O que deve acontecer com os preços de açúcar e etanol em curto prazo?

Parte 1

Mercado interno  

Região Centro-Sul

Açúcar–  em um cenário de estoques relativamente baixos, com base no balanço oferta-demanda, observamos uma oferta de açúcar restrita, o que tem fortalecido os preços internamente. As chuvas previstas para esta semana e preços firmes no mercado externo dão suporte para preços de açúcar no mercado interno. A previsão para o curto prazo é de preços relativamente estáveis com viés de alta.  

O desconto médio de preços para o açúcar de qualidade inferior em São Paulo (cor até 250), representado pelo Índice JOB, situou-se em um nível relativamente baixo de 3,4% na semana passada. Isto quando comparado com o açúcar de melhor qualidade (cor < 180) medido pelo Índice ESALQ.  

Etanol – esperamos para esta semana relativa estabilidade com viés de alta – a forte atratividade na bomba do hidratado combustível dá suporte aos preços. Além disso, temos previsão de chuvas para o CSUL, o que fortalece este viés de alta previsto. O recuo dos preços do petróleo no mercado internacional aliado a valorização do Real podem inibir o vigor da alta de preços do etanol no mercado doméstico, visto que existe espaço para reduções de preços da gasolina por parte da Petrobrás.

Região Norte-Nordeste

Açúcar: esperamos preços relativamente estáveis. Com unidades produtoras voltadas para o cumprimento de contratos de exportação e produção de etanol não temos observado pressão de oferta no mercado local.

Etanol: esperamos relativa estabilidade com viés de alta. No caso do anidro a expectativa de chegada de produto importado inibe novos aumentos de preços. Já o hidratado tem na demanda um bom argumento para elevação de preços.

 

Mercado internacional  

Açúcar: a quebra de safra da região CSUL agora mais evidente, a Europa confirmando também sua redução de produção de açúcar, juntamente com a América Central, são fundamentos que têm contribuído para o fortalecimento dos preços do açúcar. Junta-se a isto a desvalorização do dólar frente ao Real e a ação compradora dos fundos. Por outro lado, a boa disponibilidade de produto no curto prazo no mercado internacional inibe um movimento sustentado de valorização do açúcar. Preços relativamente estáveis, ainda com viés de alta, podem acontecer nesta semana.

Petróleo: os níveis elevados de preços do petróleo estimulam a oferta. Além disso, uma expectativa de redução de demanda e a adoção de uma posição mais suavizada pelos EUA de sanções à venda de petróleo pelo Irã, inibem a elevação de preços. Neste contexto, esperamos preços de petróleo relativamente estáveis, com viés de baixa, nesta semana.

Câmbio: a vitória no 1º turno e o avanço e consolidação do candidato Jair Bolsonaro como vitorioso nas pesquisas de intenção de voto tem gerado uma valorização do Real. Esta valorização pode continuar no curto prazo.

Por relativa estabilidade de  preços entendemos preços iguais aos da semana passada + 1% (mercado interno) e 2% (mercado externo). O grau de acerto das nossas previsões de tendência de curto-prazo, nesta safra 2018/19,  oscilou no intervalo de 67%(açúcar-CS) – 85%(etanol-CSUL e NNE).

 

Julio Maria M. Borges         Sócio-Diretor da JOB Economia e Planejamento.

Email: julioborges@jobeconomia.com.br       Site: www.jobeconomia.com.br

Confira a Parte 2 desta publicação em breve

 

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