Como um erro de tradução paralisou uma fábrica de aviões na Argentina

A fabricante argentina de aviões Latino Americana de Aviación S/A (Laviasa) pediu na última semana ao presidente de seu país, Mauricio Macri, que interceda no impasse que desde abril interrompe a produção do modelo agrícola Puelche. Ao que tudo indica, por um simples erro de tradução, na Alfândega, da documentação de importação de um motor Lycoming, vindo dos Estados Unidos. O diretor da Laviasa, Manuel Prieto, declarou à imprensa que o agente que reteve o motor entendeu, ao ler os documentos em inglês, que a peça é usada, o que seria proibido e que, segundo Prieto, não é verdade e também não era o que dizia a papelada.

O caso é que, nesses oito meses, novos documentos já teriam sido apresentados tanto pela empresa Lycoming Engines quando da Federal Aviation Administration (FAA) e da própria Administración Nacional de Aviación Civil (Anac da Argentina) provando que o motor, modelo IO-540-D4A5, número de série L-37028-48E é novo. Prieto diz que a empresa já havia recebido 60 motores da Lycoming e nunca havia tido problema.

MODELO BASEADO NO PIPER PAWNEE

O avião à espera do motor é um Puelche III, a versão mais recente do único pulverizador fabricado na Argentina e um dos dois modelos agrícolas feitos na América Latina (o outro é o brasileiro Ipanema, da Embraer). O Puelche é, na verdade, a versão argentina do PA-25 Pawnee, na norte-americana Piper. Os direitos sobre o projeto dos Estados Unidos (recordista mundial de vendas) foram adquiridos em 1998 pela Laviasa, que fez algumas melhorias na capacidade de combustível, do hopper e na pontas das asas – além de ter criado uma versão biplace, para treinamento.

O Puelche III é, na verdade, a nova roupagem do velho Piper Pawnee, o avião agrícola mais vendido da história – Foto: laviaargentina.com

O Puelche já foi exportado para países como Brasil, Bolívia e Venezuela e a empresa tem uma estratégia ousada de entrar inclusive nos Estados Unidos – justamente para substituir os cerca de 700 Pawnees ainda em operação por lá para atender áreas menores. Para isso, a Laviasa já conseguiu certificar o Puelche junto à FAA.

Além disso, no ano passado a Federação Argentina de Câmaras Agroaéreas (Fearca) assinou com a Laviasa uma carta de intenções para a compra de 10 aviões. O que seria feito com planos de financiamento específicos para empresas associadas à Fearca. Segundo a Federação, a ideia é incentivar a substituição cerca de 400 aviões comuns adaptados para o trabalho aeroagrícola em operação no país.

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