Daoud: Acordos do governo com EUA podem prejudicar pequeno produtor

Caros amigos, chegou ao fim a visita do presidente Jair Bolsonaro ao seu colega Donald Trump e acho que o produtor rural tem mais motivos para se preocupar do que para comemorar. Em termos ideológicos, a visita foi um sucesso e o alinhamento entre os dois chefes de estados parece estar mais forte do que nunca. Para o Brasil, sempre será interessante estar ao lado da maior economia do mundo.

No entanto, no ponto de vista comercial, o que posso dizer é que “fomos buscar lã e saímos tosquiados”. Explico:  nós vamos ter que abrir o nosso mercado para suínos norte-americanos e liberar a importação de trigo.

O Brasil agora vai abrir mão do tratamento diferenciado que tem na Organização Mundial do Comércio, como maior prazo para cumprir acordos. Tudo isso por causa de uma promessa de Trump em apoiar a nossa entrada na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o chamado clube dos países ricos.

Por causa dessa tentativa de aderir a o órgão dos ricos no comércio internacional, o Brasil poderá fazer alguma aberturas, algumas até estapafúrdias, como aderir à importação de etanol de milho dos Estados Unidos, um produto muito mais caro do que o etanol de cana-de-açúcar produzido aqui.

Se nós continuarmos dessa forma, vamos dizimar os produtores de leite, trigo e feijão, porque o nosso país é caro e não temos capacidade para competir com os países mais ricos. Essa mudança de direção elaborada por Bolsonaro causará uma modificação na política agrícola do Brasil e, até agora, não ouvi do ministro da Economia, Paulo Guedes, nenhum plano para nos dizer em qual direção vamos avançar.

O fato é que os EUA não dependem tanto da agropecuária e, até por isso, possuem mais poder de fogo para negociar com o Brasil.

Ideologia x Economia

Essa negociação com os EUA baseada apenas em ideologia é muito ruim, pois a China já fica de sobreaviso e podemos criar uma onda de atrito a troco de nada. As cabeças pensantes deste governo focam em bobagens, como elogios ao filósofo Olavo de Carvalho, ao invés de se preocupar com problemas concretos e relevantes.

O Brasil está totalmente desajustado e é preciso, principalmente do ministro da Economia, uma pauta mais séria.  É preciso pensar que ao levar a ideologia acima de qualquer coisa pode causar problemas não só econômicos como também políticos, já que para aprovar algumas medidas importantes é preciso negociar com parlamentares mais moderados. Esse é o papel de um chefe de estado.

Sempre de olho no futuro, avalio esse encontro entre Trump e Bolsonaro como decepcionante sob o ponto de vista comercial. Afinal, o desenrolar desses acordos pode ser prejudicial aos nossos pequenos e médios produtores.

Nos governos anteriores eu criticava algumas políticas adotadas e neste, de direita, também vou criticar quando forem prejudiciais ao produtor rural. Não estou olhando ideologia neste momento e, sim, me preocupando com o futuro da nossa agropecuária.

É preciso sempre olhar para frente para poder evitar catástrofes que podem ser permanentes para o setor produtivo.

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