‘Os chineses não conhecem nada do Brasil’

Em visita de 15 dias à China, o empresário rural e jornalista Donário Lopes de Almeida falou ao vivo no programa de rádio Conexão Rural, apresentado por este blogueiro, na edição de sábado, dia 13. De Pequim, onde está esta semana, depois da primeira parte do roteiro realizado em Xangai, costa oriental chinesa, Donário, que é ex-CEO, atual conselheiro do Canal Rural e colunista do site AgEvolution sublinhou suas principais impressões sobre o gigante asiático, o qual ele tinha visitado há 13 anos.

“Primeiro houve muita mudanças internas, de hábitos, de comportamento nesse período, mas continua sendo um país diferente, uma nação à parte”, comentou Donário, ao informar que a classe média chinesa é hoje formada por 400 milhões de habitantes, com crescimento de 20 milhões a 30 milhões de novos integrantes ao ano.

A ascensão de padrão significa novos hábitos da população, como o consumo da carne bovina, comentou, ao informar que até pouco tempo eles não conheciam esse produto. “É crescente o consumo de proteína animal na China e o Brasil tem que aproveitar essa demanda, vendendo mais a nossa carne, a exemplo do que outros países como Itália, Alemanha e Austrália já fazem com a carne e outros produtos”, sugeriu ao ponderar que a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) já vem se movimentando neste sentido.

O jornalista, entretanto, se mostrou decepcionado com o desconhecimento da população chinesa com o Brasil. “Com a exceção daqueles que operam as importações ou trabalham na área, eles não sabem, por exemplo, que a maior parte da soja que consomem vem do Brasil, que a carne que estão começando a apreciar vem do Brasil. E mais: não sabem nem onde é o Brasil, ou o que se faz no Brasil “, lamentou Donário.

Para ele é a combinação de dois pontos que gera isso: o primeiro se relaciona à cultura geral chinesa, nação milenar que se manteve fechada por séculos, o que gerou um isolamento. O segundo é o próprio Brasil, que precisa se vender melhor.

Ao citar o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, Donário reforça a ideia de que o Brasil necessita se identificar para o mundo como grande produtor de alimentos. “Nós não vamos nos destacar vendendo chips, carros e tecnologia, isso está bem claro. O nosso negócio é ser o fornecedor de alimentos para a China e para o mundo, e é ai que está a nossa oportunidade”, disse.

Com uma agricultura baseada no minifúndio de subsistência, com áreas médias de 1 hectare, a China tem na indústria sua principal atividade econômica, a qual ela ter se tornado a segunda potencia mundial. Em 2018 o Produto Interno Bruto (PIB) fechou com expressivo crescimento de 6,6%. A delegação que Donário integra é de empresários, a maioria paulistas, que está em visita a centros de tecnologia e empresas do setor. Esta semana o grupo fica entre a capital Pequim e Hong Kong, retornando da China no dia 22 de abril.

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