealizar o Missão Mulheres do Agro aos Estados Unidos lá nos anos 2000, não imaginei que estaríamos aqui, tantos anos depois, contando tantas histórias e aprendizados

02 de outubro de 2019 às 17h49

 Andréa Cordeiro

O ano de 2019 tem sido incrível para mim em termos de experiência e é com imenso prazer que coloquei em prática a minha nona visita ao Corn Belt dos Estados Unidos, o chamado “cinturão do milho”, que fica na região do Meio-Oeste do país. 

Ao idealizar o Missão Mulheres do Agro aos Estados Unidos lá nos anos 2000, não imaginei que estaríamos aqui, tantos anos depois, contando tantas histórias e aprendizados. Foram seis mulheres completamente diferente uma da outra, mas que levaram em comum a sede pelo conhecimento. E esse é o diferencial desta visita, pois, a cada ano, a experiência é diferente, seja pelo grupo ou pelos temas abordados.  

Desta vez iniciamos no dia 13 de setembro e retornamos no dia 23, com 11 dias de troca de informações, conteúdo técnico e vivências pessoais. Contamos com a participação de três profissionais de dentro da porteira e outros três de fora da porteira, o que criou uma diversidade de ideias que permitiu que as profissionais agregassem conteúdo de outros segmentos.   

Nas próximas linhas, irei contar um pouco desta jornada pelos estados de Illinois e Iowa, considerados o coração de produção do meio oeste norte americano. 

 

Rotina em solo norte-americano 

Nossos dias iniciavam bem cedo e as visitas iam até tarde, com 15 compromissos durante os sete dias de programação técnica. Ou seja, foi bem puxado e cansativo. 

Mas isso não abalou o grupo, que se mostrou muito entusiasmado e com desejo incrível de aprender o máximo que estava sendo oferecido. Estávamos em seis pessoas, o que é pouco considerando os grupos que são formados para participar em eventos similares, como da Farm Progress Show. Isso fez a toda diferença e tudo ocorreu do jeitinho que eu havia programado.

Tudo isso foi importante, pois neste ano, especialmente, eu venho de uma agenda repleta de eventos profissionais e repetidos compromissos decorrentes do livro que estou escrevendo com três amigas. Por este motivo, eu me propus a fazer uma missão com conceito boutique e, com isso, pude me dedicar intensamente a esse seleto grupo e a ele dar o meu melhor em mentoria. 

E acreditando que o universo reúne pessoas com os mesmos propósitos, o grupo de 2019 embora bem eclético, foi incrível. Essa sinergia me fez reforçar meus propósitos de continuar a buscar maneiras diferentes e inusitadas de gerar ainda mais conteúdo e conhecimento às mulheres do agro. 

Durante os sete dias, nós percorremos mais de 2 mil quilômetros no coração do Meio-Oeste norte-americano e visitamos cinco propriedades de soja, milho e trigo de porte médio e grande.  Não visitamos apenas propriedades,e sim amigos e famílias que há anos nos recebem com carinho e atenção.  

Talvez essa seja uma das maiores conquistas que o agro me permitiu: além de gerar e multiplicar conhecimento, foi através dessas missões que criei pontes e reforcei laços de amizades verdadeiras. 

Conhecimento na prática 

Na programação, também visitamos uma empresa sementeira de soja e milho e entendemos como funciona a consultoria dessas empresas as famílias produtoras dos EUA. Vimos como se faz a venda, como se acompanha o trabalho de plantio, desenvolvimento de safra e colheita.  

Outro ponto interessante foi ver como as empresas fazem estudos para aprimorar suas variedades e, acima de tudo, como é o sistema de reposição de sementes caso seja necessário replantio, o que acabou acontecendo nesta temporada. 

Visitamos uma jornalista especializada em agro responsável pelo site de uma importante revista voltada para o setor, a Successful Farming, braço do Meredith Group, importante grupo de mídia que tem uma relação intensa com o papel da mulher nos Estados Unidos e que produz revistas em formato tradicional e virtual para diversos públicos de mulheres entre os quais viagem, culinária, decoração, vinho, alimentação natural, notícias econômicas,  vida de celebridades, entre outros. 

No contexto logístico, agregamos informações sobre a modalidade rodoviária e ferroviária e visitamos um terminal fluvial no rio Illinois. O grupo conseguiu ver a prática com a passagem de barcas de grãos e químicos, um sistema eficiente de transporte que conecta o norte do país aos portos do Golfo do México. 

Também visitamos o museu de máquinas agrícolas da John Deere e uma indústria processadora de soja, a Incobrasa, cujos proprietários são brasileiros e lá acompanhamos desde o momento da classificação e recepção da matéria prima, passando pela armazenagem, esmagamento e linhas integradas de fabricação de farelo e de óleo de soja. Nessa unidade totalmente interligada e moderníssima, é possível fabricar os reservatórios que serão usados no envase de óleo. São três linhas paralelas de envase que pode ser destinada a diferentes marcas e propósitos. 

Lá presenciamos a recepção do farelo de soja vindo da linha de produção e, simultaneamente, o carregamento do produto do armazém diretamente para o vagão do trem, para ser levado para o destino do comprador final. 

Continuando as visitas, passamos por uma indústria e a fazenda experimental localizada em uma empresa de nutrição foliar – Brandt que também está presente no Brasil e cm fábricas nos estados de São Paulo e Paraná. Na fazenda experimental de 200 acres, observamos aproximadamente 500 estações de testes de sementes que já estão no mercado dos EUA ou que chegarão aos produtores em até dois anos. A marca estima que a tecnologia testada em seus campos costuma chegar ao mercado brasileiro em média com 5 anos. 

Guerra comercial 

Como o tema da missão deste ano foi “Os efeitos da Guerra Comercial no agro dos Estados Unidos”, fomos conversar com um executivo de uma grande instituição financeira dos pais – Wells Fargo. Tivemos uma aula sobre as linhas de financiamento ao agro e acompanhamos em detalhes as dificuldades financeiras dos produtores em meio às disputas entre China e EUA. 

Visitamos duas tradicionais casas de consultoria, cada qual com suas visões sobre o comportamento de preços para o mercado brasileiro, e acompanhamos as instalações da bolsa de Chicago – CBOT. O que encontramos, infelizmente, foi um pit esvaziado e quase sem mais funcionários de casas corretoras atuando. Hoje, o grande volume negociado é eletrônico. 

Quase 4 mil funcionários, maioria predominante de homens, foram sendo dispensados à medida que as negociações globalizaram. A bolsa se adaptou à “presença “constante e crescente do mercado asiático e com isso as ordens de computadores começaram a ser executadas. 

Bom, como disse no começo deste artigo, a Missão Mulheres do Agro da Labhoro deste ano foi incrível e cheio de sinergia e confesso que, já de volta ao Brasil, me pego em um desafio de montar um projeto para uma indústria do agro de projetar uma missão com a minha assinatura e para um grupo grande. Por outro lado, em paralelo, já me pego anotando insights sobre a próxima missão da Labhoro aos EUA que será completamente inédita e em formato inovador. Quem sabe eu não te vejo numa dessas missões em 2020?  

Um forte abraço!

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Seis brasileiras em missão pelo cinturão do milho dos EUA

Ao idealizar o Missão Mulheres do Agro aos Estados Unidos lá nos anos 2000, não imaginei que estaríamos aqui, tantos anos depois, contando tantas histórias e aprendizados

02 de outubro de 2019 às 17h49

 Andréa Cordeiro

O ano de 2019 tem sido incrível para mim em termos de experiência e é com imenso prazer que coloquei em prática a minha nona visita ao Corn Belt dos Estados Unidos, o chamado “cinturão do milho”, que fica na região do Meio-Oeste do país. 

Ao idealizar o Missão Mulheres do Agro aos Estados Unidos lá nos anos 2000, não imaginei que estaríamos aqui, tantos anos depois, contando tantas histórias e aprendizados. Foram seis mulheres completamente diferente uma da outra, mas que levaram em comum a sede pelo conhecimento. E esse é o diferencial desta visita, pois, a cada ano, a experiência é diferente, seja pelo grupo ou pelos temas abordados.  

Desta vez iniciamos no dia 13 de setembro e retornamos no dia 23, com 11 dias de troca de informações, conteúdo técnico e vivências pessoais. Contamos com a participação de três profissionais de dentro da porteira e outros três de fora da porteira, o que criou uma diversidade de ideias que permitiu que as profissionais agregassem conteúdo de outros segmentos.   

Nas próximas linhas, irei contar um pouco desta jornada pelos estados de Illinois e Iowa, considerados o coração de produção do meio oeste norte americano. 

 

Rotina em solo norte-americano 

Nossos dias iniciavam bem cedo e as visitas iam até tarde, com 15 compromissos durante os sete dias de programação técnica. Ou seja, foi bem puxado e cansativo. 

Mas isso não abalou o grupo, que se mostrou muito entusiasmado e com desejo incrível de aprender o máximo que estava sendo oferecido. Estávamos em seis pessoas, o que é pouco considerando os grupos que são formados para participar em eventos similares, como da Farm Progress Show. Isso fez a toda diferença e tudo ocorreu do jeitinho que eu havia programado.

Tudo isso foi importante, pois neste ano, especialmente, eu venho de uma agenda repleta de eventos profissionais e repetidos compromissos decorrentes do livro que estou escrevendo com três amigas. Por este motivo, eu me propus a fazer uma missão com conceito boutique e, com isso, pude me dedicar intensamente a esse seleto grupo e a ele dar o meu melhor em mentoria. 

