Daoud: indefinição sobre Previdência pode ‘abrir porta do inferno’ no Brasil

Foto: Agência Câmara/Edição- Canal Rural

O mês de fevereiro começou com a retomada dos trabalhos no Congresso brasileiro e, mais do que nunca, é a hora do governo Bolsonaro mostrar seu poder de articulação para colocar em prática as reformas que o Brasil tanto precisa.

Acontece, meus amigos, que um texto preliminar da Reforma da Previdência “vazou” com um conteúdo mais duro e polêmico, estabelecendo idade mínima de 65 anos para homens e mulheres se aposentarem no Brasil, enquanto a proposta que tramita no Congresso prevê idade mínima de 62 anos para as mulheres.

Esse texto que foi vazado (de propósito, é óbvio) agradou o mercado, já que o mundo econômico coloca essa reforma como primordial para que o Brasil possa fazer os ajustes de suas contas públicas, que cada vez mais vem definhando e deixando o Brasil em uma vulnerabilidade muito perigosa.

Mas, o que me preocupa neste vazamento foi a reação do senhor Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil, que veio a público dizendo que não é essa a proposta do governo. Neste momento, meus amigos, é preciso tomar muito cuidado, pois não podemos ter ruídos nesse assunto.

Se o chefe da Casa Civil coloca em dúvida uma proposta que está em discussão no Ministério da Economia, isso é muito ruim. Já tem parlamentar dizendo que essa reforma penaliza e prejudica os mais pobres e o povo trabalhador. Essas coisas não podem acontecer.

O governo precisa combinar, fazer um acordo sobre a reforma e pode até negociar a questão da idade mais tarde. No entanto, o que não pode ocorrer é a própria equipe do governo Bolsonaro entrar em contradição.

A economia real dá sinais de que não se recuperou e, se acontecer qualquer coisa que indique que essa reforma não vai dar certo, aí poderemos ter a abertura da porta do inferno e o pessimismo acaba imperando, coisa que não é possível nos dias de hoje.

Economia concreta x mercado financeiro

Meus amigos, não podemos confundir o otimismo do mercado financeiro com a economia real do nosso país. O mercado age de acordo com agentes especuladores, que lucram tanto na queda quanto na alta e esse otimismo não se aplica necessariamente á economia concreta, que é baseada no crescimento do país divulgado pelo tesouro nacional.

Tanto é verdade, que já já uma previsão de rebaixamento no Produto Interno Bruto (PIB) de 2019. Para essa economia se recuperar de fato, é preciso uma reforma da Previdência eficaz

Na minha opinião, a proposta vazada precisa apenas de alguns ajustes, mas no futuro ela pode sim estabilizar o déficit da Previdência. Porém, acho que antes da reforma em si precisamos esclarecer a seguridade social, definindo o que é  previdenciário, o que é saúde e o que é benefício.

Ao meu ver, muita coisa precisa ser discutida, até porque o ministro da Economia Paulo Guedes teve um choque de realidade. Afinal, a realidade é um pouco diferente dos conceitos dele.

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