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Aviação agrícola fez mais de 1,8 mil lançamentos contra incêndios este ano

A aviação agrícola realizou mais de 1,8 mil lançamentos de água contra chamas na temporada de incêndios deste ano no Brasil. O levantamento foi do Instituto Brasileiro de Aviação Agrícola (Ibravag), abrangendo sete empresas do setor que atuaram nesse tipo de operação entre o início de julho e o começo de outubro. O balanço, na…

31 de outubro de 2019 às 09h19

A aviação agrícola realizou mais de 1,8 mil lançamentos de água contra chamas na temporada de incêndios deste ano no Brasil. O levantamento foi do Instituto Brasileiro de Aviação Agrícola (Ibravag), abrangendo sete empresas do setor que atuaram nesse tipo de operação entre o início de julho e o começo de outubro. O balanço, na verdade, tende a ser bem maior, já que duas das empresas não informaram os dados de suas ações contra o fogo.

Contudo, foram pelo menos 350 horas de voo contra incêndios em áreas de preservação ambiental e lavouras na Amazônia Legal, Centro-Oeste e Sudeste. E uma das empresas chegou a atuar no Chaco Paraguaio, contratada pelo governo daquele país. Segundo o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Thiago Magalhães, a procura pela aviação agrícola para combate a incêndios aumentou entre 20% a 30% este ano devido, principalmente, à maior procura de produtores rurais pelo serviço.

O motivo seria a percepção dos agricultores do custo/benefício na hora de proteger as equipes em solo no combate às chamas, além da rapidez dos aviões para frear o avanço do fogo sobre áreas maiores da lavoura, plantações vizinhas ou no caminho de áreas de preservação. Nos últimos anos, foram vários casos de animais mortos e máquinas e instalações perdidas em focos em propriedades rurais, que também fizeram vítimas entre pessoas que tentavam combater os incêndios.

BOMBEIROS

Nas áreas de preservação ambiental, além de ações voluntárias em alguns pontos, o grosso do trabalho contra chamas é feito em parceria com órgãos oficiais, como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICM-Bio) e bombeiros nos Estados. O que é necessário devido ao custo das operações. Nesse sentido, apesar da boa vontade dos operadores, alguns pontos nos modelos de contrato acabam gerando risco para os empresários que concorrem nas licitações para esse tipo de serviço.

A principal queixa é quanto à prontidão não remunerada. Funciona assim: o operador que assina o contrato tem a obrigação de em duas horas atender ao chamado, colocando avião e equipe na base que for determinada para a operação. Ou seja, em caso de incêndio na região, não pode dispor da aeronave para outros serviços pelo risco de ser chamado. Mas só recebe se for chamado e, em contrapartida, se não cumprir o prazo, leva multa. Para completar, com Estados sem dinheiro, os órgãos oficiais se esforçam ao máximo em apagar as chamas só com as equipes em solo, para evitar o gasto com aeronaves. Ainda que isso implique em prolongar muito a operações.

O modelo ideal, citado por quem opera contra chamas no Brasil, é o do Chile, que tem o mais avançado sistema aéreo contra incêndios na América do Sul. São cerca de 120 aeronaves empenhadas todos os anos nas temporadas locais contra chamas, desde aviões e helicópteros do governo até (e principalmente) aeronaves terceirizadas. Nesse caso, com contratos prevendo remuneração também pela prontidão – mais o que é pago em caso de chamado. O que, de um lado garante à empresa poder arcar com o custo da equipe parada e, de outro, inibe a demora na solicitação do serviço.

Chile, aliás, que enviou quatro aviões agrícolas para ajudar as autoridades brasileira no combate a incêndios florestais em outubro – sendo três de matrícula argentina. A operação nesse caso foi bancada pelo governo de lá, a título de ajuda humanitária.

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Aviação agrícola fez mais de 1,8 mil lançamentos contra incêndios este ano

A aviação agrícola realizou mais de 1,8 mil lançamentos de água contra chamas na temporada de incêndios deste ano no Brasil. O levantamento foi do Instituto Brasileiro de Aviação Agrícola (Ibravag), abrangendo sete empresas do setor que atuaram nesse tipo de operação entre o início de julho e o começo de outubro. O balanço, na…

31 de outubro de 2019 às 09h19

A aviação agrícola realizou mais de 1,8 mil lançamentos de água contra chamas na temporada de incêndios deste ano no Brasil. O levantamento foi do Instituto Brasileiro de Aviação Agrícola (Ibravag), abrangendo sete empresas do setor que atuaram nesse tipo de operação entre o início de julho e o começo de outubro. O balanço, na verdade, tende a ser bem maior, já que duas das empresas não informaram os dados de suas ações contra o fogo.

Contudo, foram pelo menos 350 horas de voo contra incêndios em áreas de preservação ambiental e lavouras na Amazônia Legal, Centro-Oeste e Sudeste. E uma das empresas chegou a atuar no Chaco Paraguaio, contratada pelo governo daquele país. Segundo o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Thiago Magalhães, a procura pela aviação agrícola para combate a incêndios aumentou entre 20% a 30% este ano devido, principalmente, à maior procura de produtores rurais pelo serviço.

O motivo seria a percepção dos agricultores do custo/benefício na hora de proteger as equipes em solo no combate às chamas, além da rapidez dos aviões para frear o avanço do fogo sobre áreas maiores da lavoura, plantações vizinhas ou no caminho de áreas de preservação. Nos últimos anos, foram vários casos de animais mortos e máquinas e instalações perdidas em focos em propriedades rurais, que também fizeram vítimas entre pessoas que tentavam combater os incêndios.

BOMBEIROS

Nas áreas de preservação ambiental, além de ações voluntárias em alguns pontos, o grosso do trabalho contra chamas é feito em parceria com órgãos oficiais, como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICM-Bio) e bombeiros nos Estados. O que é necessário devido ao custo das operações. Nesse sentido, apesar da boa vontade dos operadores, alguns pontos nos modelos de contrato acabam gerando risco para os empresários que concorrem nas licitações para esse tipo de serviço.

A principal queixa é quanto à prontidão não remunerada. Funciona assim: o operador que assina o contrato tem a obrigação de em duas horas atender ao chamado, colocando avião e equipe na base que for determinada para a operação. Ou seja, em caso de incêndio na região, não pode dispor da aeronave para outros serviços pelo risco de ser chamado. Mas só recebe se for chamado e, em contrapartida, se não cumprir o prazo, leva multa. Para completar, com Estados sem dinheiro, os órgãos oficiais se esforçam ao máximo em apagar as chamas só com as equipes em solo, para evitar o gasto com aeronaves. Ainda que isso implique em prolongar muito a operações.

O modelo ideal, citado por quem opera contra chamas no Brasil, é o do Chile, que tem o mais avançado sistema aéreo contra incêndios na América do Sul. São cerca de 120 aeronaves empenhadas todos os anos nas temporadas locais contra chamas, desde aviões e helicópteros do governo até (e principalmente) aeronaves terceirizadas. Nesse caso, com contratos prevendo remuneração também pela prontidão – mais o que é pago em caso de chamado. O que, de um lado garante à empresa poder arcar com o custo da equipe parada e, de outro, inibe a demora na solicitação do serviço.

Chile, aliás, que enviou quatro aviões agrícolas para ajudar as autoridades brasileira no combate a incêndios florestais em outubro – sendo três de matrícula argentina. A operação nesse caso foi bancada pelo governo de lá, a título de ajuda humanitária.