Aviação agrícola semeia chuvas para combater poluição em Bangkok

O departamento de aviação agrícola da Tailândia entrou este mês na guerra contra a poluição em Bangkok, semeando chuva sobre a região metropolitana da capital. A medida foi tomada depois que a qualidade do ar chegou a níveis extremamente insalubres para os moradores. A ação ficou a cargo do Escritório Real de Aviação Agrícola e de Chuvas Artificiais tailandês (DRRAA, na sigla em inglês) que, além do trato de lavouras, atua no controle de chuvas nas áreas agrícolas tailandesas. Segundo o DRRAA, no último dia 15, dois aviões decolaram pela manhã da cidade de Rayong (170 quilômetros ao sul da capital) e semearam nuvens a leste de Bangkok. A chuva caiu à tarde a ajudou a amenizar o problema, mas a operação deve se repetir.

Poluição do ar na capital do país chegou a níveis altamente insalubres – Foto: my-thai.org

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), sempre que o volume de partículas com 2,5 mícrons ou menos de diâmetro (PM 2,5 – que penetram fundo no sistema respiratório) superar os 25 microgramas por metro cúbico, começa a haver problema para as pessoas. Quando o índice chega a 100 (mg/m3), é insalubre para grupos sensíveis (crianças, idosos e doentes, por exemplo). No caso de Bangkok, o índice de poluição tem passado de 220 desde o início do mês, o que deixou ambiente perigoso na capital.

Ouras ações paliativas do governo têm sido a distribuição de máscaras e a lavagem das ruas com água. Além disso, caminhões circulam pela capital disparando canhões de água para o alto. Segundo a OMS, um terço das mortes globais relacionadas à poluição do ar ocorrem na região do Pacífico Ocidental na Ásia. Boa parte do problema é causado pela industrialização sem regras ambientais na região, além do alto tráfego de veículos pesados em áreas urbanas. Nas áreas rurais, o principal problema são as queimadas nas plantações.

Lavouras e reservatórios

A aviação agrícola da Tailândia (que lá tem que fazer chover, literalmente) é vinculada ao Ministério da Agricultura do país. O DRRAA foi criado pelo rei Bhumibol Adulyadej, a partir de um instituto de pesquisa fundado por ele em 1973. De lá para cá, a Tailândia estudou e aprimorou tecnologias de semeadura de nuvens. Hoje, são cinco centros de produção e chuva no país, com 31 aviões.

Agência aeroagrícola semeia nuvens para proteger lavouras não irrigadas e manter reservatórios cheios – Foto: DRRAA

As operações levam em conta fatores como umidade, luz solar e velocidade do vento. A partir daí o piloto precisa definir a direção, velocidade e altitude do voo. A semeadura de nuvens é feita com um composto de cloreto de sódio, cloreto de cálcio, gelo seco e ureia. A título de exemplo, só em uma operação em novembro (já no fim da estação seca) os aviões do governo fizeram chover em uma área de 20 mil hectares de arroz, cana-de-açúcar, milho, mandioca e borracha na região central do país. As operações ocorrem principalmente em áreas não irrigadas e zonas de reservatórios de água, normalmente de abril a novembro.

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