No agro, a generalização é um grande risco na comunicação

Cerca de 602 cientistas assinaram um documento e publicaram na Revista Science, num texto redigido pela bióloga Laura Kehoe, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que a Europa, o segundo maior cliente do Brasil, precisava parar de importar desmatamentos.

Isso está ligado aos dados de 2018, onde ocorreram 7900 km² de desmatamento na Amazônia. E nesse documento, os cientistas exigem três coisas:

1) Direitos humanos;

2) Rastreabilidade aperfeiçoada;

3) Participação de cientistas nas políticas públicas, ambientais e comunidades locais e indígenas.

Esses desejos humanistas e ambientalistas são legítimos. Mas, onde está o erro?

Em pegar esse desmatamento, onde 80% dele está ligado ao crime, como grilagem de terras, terras não atribuídas a nenhum dono, ou então a dezenas de donos; desmatamento em assentamentos onde não existe a viabilidade econômica nem a posse dos lotes, estimulando o desmate para sobreviver, e esse desmatamento se associa intensamente ao comércio ilegal de madeira.

Comércio esse que precisaríamos descobrir urgentemente quem são os seus consumidores. Onde estão os consumidores do crime da madeira ilegal da Amazônia?

A generalização do fato e a associação dele com o agronegócio é o que me parece um grave erro, e poderíamos fazer uma ilação disso com protecionismo econômico não tarifário dos interesses europeus contra o agronegócio brasileiro.

Essa generalização de que os US$ 500 milhões de dólares das nossas exportações bovinas para a Europa sejam oriundas desses desmatamentos, ou de que os grãos, frangos e suínos sejam oriundos de exploração desumana e não sustentável do Brasil.

Significa um erro tosco de generalização, colocando no crime todo o agro brasileiro e o povo do país.

Tão tosca a relação dos crimes realizados pela grilagem, comércio ilegal da madeira e desmate em assentamentos sem viabilidade econômica, como se fôssemos no Brasil um país onde isso poderia ser generalizável para todo o agronegócio.

Quero ressaltar que acabei de conhecer um dos pioneiros da pecuária sustentável da Amazônia, em Alta Floresta e Carlinda, no Mato Grosso, um dentista que virou pecuarista, Dr. Celso Bevilaqua.

Na Amazônia existe a Pecuária Sustentável da Amazônia – PECSA, por exemplo. E para que os brasileiros saibam e os cientistas europeus também, recebemos investimentos de fundos de clima Althelia, Banco Europeu de investimentos, além de outros investidores.

Na pecuária sustentável da Amazônia o que a carta dos cientistas afirma não cabe e não permite qualquer generalização e conexão com o crime, além de obras preciosas de compromissos com a sustentabilidade em exemplos como de uma Agropalma.

Imagem: pngtree.com

A ilegalidade na Amazônia é assunto de lei, de justiça, e não dos produtores brasileiros que, na sua gigantesca e imensa maioria, são sérios e valorosos. Aliás, oriundos de todas as raças do planeta, inclusive da Europa, essa que nos quer dar lições de moral, – como se ainda tivesse a autoridade real da corte -.

Você toma uma parte do todo e generaliza a parte pelo todo, como na velha brincadeira da lógica insana.

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3 respostas para “No agro, a generalização é um grande risco na comunicação”

  1. Silvio disse:

    Parabéns Tejon. Resposta precisa e impecável.

  2. Mario Lucena - Consultor Zootecnico. disse:

    Qd Eu tinha 12 anos contemplei uma imagem que marcou para toda a Vida. Vi a carga de Madeira em Toras em um cargueiro da BOOTH LINE que junto com a Loyds tinham uma frota de Navios que faziam a Rota do Pará ( Amazonia ) para a Inglaterra. Se buscarmos os arquivos da Folha do Norte, na época era divulgado a posição e referencia de escalas dos Navios.Foram milhões de Metros Cubicos que nos “pilharam” e, será que já pagaram essa conta. Precisamos confrontá-los mostrando que a maior ferida foram eles que provocaram. Segundos dados que me informaram só temos 24% da imensa Amazônia já antropizada. E viva o Brasil.

  3. Tiago Reis disse:

    Concordo plenamente com o senhor. É preciso separar o agronegócio sério e responsável dos criminosos. Mas a grilagem de terras só existe porque existe especulação e valorização das terras, não acha? Ou seja, o criminoso que grila terra pública, desmata ilegalmente, expulsa comunidades locais e indígenas, ele faz isso esperando alguma coisa, não? E o que ele espera? Vender para o agronegócio sério e responsável um dia, que vai pagar a ele um bom preço pela terra grilada e pelo serviço prestado. Por outro lado, se o agronegócio sério se compromete a não mais comprar terras griladas e a não mais produzir em terras desmatadas ilegalmente e onde comunidades foram expulsas, o grileiro e os demais criminosos ficariam desestimulados. Desse modo, precisamos separar o joio do trigo. A imensa maioria do agronegócio brasileiro é séria e responsável, sabemos muito bem disso, e precisamos da ajuda mais contundente e proativa desse agro responsável para excluir os criminosos que mancham a imagem do Brasil. Para finalizar, essa rastreabilidade aperfeiçoada que a carta dos cientistas europeus pede é exatamente isso que o senhor diz, um instrumento de separação. O que é a rastreabilidade? É saber exatamente de onde vem, quem produziu e como foi produzido cada produto, cada saca de soja, cada saca de milho, cada carcaça de boi, cada tora de madeira. Ou seja, melhorar a rastreabilidade pode ajudar nessa separação entre o agro responsável e os criminosos. Grande abraço e obrigado pelo excelente artigo.

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