Paulo Guedes erra feio ao comparar o Sistema S com centrais sindicais

O futuro ministro da Fazenda Paulo Guedes pode até ter boas intenções, mas terá de se livrar de alguns vícios de origem. Um deles é o de dizer o que pensa, na hora que quer. O outro é o da arrogância e o terceiro é o da generalização.

Num olho no olho com empresários da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, na casa deles, o “mago” de Bolsonaro para área econômica foi inconveniente ao ironizar o almoço que ali se servia, presunçoso ao ameaçar com cortes maiores caso hajam maiores obstáculos à sua agenda e mostrou uma capacidade zero de relativizar situações quando comparou a Central Única dos Trabalhadores com o Senac, Sesi ou Senar.

As diferenças começam pela origem da dinheirama que as centrais sindicais abocanhavam antes das mudanças tributárias, passam pelos volumes e terminam nas suas destinações. Outra diferença fundamental: ao contrário dos integrantes do “S”, que têm cada centavo investido auditado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a Lei que obrigaria as centrais a prestarem contas dos recursos foi vetada pelo hoje detento Lula, em 2008.

Enquanto o R$ 1 bilhão do imposto sindical depositado nas contas da CUT e de outras cinco centrais financiaram robustas campanhas eleitorais entre 2008 e 2015, os R$ 16 bilhões do Sistema “S”, recursos vindos da contribuição das empresas sobre as suas folhas de pagamento, profissionalizou, levou cultura e promoveu lazer e desenvolvimento a milhões de brasileiros urbanos e rurais.

Holofotes tentadores

Se no conceito do novo ministro da Fazenda é pesada a destinação financeira ao Sistema “S”, que ressalte-se: é retorno de tributos específicos dos seus empresários filiados, isso deve ser respeitado. Se ele disser que o Estado, sob seu governo, irá formar frentes para compensar a atuação destas entidades ai sim a sua postura ganha legitimidade.

Se não, é sugerível que na próxima reunião de transição, o chefe Jair lhe chame na salinha do café, feche a porta e repita a célebre reprimenda do Rei espanhol ao boquirroto Chávez, no Chile, em 2007.  Calado, Guedes deve ser melhor.

Mas como discrição não é o forte do midiático novo ministro,  Bolsonaro terá muito que contar até dez.

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