E acreditando que o universo reúne pessoas com os mesmos propósitos, o grupo de 2019 embora bem eclético, foi incrível. Essa sinergia me fez reforçar meus propósitos de continuar a buscar maneiras diferentes e inusitadas de gerar ainda mais conteúdo e conhecimento às mulheres do agro. 

Durante os sete dias, nós percorremos mais de 2 mil quilômetros no coração do Meio-Oeste norte-americano e visitamos cinco propriedades de soja, milho e trigo de porte médio e grande.  Não visitamos apenas propriedades,e sim amigos e famílias que há anos nos recebem com carinho e atenção.  

Talvez essa seja uma das maiores conquistas que o agro me permitiu: além de gerar e multiplicar conhecimento, foi através dessas missões que criei pontes e reforcei laços de amizades verdadeiras. 

Conhecimento na prática 

Na programação, também visitamos uma empresa sementeira de soja e milho e entendemos como funciona a consultoria dessas empresas as famílias produtoras dos EUA. Vimos como se faz a venda, como se acompanha o trabalho de plantio, desenvolvimento de safra e colheita.  

Outro ponto interessante foi ver como as empresas fazem estudos para aprimorar suas variedades e, acima de tudo, como é o sistema de reposição de sementes caso seja necessário replantio, o que acabou acontecendo nesta temporada. 

Visitamos uma jornalista especializada em agro responsável pelo site de uma importante revista voltada para o setor, a Successful Farming, braço do Meredith Group, importante grupo de mídia que tem uma relação intensa com o papel da mulher nos Estados Unidos e que produz revistas em formato tradicional e virtual para diversos públicos de mulheres entre os quais viagem, culinária, decoração, vinho, alimentação natural, notícias econômicas,  vida de celebridades, entre outros. 

No contexto logístico, agregamos informações sobre a modalidade rodoviária e ferroviária e visitamos um terminal fluvial no rio Illinois. O grupo conseguiu ver a prática com a passagem de barcas de grãos e químicos, um sistema eficiente de transporte que conecta o norte do país aos portos do Golfo do México. 

Também visitamos o museu de máquinas agrícolas da John Deere e uma indústria processadora de soja, a Incobrasa, cujos proprietários são brasileiros e lá acompanhamos desde o momento da classificação e recepção da matéria prima, passando pela armazenagem, esmagamento e linhas integradas de fabricação de farelo e de óleo de soja. Nessa unidade totalmente interligada e moderníssima, é possível fabricar os reservatórios que serão usados no envase de óleo. São três linhas paralelas de envase que pode ser destinada a diferentes marcas e propósitos. 

Lá presenciamos a recepção do farelo de soja vindo da linha de produção e, simultaneamente, o carregamento do produto do armazém diretamente para o vagão do trem, para ser levado para o destino do comprador final. 

Continuando as visitas, passamos por uma indústria e a fazenda experimental localizada em uma empresa de nutrição foliar – Brandt que também está presente no Brasil e cm fábricas nos estados de São Paulo e Paraná. Na fazenda experimental de 200 acres, observamos aproximadamente 500 estações de testes de sementes que já estão no mercado dos EUA ou que chegarão aos produtores em até dois anos. A marca estima que a tecnologia testada em seus campos costuma chegar ao mercado brasileiro em média com 5 anos. 

Guerra comercial 

Como o tema da missão deste ano foi “Os efeitos da Guerra Comercial no agro dos Estados Unidos”, fomos conversar com um executivo de uma grande instituição financeira dos pais – Wells Fargo. Tivemos uma aula sobre as linhas de financiamento ao agro e acompanhamos em detalhes as dificuldades financeiras dos produtores em meio às disputas entre China e EUA. 

Visitamos duas tradicionais casas de consultoria, cada qual com suas visões sobre o comportamento de preços para o mercado brasileiro, e acompanhamos as instalações da bolsa de Chicago – CBOT. O que encontramos, infelizmente, foi um pit esvaziado e quase sem mais funcionários de casas corretoras atuando. Hoje, o grande volume negociado é eletrônico. 

Quase 4 mil funcionários, maioria predominante de homens, foram sendo dispensados à medida que as negociações globalizaram. A bolsa se adaptou à “presença “constante e crescente do mercado asiático e com isso as ordens de computadores começaram a ser executadas. 

Bom, como disse no começo deste artigo, a Missão Mulheres do Agro da Labhoro deste ano foi incrível e cheio de sinergia e confesso que, já de volta ao Brasil, me pego em um desafio de montar um projeto para uma indústria do agro de projetar uma missão com a minha assinatura e para um grupo grande. Por outro lado, em paralelo, já me pego anotando insights sobre a próxima missão da Labhoro aos EUA que será completamente inédita e em formato inovador. Quem sabe eu não te vejo numa dessas missões em 2020?  

Um forte abraço!