Rússia discute estratégias para fortalecer aviação agrícola

A reestruturação da legislação de uma política para a aviação agrícola na Rússia será o tema do encontro marcado para a próxima quinta-feira, dia 14,  entre Conselho da Federação Russa (equivalente ao Senado no Brasil) e o Fundo de Assistência ao Desenvolvimento Agrícola do país. A reunião contará ainda com representantes da Duma (semelhante à Câmara dos Deputados brasileira), além de membros do Executivo, operadores aeroagrícolas, produtores rurais e outros convidados. A ideia é criar um regramento que não atrapalhe o setor, mas, ao mesmo tempo, valorize quem trabalha com boas práticas, incentive a qualificação dos profissionais, a formação de pilotos e, principalmente, desencoraje a clandestinidade.

Segundo o Ministério da Agricultura da Rússia, o país tem cerca de 240 aeronaves agrícolas registradas e pelo menos igual número de aparelhos clandestinos. No entanto, a própria legislação local abre brechas, por exemplo, para que qualquer um que se forme piloto compre uma aeronave (inclusive ultraleve) e ofereça serviços diretamente a agricultores.

O debate da próxima semana foi provocado pelo Fundo de Assistência ao Desenvolvimento Agrícola, que já no ano passado alertou as autoridades para importância da aviação para manter a escalada de produtividade no setor primário do país. Em 2016 os russos consolidaram o status de potência mundial na produção de trigo, ultrapassando os Estados Unidos e a Comunidade Europeia. Além disso, em maio do ano passado o país registrou um aumento de 50% das exportações de grãos, no comparativo com 2017.

Projeto de 1947, o Antonov AN-2 ainda é o avião mais utilizado na aviação agrícola da Rússia

No mesmo mês, o presidente do Fundo, Klim Galiullin, lembrou que é preciso inclusive restabelecer os cursos de piloto agrícola. A última geração de pilotos russos com formação própria para atuação em lavouras está se aposentando – e levando consigo sua experiência. O alerta foi durante a 1ª Conferência Russa sobre o Desenvolvimento da Aviação Agrícola, realizada dentro da 11ª Exposição Internacional da Indústria de Helicópteros – HeliRussia 2018.

Tradição e renovação

Apesar de ter o equivalente um quarto da frota aeroagrícola existente no Brasil, a Rússia tem uma tradição bem mais longa no setor. Enquanto aqui a aviação agrícola completa 72 anos em agosto, os russos fazem o trato aéreo de plantações há 94 anos – nos dois casos, o batismo foi contra praga de gafanhotos.

Em 1982 (em plena Guerra Fria) um documento do Serviço de Informações sobre Transmissões Externas (FBIS, na sigla em inglês) informava que a aviação agrícola era responsável por 40% de toda a aplicação de fertilizantes nas lavouras da antiga União Soviética (Rússia e outros países comunistas), bem como mais da metade da aplicação de defensivos nos países do bloco. O que, em cinco anos, representou cerca de milhões de hectares tratados, a partir de 800 pistas e helipontos.

O T-500 é o primeiro aviação agrícola projetado e certificado na Rússia moderna – Foto: A.G. Romashin

Porém entre os russos, a aparente vontade política de retomar o setor está tendo eco inclusive na indústria: no ano passado, a Agência Federal de Transporte Aéreo do país certificou T-500, o primeiro avião agrícola projetado na Rússia moderna, pelas empresas A.G. Romashin e MVEN. Um passo adiante para substituir os velhos e obsoletos Antonov AN-2, um projeto do final dos anos 1940 e que ainda representa o grosso da frota das empresas aeroagrícolas legalizadas no país.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *