Quem será o novo ministro da Agricultura do Brasil?

Vem aí um novo governo e, como só acontecer nestas ocasiões, a fase inicial é marcada por otimismo, iniciativas e inevitáveis erros por desconhecimento ou nos ajustes necessários para garantir a governabilidade.

A expectativa geral com o novo governo refere-se às medidas visando ao ajuste das contas públicas, a reforma da Previdência e o enxugamento da Máquina Pública.

Nenhuma novidade em afirmar que o adiamento ou decisões tímidas nessas áreas terão respostas desanimadoras do mercado e, portanto, na retomada dos investimentos. Vale dizer, seria muito ruim para a demanda interna de produtos agrícolas, que dependeriam ainda mais das exportações.

Outra consequência negativa seria a continuação da falta de recursos para os programas essenciais na agricultura, com destaque para a defesa agropecuária.

Mas, afinal, quem ocupará a pasta?

Ainda que não acredite em reviravolta espetacular na votação do segundo turno, começo explorando a hipótese de o lulopetismo adotar a mesma estratégia do primeiro mandato de Lula. Ou seja, buscarão para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)  um nome que tenha trânsito no agronegócio, especialmente no meio cooperativista, e sem o veto da esquerda ideologizada.

Esse foi o critério que Lula utilizou para escolher Roberto Rodrigues e,.agora, o cenário me parece semelhante. Apesar de tudo, o escolhido sofreria com uma história similar à de Roberto Rodrigues, que não conseguiu conviver com o ativismo petista, principalmente do Movimento dos Sem Terra e acabou pedindo para sair duas vezes, inclusive com problemas de saúde, até se livrar do Mapa.

A diretriz de uma gestão petista seria a de sempre. Ou seja, o incentivo à produção familiar (por supostamente não ser capitalista) e orgânica (para afastar o modelo moderno de agricultura com máquinas, equipamentos e insumos químicos).

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O apoio à comercialização contaria com mais recursos para a aquisição dos pequenos produtores e o destino dos alimentos aos programas sociais. O que é elogiável.

A Embrapa seria novamente aparelhada, e não haveria aumento substancial nos assentamentos pela reforma agrária por si mesma (mesmo porque não há recursos), mas para enfraquecer com os sem-terra alguns grandes e modernos estabelecimentos rurais de produção e pesquisas, especialmente as voltadas para exportação. A consequência será o aumento da violência no campo.

A Embrapa seria reaparelhada e a atuação internacional novamente ideologizada, contando com forte apoio da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

Fator Bolsonaro

Por outro lado, diante da muito provável derrota do lulopetismo, apresenta-se um cenário relativamente previsível em termos de escolha do ministro. O deputado Bolsonaro já anunciou que o nome virá do agronegócio.

Eu acrescentaria que o nome deverá ser do Rio Grande do Sul, Mato Grosso ou Paraná. Não creio que venha da União Democrática Ruralista (UDR) porque a bandeira central da segurança física e jurídica já é prioridade absoluta de todo o governo, sem necessidade de ocupar a Pasta. E também porque haveria certa dificuldade de negociação com outras frentes políticas do agronegócio.

Há vários pretendentes que podem desempenhar bem o papel, como o futuro senador Luís Carlos Heinze, mas sua presença no Senado será indispensável. O mesmo pode se afirmar sobre deputados ativos na Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) que não conseguiram mandato, como dos deputados mato-grossenses Nilson Leitão, Adilton Sachetti e do cooperativista Valdir Colatto, além de Nery Geller. Isso sem falar em algum empresário de destaque.

Sem demérito para ninguém, há uma alternativa adequada para a conjuntura, com belo currículo: a senadora Ana Amélia Lemos. Preenche o pré-requisito básico de conhecer e defender a agropecuária dos pequenos, médios e grandes produtores e as cooperativas, e uma história de vida com comprovada experiência, honestidade, capacidade de negociação.

Na virada do mês, saberemos quem assumirá o ministério. Como todo iniciante, irá com entusiasmo e metas na cabeça. Normalmente, os candidatos ao Mapa não sabem que administrarão um ministério pesado, emperrado e terá que usar a negativa mais vezes que a permissão, especialmente em termos de defesa agropecuária.

Provavelmente, não querem acreditar que não conseguirá implantar em 2019 nenhum projeto que implique em gastos expressivos. Simplesmente porque nos anos anteriores já foram feitos cortes orçamentários ‘no osso’.

Porém, a nova gestão poderá ser memorável se aproveitar a conjuntura propícia para mudanças e introduzir os ajustes estruturais e de gestão (sem necessidade de recursos) que o Mapa precisa há muito tempo, a começar pela reforma do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e a reestruturação da Embrapa.

Seja quem for, desafios desta dimensão não serão vencidos por despretensiosos.

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