Cooperativismo de crédito ainda engatinha no Brasil, mas cresce mesmo em épocas de crise

Existem atualmente 967 cooperativas de crédito no país. Juntas, possuem nada menos que 9,6 milhões de associados, segundo o Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (Bacen 2017), o que representa um crescimento de 8% com relação ao ano anterior.

19 de outubro de 2018 às 17h00

Foi em dezembro de 1902 que esta história começou por aqui, sempre com  foco no campo. Diante da dificuldade financeira enfrentada por agricultores (a maioria imigrante) que moravam na região conhecida hoje como Linha Imperial, no Rio Grande do Sul, a ideia de criar uma maneira de “juntar dinheiro para emprestar aos agricultores” tomou forma e rompeu as barreiras da desconfiança natural do ser humano diante das ideias novas. Sob a “coordenação” do padre Theodor Amstad, um suíço que viu na Europa o nascimento com sucesso do cooperativismo de crédito, era criada a “Caixa de Economias e Empréstimos Amstad”.

A iniciativa entraria para a história não apenas do Brasil. Afinal, tratava-se da primeira cooperativa de crédito de toda a América Latina! Aliás, quem passa pelo município de Nova Petrópolis (em Linha Imperial) pode conhecer os detalhes deste capítulo envolvente da nossa história. A casa que abriga a primeira sede própria da cooperativa – mais tarde batizada como Sicredi Pioneira – foi transformada em um memorial recheado com documentos, equipamentos, fotos e, principalmente,  muita emoção e energia positiva expressas nos relatos de quem consegue transportar o turista àquela época.

No município que virou símbolo do cooperativismo de crédito no Brasil, a sede atual da Sicredi Pioneira fica em frente a uma praça que também dá destaque a este modelo econômico. Em lugar de destaque, está uma bela obra de arte comemorativa ao primeiro centenário do cooperativismo de crédito no país.

E é em frente a esta homenagem que um homem apaixonado pela força do cooperativismo e das transformações sociais que ele é capaz de promover reforça suas convicções e pensamentos sobre o tema. Em uma breve entrevista ao Blog do Canal Rural Mato Grosso, Mário José Konzen (atual vice-presidente da Sicredi Pioneira) deixa claro o tamanho da sua crença no poder da soma de esforços.

Para Mário, numa época em que a sociedade demonstra estar cada vez mais adepta do “eu” do que do “nós”, o cooperativismo tende a ganhar ainda mais força para crescer.

A “viagem no tempo” proporcionada pela visita ao interior do Rio Grande do Sul nos faz perceber o quanto as raízes do cooperativismo são profundas e capazes de sustentar uma árvore frondosa que não para de crescer. Os números do presente, aliás, comprovam isso. Mesmo em anos de crise o cooperativismo de crédito avança a passos largos no Brasil.

Existem atualmente 967 cooperativas de crédito no país. Juntas, possuem nada menos que 9,6 milhões de associados, segundo o Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (Bacen 2017), o que representa um crescimento de 8% com relação ao ano anterior. Fisicamente, as cooperativas estão presentes em quase metade dos municípios brasileiros e, detém juntas, a maior rede do Sistema Financeiro Nacional (SFN) com quase 5 mil pontos de atendimento. No ano passado, o volume de ativos totais chegava a R$ 178,5 bilhões.

Chefe do departamento de supervisão de cooperativas e de instituições não-bancárias do Banco Central, Harold Espínola atribui a expansão do cooperativismo de crédito – mesmo em anos difíceis – à sua presença mais próxima das comunidades, especialmente àquelas em que a produção de alimentos é a mola propulsora.

Espínola também destaca o papel do cooperativismo de crédito na carteira rural, na qual já é a segunda maior provedora de recursos em todo país.

A maior presença junto às comunidades e ao meio rural também é apontada pelo presidente-executivo do Banco Cooperativo Sicredi como um dos principais motivos para o crescimento destes números. João Tavares reforça que o modelo de negócio é sólido e que a perspectiva é de que o avanço nos próximos anos siga acima dos “dois dígitos”.

O presidente nacional do Sicredi também destaca o caminho para ampliar a participação da cooperativa junto aos grandes financiamentos rurais, demandados por um perfil muito “específico” de associado, presente principalmente no centro-oeste do país.

