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“Doutrina Bolsonaro” entra em ação pelas mãos de Temer

A “doutrina Bolsonaro”, de enfrentamento da bandidagem pelo Estado, combatendo “violência com violência”, ganhou as ruas antes mesmo de uma possível eleição do capitão-deputado. A intervenção do Exército no Rio, ao que parece, não será molezinha. Do contrário, os generais não topariam assumir essa bomba. A tropa não sairá dos quartéis sem ordem expressa para…

16 de fevereiro de 2018 às 12h11

A “doutrina Bolsonaro”, de enfrentamento da bandidagem pelo Estado, combatendo “violência com violência”, ganhou as ruas antes mesmo de uma possível eleição do capitão-deputado. A intervenção do Exército no Rio, ao que parece, não será molezinha. Do contrário, os generais não topariam assumir essa bomba.

A tropa não sairá dos quartéis sem ordem expressa para “limpar” uma cidade sitiada por facções criminosas, traficantes e milicianos em forte sintonia com políticos ligados ao crime. Como isso será operado é que são elas. O general, agora no comando, conteve os ânimos na Olimpíada. Mas agora a ação será permanente, e não pontual.

É bom lembrar que Michel Temer sancionou a Lei 13.491 (íntegra aqui) para garantir julgamento de eventuais mortes intencionais de civis durante ações das Forças Armadas na Justiça Militar. É uma lei duríssima, batizada de “licença para matar” por ativistas de direitos humanos. Veremos, agora, como isso funcionará na prática no Rio.

A nulidade dos desgovernos do Rio, Pezão e Crivella somados, pavimentou essa intervenção. E o descontrole no Carnaval só agravou uma situação-limite.

É algo grave em regimes democráticos. Mas algo defensável em governos fracos e incompetentes. Os brasileiros, e os moradores cariocas em especial, estão cansados de esperar uma ação efetiva dos governos. Mais do que isso: muitos morreram nessa guerra esperando. A onda de violência, largamente gestada em presídios, também atinge Rio Grande do Sul, Ceará, Roraima, Amazonas e Goiás, entre outros. Muitos outros brasileiros dessas regiões foram assassinados por esse descontrole.

Temer foi ao limite de sua autoridade. Vai, inclusive, paralisar o Congresso e a vida política nacional. A natimorta reforma da Previdência ganhou mais um motivo para seu enterro. E Temer, um pretexto para justificar uma derrota certa.

Há muito de risco calculado nessa atitude, entre eles a transferência do poder total de polícia ao Exército. Num País que foi dilacerado pela ditadura militar, ainda muito viva na memória, isso não é pouco. Mas há uma fronteira desconhecida nessa atuação dos militares. Isso será mais agudo nas favelas da Zona Sul e nos subúrbios.

O País mergulha, assim, no imponderável. O senso comum manda apoiar uma ação dura e eficaz. Mas, sem dúvida, haverá efeitos colaterais dolorosos nessa guerra que começou hoje. E que pode levar a “doutrina Bolsonaro” ao Palácio do Planalto em outubro.

 

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“Doutrina Bolsonaro” entra em ação pelas mãos de Temer

A “doutrina Bolsonaro”, de enfrentamento da bandidagem pelo Estado, combatendo “violência com violência”, ganhou as ruas antes mesmo de uma possível eleição do capitão-deputado. A intervenção do Exército no Rio, ao que parece, não será molezinha. Do contrário, os generais não topariam assumir essa bomba. A tropa não sairá dos quartéis sem ordem expressa para…

16 de fevereiro de 2018 às 12h11

A “doutrina Bolsonaro”, de enfrentamento da bandidagem pelo Estado, combatendo “violência com violência”, ganhou as ruas antes mesmo de uma possível eleição do capitão-deputado. A intervenção do Exército no Rio, ao que parece, não será molezinha. Do contrário, os generais não topariam assumir essa bomba.

A tropa não sairá dos quartéis sem ordem expressa para “limpar” uma cidade sitiada por facções criminosas, traficantes e milicianos em forte sintonia com políticos ligados ao crime. Como isso será operado é que são elas. O general, agora no comando, conteve os ânimos na Olimpíada. Mas agora a ação será permanente, e não pontual.

É bom lembrar que Michel Temer sancionou a Lei 13.491 (íntegra aqui) para garantir julgamento de eventuais mortes intencionais de civis durante ações das Forças Armadas na Justiça Militar. É uma lei duríssima, batizada de “licença para matar” por ativistas de direitos humanos. Veremos, agora, como isso funcionará na prática no Rio.

A nulidade dos desgovernos do Rio, Pezão e Crivella somados, pavimentou essa intervenção. E o descontrole no Carnaval só agravou uma situação-limite.

É algo grave em regimes democráticos. Mas algo defensável em governos fracos e incompetentes. Os brasileiros, e os moradores cariocas em especial, estão cansados de esperar uma ação efetiva dos governos. Mais do que isso: muitos morreram nessa guerra esperando. A onda de violência, largamente gestada em presídios, também atinge Rio Grande do Sul, Ceará, Roraima, Amazonas e Goiás, entre outros. Muitos outros brasileiros dessas regiões foram assassinados por esse descontrole.

Temer foi ao limite de sua autoridade. Vai, inclusive, paralisar o Congresso e a vida política nacional. A natimorta reforma da Previdência ganhou mais um motivo para seu enterro. E Temer, um pretexto para justificar uma derrota certa.

Há muito de risco calculado nessa atitude, entre eles a transferência do poder total de polícia ao Exército. Num País que foi dilacerado pela ditadura militar, ainda muito viva na memória, isso não é pouco. Mas há uma fronteira desconhecida nessa atuação dos militares. Isso será mais agudo nas favelas da Zona Sul e nos subúrbios.

O País mergulha, assim, no imponderável. O senso comum manda apoiar uma ação dura e eficaz. Mas, sem dúvida, haverá efeitos colaterais dolorosos nessa guerra que começou hoje. E que pode levar a “doutrina Bolsonaro” ao Palácio do Planalto em outubro.