Mineira se torna a 1ª brasileira a pilotar aviões agrícolas nos EUA

Em um universo de cerca de 1,5 mil pilotos agrícolas no Brasil, apenas sete são mulheres e, dessas, uma se tornou em julho a primeira brasileira a pilotar um avião agrícola nos Estados Unidos. A mineira Juliana Torchetti Coppick fez o seu curso de transição para aeronave de motor a pistão para turboélice no estado da Georgia e voou em um avião Thrush 510 no próprio Centro de Treinamento da fábrica da marca, na cidade de Albany.

Casada com o piloto norte-americano Joe Coppick, a dupla praticamente reveza sua residência entre o Brasil e a terra do Tio Sam – na safra daqui, quando ela pilota, e na safra de lá (segundo semestre), quando é a vez dele voar. Juliana foi comissária de bordo na aviação comercial, onde passou depois a piloto. Formou-se para a aviação agrícola em 2013, no Rio Grande do Sul.

Em toda a história aeronáutica brasileira, foram mais de 3 mil profissionais egressos dos cursos de pilotos agrícola – os chamados Cavags, em uma referência à sigla sobrevivente do antigo nome Curso de Aviação Agrícola. Não se tem notícia de alguma mulher que tenha encarado o desafio nos primórdios dos Cavags, a partir de 1967, quando ocorreu sua primeira edição.

Mas a primeira aviadora agrícola brasileira é de bem antes disso. A pioneira Ada Leda Rogato (1910-1986) voou em 1948, combatendo a broca do café nas lavouras paulistas. Ela estava a serviço do Instituto de Biologia de São Paulo e esse foi provavelmente o único momento em que o número de homens e mulheres na função esteve equilibrado.

Isso porque o setor aeroagrícola do país havia surgido no ano anterior, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, com o piloto Clóvis Candiota. Ada Rogato escreveu seu nome na história também por outros feitos: foi a primeira piloto brasileira a atravessar os Andes e a primeira do mundo a voar da Patagônia ao Alasca.

Candiota se tornou o patrono da aviação agrícola brasileira, que completa 71 anos no próximo dia 19 de agosto, sua data nacional. Brindemos então por termos mais Julianas, Adas, Rocheles, Joelizes e outras que enriqueçam o setor.

 

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