Fazenda de leite amplia renda com uso de biodigestores

Numa atividade em que cada centavo faz diferença, o corte de despesas – sem prejuízos ao desempenho – é mais do que bem vindo. Melhor ainda quando a mesma solução que reduz gastos, também ajuda a potencializar os resultados. E foi isso que um produtor de leite em Gameleira de Goiás conseguiu fazer.

A Granja Sol Dourado é hoje um modelo na atividade. Com 50 alqueires (cerca de 120 hectares) dedicados à produção de leite, a propriedade tem hoje 185 vacas holandesas em lactação. Juntas, rendem diariamente cerca de 5 mil litros de leite tipo A integral, o que representa uma produtividade média entre 25 e 27 litros diários por animal. Além da qualidade do produto, também chamam atenção os resultados decorrentes do investimento em biodigestores no local.

Além de resolver uma dor de cabeça na fazenda – que era o destino dado aos dejetos do rebanho – o investimento também permitiu reduções significativas nos custos da propriedade. Segundo o produtor Alessandro Pedroso, dono da propriedade, a primeira mudança foi na conta de energia, já que os gases que saem dos biodigestores permitem a geração própria da eletricidade usada na propriedade. Outra vantagem é a redução da dependência do uso de adubos químicos. Como dos biodigestores sai o “fertilizante orgânico”, que é despejado nas lavouras de soja e milho cultivadas na fazenda, as despesas com fertilizantes caíram pela metade, como explica o produtor.

A aposta na estratégia sustentável chamou a atenção dos integrantes da Missão Técnica do Leite, realizada pelo Sistema Famato. O produtor Vitor Junqueira destacou que o trabalho desenvolvido na propriedade é um exemplo a ser seguido.

A Granja Sol Dourado foi a quarta propriedade visitada pelo grupo de produtores e técnicos de Mato Grosso que estão em Goiás para conhecer iniciativas que possam ajudar no avanço da bacia leiteira mato-grossense. Antes, os integrantes da missão passaram pela Fazenda São Caetano (referência na produção de leite à pasto irrigado), Fazenda Brasilândia (que elevou a produtividade investindo em genética e bem-estar animal) e pela Estância Tamburil, referência em genética das raças Gir e Girolando.

Aliás, a propriedade localizada em Bela Vista, é apontada como uma das que possui o maior banco genético destas raças em toda América do Sul. Lá, os integrantes da missão ficaram impressionados com desempenho do rebanho leiteiro. Algumas vacas, chegam a produzir até 80 litros por dia, segundo o proprietário Amarildo Pires. Outro destaque na propriedade é o foco na produção do leite “A2A2”, indicado para pessoas com alergia à lactose, como explica o Amarildo.

Para Marcos Carvalho, analista de pecuária da Famato, o trabalho realizado na Estância Tamburil é uma prova de que o investimento em genética é um dos caminhos mais fundamentais para o sucesso na pecuária leiteira.

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