O olhar para o futuro é alicerçado pelos números do presente. A Sicredi Centro-Norte, por exemplo, registrou números positivos no primeiro semestre deste ano. Com abrangência nos estados de Mato Grosso, Rondônia, Pará e Acre, a “Centro Norte” conquistou um salto de 14,3% nas operações de crédito. Foram R$ 6,769 bilhões na 1ª metade de 2017 e R$ 7,742 bilhões este ano. Os depósitos totais cresceram 23%, de R$ 3,742 bilhões para R$ 4,604 bilhões. O patrimônio líquido subiu 16,9%, chegando a R$ 2,312 bilhões e os ativos evoluíram 14,1%, para R$ 9,813 bilhões. A poupança registrou avanço de 72,6%, ao passar de R$ 910 milhões para R$ 1,571 bilhão. Os resultados distribuídos aos associados somaram R$ 240,960 milhões este ano contra R$ 214,602 milhões ano passado, aumento de 12,2%. Em número de associados, aliás, a evolução foi de 6,8%, chegando a 392 mil.

Os balanço positivo foi divulgado na última quinta-feira (18), na data que marca o Dia Internacional das Cooperativas de Crédito (DICC/2018). Este ano o tema escolhido para a comemoração foi “encontre prosperidade em uma cooperativa de crédito”. Um tema muito alinhado com a atual realidade do segmento no Brasil. Apesar de muita gente ter começado a “enxergar” as vantagens deste cooperativismo, o desconhecimento acerca das características deste “negócio” ainda é considerado o maior entrave que evita um avanço ainda maior.

Mesmo com quase 120 anos de de história por aqui, o cooperativismo ainda engatinha no Brasil. Presente em 109 países e com mais de 235 milhões de associados nas 68 mil cooperativas espalhadas pelo mundo, cooperativismo de crédito tem apenas 3,42% de “taxa de penetração” no Brasil.

Esta taxa é calculada dividindo o número total de membros de cooperativas de crédito pela população em idade economicamente ativa e é adotada como uma referência pelo Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (WOCCU). Enquanto por aqui o índice não chega a 4%, em países como os Estados Unidos alcança 52,61% e, na Irlanda, nada menos que 74,47%.

Para aqueles que ainda têm dúvidas sobre as vantagens e a segurança de apostar neste modelo, uma visita a Nova Petrópolis pode ser esclarecedora.

Cooperativismo de crédito ainda engatinha no Brasil, mas cresce mesmo em épocas de crise

Existem atualmente 967 cooperativas de crédito no país. Juntas, possuem nada menos que 9,6 milhões de associados, segundo o Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (Bacen 2017), o que representa um crescimento de 8% com relação ao ano anterior.

19 de outubro de 2018 às 17h00

Foi em dezembro de 1902 que esta história começou por aqui, sempre com  foco no campo. Diante da dificuldade financeira enfrentada por agricultores (a maioria imigrante) que moravam na região conhecida hoje como Linha Imperial, no Rio Grande do Sul, a ideia de criar uma maneira de “juntar dinheiro para emprestar aos agricultores” tomou forma e rompeu as barreiras da desconfiança natural do ser humano diante das ideias novas. Sob a “coordenação” do padre Theodor Amstad, um suíço que viu na Europa o nascimento com sucesso do cooperativismo de crédito, era criada a “Caixa de Economias e Empréstimos Amstad”.

A iniciativa entraria para a história não apenas do Brasil. Afinal, tratava-se da primeira cooperativa de crédito de toda a América Latina! Aliás, quem passa pelo município de Nova Petrópolis (em Linha Imperial) pode conhecer os detalhes deste capítulo envolvente da nossa história. A casa que abriga a primeira sede própria da cooperativa – mais tarde batizada como Sicredi Pioneira – foi transformada em um memorial recheado com documentos, equipamentos, fotos e, principalmente,  muita emoção e energia positiva expressas nos relatos de quem consegue transportar o turista àquela época.

No município que virou símbolo do cooperativismo de crédito no Brasil, a sede atual da Sicredi Pioneira fica em frente a uma praça que também dá destaque a este modelo econômico. Em lugar de destaque, está uma bela obra de arte comemorativa ao primeiro centenário do cooperativismo de crédito no país.

E é em frente a esta homenagem que um homem apaixonado pela força do cooperativismo e das transformações sociais que ele é capaz de promover reforça suas convicções e pensamentos sobre o tema. Em uma breve entrevista ao Blog do Canal Rural Mato Grosso, Mário José Konzen (atual vice-presidente da Sicredi Pioneira) deixa claro o tamanho da sua crença no poder da soma de esforços.

Para Mário, numa época em que a sociedade demonstra estar cada vez mais adepta do “eu” do que do “nós”, o cooperativismo tende a ganhar ainda mais força para crescer.

A “viagem no tempo” proporcionada pela visita ao interior do Rio Grande do Sul nos faz perceber o quanto as raízes do cooperativismo são profundas e capazes de sustentar uma árvore frondosa que não para de crescer. Os números do presente, aliás, comprovam isso. Mesmo em anos de crise o cooperativismo de crédito avança a passos largos no Brasil.

Existem atualmente 967 cooperativas de crédito no país. Juntas, possuem nada menos que 9,6 milhões de associados, segundo o Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (Bacen 2017), o que representa um crescimento de 8% com relação ao ano anterior. Fisicamente, as cooperativas estão presentes em quase metade dos municípios brasileiros e, detém juntas, a maior rede do Sistema Financeiro Nacional (SFN) com quase 5 mil pontos de atendimento. No ano passado, o volume de ativos totais chegava a R$ 178,5 bilhões.

Chefe do departamento de supervisão de cooperativas e de instituições não-bancárias do Banco Central, Harold Espínola atribui a expansão do cooperativismo de crédito – mesmo em anos difíceis – à sua presença mais próxima das comunidades, especialmente àquelas em que a produção de alimentos é a mola propulsora.

Espínola também destaca o papel do cooperativismo de crédito na carteira rural, na qual já é a segunda maior provedora de recursos em todo país.

A maior presença junto às comunidades e ao meio rural também é apontada pelo presidente-executivo do Banco Cooperativo Sicredi como um dos principais motivos para o crescimento destes números. João Tavares reforça que o modelo de negócio é sólido e que a perspectiva é de que o avanço nos próximos anos siga acima dos “dois dígitos”.

O presidente nacional do Sicredi também destaca o caminho para ampliar a participação da cooperativa junto aos grandes financiamentos rurais, demandados por um perfil muito “específico” de associado, presente principalmente no centro-oeste do país.

O olhar para o futuro é alicerçado pelos números do presente. A Sicredi Centro-Norte, por exemplo, registrou números positivos no primeiro semestre deste ano. Com abrangência nos estados de Mato Grosso, Rondônia, Pará e Acre, a “Centro Norte” conquistou um salto de 14,3% nas operações de crédito. Foram R$ 6,769 bilhões na 1ª metade de 2017 e R$ 7,742 bilhões este ano. Os depósitos totais cresceram 23%, de R$ 3,742 bilhões para R$ 4,604 bilhões. O patrimônio líquido subiu 16,9%, chegando a R$ 2,312 bilhões e os ativos evoluíram 14,1%, para R$ 9,813 bilhões. A poupança registrou avanço de 72,6%, ao passar de R$ 910 milhões para R$ 1,571 bilhão. Os resultados distribuídos aos associados somaram R$ 240,960 milhões este ano contra R$ 214,602 milhões ano passado, aumento de 12,2%. Em número de associados, aliás, a evolução foi de 6,8%, chegando a 392 mil.

Os balanço positivo foi divulgado na última quinta-feira (18), na data que marca o Dia Internacional das Cooperativas de Crédito (DICC/2018). Este ano o tema escolhido para a comemoração foi “encontre prosperidade em uma cooperativa de crédito”. Um tema muito alinhado com a atual realidade do segmento no Brasil. Apesar de muita gente ter começado a “enxergar” as vantagens deste cooperativismo, o desconhecimento acerca das características deste “negócio” ainda é considerado o maior entrave que evita um avanço ainda maior.

Mesmo com quase 120 anos de de história por aqui, o cooperativismo ainda engatinha no Brasil. Presente em 109 países e com mais de 235 milhões de associados nas 68 mil cooperativas espalhadas pelo mundo, cooperativismo de crédito tem apenas 3,42% de “taxa de penetração” no Brasil.

Esta taxa é calculada dividindo o número total de membros de cooperativas de crédito pela população em idade economicamente ativa e é adotada como uma referência pelo Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (WOCCU). Enquanto por aqui o índice não chega a 4%, em países como os Estados Unidos alcança 52,61% e, na Irlanda, nada menos que 74,47%.

Para aqueles que ainda têm dúvidas sobre as vantagens e a segurança de apostar neste modelo, uma visita a Nova Petrópolis pode ser esclarecedora.