Aplicativo monitora práticas de sustentabilidade do café e conecta produtores

Em Belo Horizonte, entre os dias 7 a 9 de novembro, ocorre Semana Internacional do Café (SIC), uma iniciativa a qual não tenho dúvidas que em poucos anos será comum a todas as cadeias produtivas do agro brasileiro. Esse é um encontro de cafeicultores, torrefadores, classificadores, exportadores, compradores, fornecedores, empresários, baristas, proprietários de cafeterias e apreciadores.

O evento acontece na capital do maior Estado produtor do Brasil – Belo Horizonte – e apresenta diversas ações a milhares de profissionais do mundo focadas nas áreas de Mercado & Consumo, Conhecimento & Inovação e Negócios & Empreendedorismo.

A grande novidade é que as cadeias produtivas se interligarão através dos fluxos das redes, e os agentes que formam essas cadeias estarão conectados em aplicativos, interagindo constantemente e sob determinações de autorregulamentação ética, de sustentabilidade de comércio justo, de qualidade, e com uma proposta de empreendedorismo mirando nos pequenos produtores, dando a eles uma visibilidade e uma acessibilidade de mercado.

Esse movimento foi batizado de Plataforma Global do Café. A plataforma reúne nove países e oferece um aplicativo para monitorar as práticas do currículo de sustentabilidade do café.

Essa plataforma global de sustentabilidade do café significa uma estrutura de design thinking, com o antes, dentro e pós-porteira da cafeicultura numa integração via aplicativo dos países produtores com as principais agroindústrias e instituições de pesquisa.

No Brasil a plataforma conta com o apoio da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), do Conselho Nacional do Café, mais CNA e Senar, ao lado de instituições globais do negócio do café.

O café, que já foi no século XV proibido por Roma, como uma bebida que não interessava aos cristãos, se transformou num momento de prazer e satisfação; agora a ciência revela cada vez mais seus benefícios para a saúde humana.

Conversando com um líder cooperativista do café, que reúne pequenos cafeicultores, ele me fez uma conta numa folha de papel, me informando que:

Uma saca de café bom de 60 kg está valendo 450 reais. Quando torra, perde 20%, então fica 48 kg. Pra fazer uma xícara boa de café, é preciso de 8 gramas de café. Logo, uma saca de café gera 6 mil xícaras.

Na Europa, uma xícara boa de café é vendida de 3 a 4 euros, vamos dizer por 15 reais; isso vezes 6 mil doses produz 90 mil reais!

Então, quanto fica para o produtor rural desse valor final de uma saca de café que ele produz com riscos, custos e as exigências da sustentabilidade? Menos de 1%. Ele fica com 0,5%; no Brasil em real, o produtor fica com 1,5%.

Aí vai um belo desafio para nossa ministra e para nosso secretário da agricultura: como melhorar a justa distribuição de riquezas, ao longo da cadeia produtiva?

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