Jantares e visitas não blindam US$16 bi de exportações do agronegócio

Foto: Alan Santos/PR

Parabéns à ministra Tereza Cristina e à CNA pelo jantar com a diplomacia islâmica acreditada em Brasília e, pelos esforços no sentido de preservar o disputado mercado de 56 países islâmicos (incluindo os africanos e asiáticos). Sem embargo, a questão é complexa e não será equacionada só por visitas e jantares.

Trata-se, em conjunto, do terceiro bloco maior importador de alimentos do Brasil, cujo montante atingiu 19,1 bilhões em 2017, tendo diminuído para US$16,4 em 2018. O referido mercado absorve um quarto de nossas vendas externas de carne bovina e 28% da carne de frango. O Egito (terceiro maior importador de carne bovina do Brasil) é juntamente com a Jordânia importante fornecedor de fosfato e ureia para a nossa agricultura, e tem um Acordo de Livre Comércio com o Mercosul. Ou seja, este comércio é também de mão dupla.

  • Então, como assim, agredir uma parceria dessas, a troco de que?

É real a possibilidade de retaliação ou má vontade com o Brasil. Mesmo que seja interpretado que é sustentado por uma parte do atual governo que não consegue entender a complexidade do que está em questão. Sim, mas não só por isso. Analistas, também atribuem a guinada ao cumprimento de compromissos durante a campanha com igrejas evangélicas em troca de apoio eleitoral.

Aparentemente, o desconhecimento da história do Oriente Médio também influenciou.  

O governo petista pendeu para os palestinos, agora o movimento foi para o lado dos judeus. Além da motivação ideológica radical, também deve ter influenciada a visão simplista sobre a História daquela região, em especial da cultura religiosa e das guerras milenares entre nações vizinhas.

Cabe relembrar: há registros históricos de mais de quatro mil anos sobre guerras entre hebreus e filisteus (palestinos). Foi com guerras que o povo hebreu se recolocou na região após o retorno do Egito, também foi assim após a expulsão pelos romanos que os levou a uma diáspora de mil anos pelo mundo até retornar após a II Guerra Mundial. Invadidos por egípcios, sírios e jordanianos, em 1967, retrucaram tomando a conturbada Jerusalém. Por sinal, dividida até hoje em parte árabe e parte judia.

Só por essas razões não deveríamos nos meter. Mas, o imbróglio é maior. Com o devido respeito a todos os religiosos. Lá o Estado não é laico. Ali, todo poder provém de Deus/Alá e em seu nome deve ser exercido. Inclusive em países não árabes, como no Irã, na África e na Ásia. Portanto a religião é fundamental.

E Jerusalém é cidade sagrada para as três religiões. Lá é que deve ser a cidade-centro, não só do Estado de Israel. Lá está a revelação de Deus sobre como deve se organizar a sociedade e o mundo… aí está a ponte com as igrejas evangélicas e católicos ortodoxos do Brasil.

Se achares que exagerei, então responda porque o atual governo tomou um rumo que qualquer estagiário de economia balançaria a cabeça. Afinal, a maior parte do Oriente Médio foi, é e será grande importador de alimentos. E o Brasil, no posto de terceiro maior exportador de alimentos

do mundo, posição conquistada a duras penas, não pode colocar em risco essa grande conquista atual e o avanço para um futuro ainda mais promissor.

Do embaixador palestino veio mais um alerta. Não se metam nesta guerra que não é vossa. Se fizermos isso, só nos restará a esperança de que a economia brasileira é maior que o governo do turno. O PT tentou por 13 anos implantar uma geo-política externa esquerda-terceiro- mundista e não conseguiu. O governo Bolsonaro também não conseguirá se insistir em avançar pela extremidade oposta.

Afinal, se for para interferir, que seja junto com a comunidade internacional de boa vontade, e sob a égide do que Ele nos ensinou: “Eu vos trago a paz”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *