Proibição de aviões agrícolas no Ceará foi baseada em estereótipos

O governador cearense Camilo Santana (PT) sancionou no início do mês a lei que proíbe a pulverização aérea de culturas no estado; entenda essa polêmica

17 de janeiro de 2019 às 02h48

Apesar dos protestos das entidades agrícolas como a própria Federação de Agricultura do Ceará, associações do setor no Estado, Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) e outras ligadas ao Pacto de Cooperação da Agropecuária Cearense (Agropacto) – que em 2017 lançou o Manifesto Público pró-aviação agrícola, o governador cearense Camilo Santana (PT) sancionou no início do mês a lei que proíbe a pulverização aérea de culturas no Ceará. Foi o episódio mais recente de uma discussão que se tornou uma das mais eloquentes mostras do quanto o combate ao setor aeroagrícola é baseado em estereótipos e o quando uma discussão rasa sobre os agrotóxicos pode levar a efeitos contrários ao que propõem iniciativas travestidas de boas intenções.

O motivo é que, sob a alegação de combater os agrotóxicos, a norma suprime a única ferramenta para o trato de lavouras com legislação específica e altamente fiscalizável. Justamente a única exigências legais abrangem a presença em cada operação de técnico agrícola com especialização e engenheiro agrônomo na empresa, além do piloto altamente especializado. Tudo aliado à tecnologia de precisão e que, quando atua, não há ninguém na lavoura.

Tirar o avião de cena não muda o tipo de produto aplicado ou a necessidade de cuidados com o vento (…). O que muda, de imediato, é (…) o preparo de 20 vezes mais volume de calda e a entrada de pessoal nas plantações para pulverizações diretas

Tirar o avião de cena não muda o tipo de produto aplicado ou a necessidade de cuidados com o vento, temperatura e umidade do ar (para o controle de deriva), que são os mesmos para os cerca de 10 (dez) aviões (estimativa do Sindag), os 105 mil pulverizadores costais e os pouco mais de 1 mil pulverizadores terrestres (estacionários e por tratores) existentes no Estado, segundo o Censo Agropecuário de 2006 do IBGE.

O que muda, de imediato, é a demanda por água para o preparo de 20 vezes mais volume de calda para as aplicações e a entrada de pessoal nas plantações para pulverizações diretas com tratores e equipamentos costais. Também muda o cuidado com as distâncias de habitações e áreas ambientalmente sensíveis, que são previstas em legislação federal só para a aviação agrícola. Além de uma despesa maior para o trato das culturas e da queda de produtividade. E, em última instância, risco para os empregos ligados ao setor.

Entidades do agro e autoridades reunidas em 2017 lançaram um manifesto pró aviação

A aviação agrícola está entre as ferramentas de alta tecnologia que ajudaram a tornar o Ceará o segundo maior exportador de frutas do País, vendendo para os exigentes mercados da Europa e dos Estados Unidos, além da África e outros compradores. O projeto de lei para proibir a atividade aeroagrícola vinha se arrastando desde 2015. Em 2017, o Manifesto do Agropacto havia sido subscrito inclusive por representantes da Secretaria da Agricultura, Pesca e Aquicultura do Estado (Seapa), Agência de Defesa Agropecuária do Estado (Adagri) e o Serviço de Inspeção e Sanidade Vegetal da Superintendência Federal de Agricultura do Ceará (SFA/CE), somando-se também deputados estaduais e representantes de outras entidades.

No final de 2018, a iniciativa entrou no pacote de propostas aprovadas a roldão antes das férias dos deputados estaduais. Em janeiro, apesar da insistência das entidades por uma audiência com o governador para explicar as implicações da entrada em vigor da norma, a lei foi sancionada em meio ao barulho da grave crise de segurança que afeta o Estado.

Outro estereótipo travestido de boa intenção: colocar a agricultura convencional como inimiga da agricultura orgânica, quando uma caminha em direção à outra outra

O próximo passo, segundo anunciaram na imprensa os movimentos sociais que trabalharam pela lei anti aviação, será substituir o modelo atual de produção de frutas para exportação por um modelo agroecológico, de produção familiar. Onde mora outro estereótipo travestido de boa intenção: colocar a agricultura convencional como inimiga da agricultura orgânica, quando uma caminha em direção à outra. Se por um lado a agricultura convencional é a que desenvolve as tecnologias para produzir alimentos, biocombustíveis e fibras na escala que o país necessita (tanto para segurança alimentar quando para divisas e empregos), por outro, a agricultura orgânica é inegavelmente o grande laboratório de sustentabilidade do País.

O que demonstra que a resposta não está nos extremos, mas no equilíbrio. Sempre que um lado tenta eliminar o outro, os dois saem perdendo.

Proibição de aviões agrícolas no Ceará foi baseada em estereótipos

O governador cearense Camilo Santana (PT) sancionou no início do mês a lei que proíbe a pulverização aérea de culturas no estado; entenda essa polêmica

17 de janeiro de 2019 às 02h48

Apesar dos protestos das entidades agrícolas como a própria Federação de Agricultura do Ceará, associações do setor no Estado, Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) e outras ligadas ao Pacto de Cooperação da Agropecuária Cearense (Agropacto) – que em 2017 lançou o Manifesto Público pró-aviação agrícola, o governador cearense Camilo Santana (PT) sancionou no início do mês a lei que proíbe a pulverização aérea de culturas no Ceará. Foi o episódio mais recente de uma discussão que se tornou uma das mais eloquentes mostras do quanto o combate ao setor aeroagrícola é baseado em estereótipos e o quando uma discussão rasa sobre os agrotóxicos pode levar a efeitos contrários ao que propõem iniciativas travestidas de boas intenções.

O motivo é que, sob a alegação de combater os agrotóxicos, a norma suprime a única ferramenta para o trato de lavouras com legislação específica e altamente fiscalizável. Justamente a única exigências legais abrangem a presença em cada operação de técnico agrícola com especialização e engenheiro agrônomo na empresa, além do piloto altamente especializado. Tudo aliado à tecnologia de precisão e que, quando atua, não há ninguém na lavoura.

Tirar o avião de cena não muda o tipo de produto aplicado ou a necessidade de cuidados com o vento (…). O que muda, de imediato, é (…) o preparo de 20 vezes mais volume de calda e a entrada de pessoal nas plantações para pulverizações diretas

Tirar o avião de cena não muda o tipo de produto aplicado ou a necessidade de cuidados com o vento, temperatura e umidade do ar (para o controle de deriva), que são os mesmos para os cerca de 10 (dez) aviões (estimativa do Sindag), os 105 mil pulverizadores costais e os pouco mais de 1 mil pulverizadores terrestres (estacionários e por tratores) existentes no Estado, segundo o Censo Agropecuário de 2006 do IBGE.

O que muda, de imediato, é a demanda por água para o preparo de 20 vezes mais volume de calda para as aplicações e a entrada de pessoal nas plantações para pulverizações diretas com tratores e equipamentos costais. Também muda o cuidado com as distâncias de habitações e áreas ambientalmente sensíveis, que são previstas em legislação federal só para a aviação agrícola. Além de uma despesa maior para o trato das culturas e da queda de produtividade. E, em última instância, risco para os empregos ligados ao setor.

Entidades do agro e autoridades reunidas em 2017 lançaram um manifesto pró aviação

A aviação agrícola está entre as ferramentas de alta tecnologia que ajudaram a tornar o Ceará o segundo maior exportador de frutas do País, vendendo para os exigentes mercados da Europa e dos Estados Unidos, além da África e outros compradores. O projeto de lei para proibir a atividade aeroagrícola vinha se arrastando desde 2015. Em 2017, o Manifesto do Agropacto havia sido subscrito inclusive por representantes da Secretaria da Agricultura, Pesca e Aquicultura do Estado (Seapa), Agência de Defesa Agropecuária do Estado (Adagri) e o Serviço de Inspeção e Sanidade Vegetal da Superintendência Federal de Agricultura do Ceará (SFA/CE), somando-se também deputados estaduais e representantes de outras entidades.

No final de 2018, a iniciativa entrou no pacote de propostas aprovadas a roldão antes das férias dos deputados estaduais. Em janeiro, apesar da insistência das entidades por uma audiência com o governador para explicar as implicações da entrada em vigor da norma, a lei foi sancionada em meio ao barulho da grave crise de segurança que afeta o Estado.

Outro estereótipo travestido de boa intenção: colocar a agricultura convencional como inimiga da agricultura orgânica, quando uma caminha em direção à outra outra

O próximo passo, segundo anunciaram na imprensa os movimentos sociais que trabalharam pela lei anti aviação, será substituir o modelo atual de produção de frutas para exportação por um modelo agroecológico, de produção familiar. Onde mora outro estereótipo travestido de boa intenção: colocar a agricultura convencional como inimiga da agricultura orgânica, quando uma caminha em direção à outra. Se por um lado a agricultura convencional é a que desenvolve as tecnologias para produzir alimentos, biocombustíveis e fibras na escala que o país necessita (tanto para segurança alimentar quando para divisas e empregos), por outro, a agricultura orgânica é inegavelmente o grande laboratório de sustentabilidade do País.

O que demonstra que a resposta não está nos extremos, mas no equilíbrio. Sempre que um lado tenta eliminar o outro, os dois saem perdendo.