Aprosoja-MT quer plantio de soja em fevereiro, fora do calendário do Indea

“A Instrução Normativa 02/2015 foi instituída sem embasamento de pesquisas que justificassem sua criação. Desde então, sempre viemos contestando isso, pois nunca validaram a experiência do produtor no campo. Então, a orientação da Aprosoja-MT é para os produtores que querem produzir sua própria semente, descumpram a normativa vigente no estado!”

A declaração polêmica foi dada nesta segunda-feira, dia 17,  pelo presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT). Em entrevista exclusiva ao Mercado e Companhia, Antônio Galvan destacou os argumentos que levaram a entidade a decidir “peitar” a discussão sobre o assunto, batendo de frente com o calendário de cultivo atualmente em vigor no estado. Por este calendário, o plantio de soja não pode ser feito após o dia 31 de dezembro.

Em vigor desde 2015, a normativa do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) que regulamenta a calendarização do plantio, estaria prejudicando os agricultores que desejam produzir suas próprias sementes, segundo a Aprosoja-MT, que também afirma que o cumprimento de tal calendário estaria aumentando os riscos de instalação e propagação da ferrugem asiática – bem como ampliando as chances de perda acelerada da eficiência dos fungicidas usados para combatê-la. Na avaliação da entidade, o mês de fevereiro é o ideal para o cultivo das “sementes salvas”.

De acordo com Galvan, numa pesquisa realizada em meados de setembro pela própria Aprosoja, 80% dos 499 produtores rurais entrevistados, concordaram com a mudança da calendarização do plantio para a primeira quinzena de fevereiro. Na semana passada, em assembleia extraordinária, o assunto voltou a ser discutido e grande maioria dos presentes concordou que a janela ideal para o plantio seja em fevereiro.  

Segundo o consultor técnico da Aprosoja-MT, Wanderlei Dias Guerra, o cultivo em fevereiro é mais vantajoso e seguro tecnicamente porque, neste período, há menos precipitações e um menor período de “molhamento foliar”. Com isso, as plantas tendem a crescer menos e as ruas ficam mais abertas, possibilitando melhor penetração dos fungicidas. Já em dezembro, por ser um mês bastante chuvoso, as plantas crescem mais, o que dificulta e até impossibilita o fungicida de penetrar na planta.

Guerra afirma ainda que as lavouras semeadas na segunda quinzena de dezembro precisam de até “10 ou mais” aplicações de fungicidas, enquanto aquelas cultivadas em fevereiro poderiam “sobreviver” à pressão da ferrugem com um número muito menor de pulverizações.

Considerada uma das doenças de maior gravidade para a sojicultura, a ferrugem asiática  é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e, desde que foi identificada no Brasil (safra 2000/2001) tem sido alvo de diversos estudos para conhecer e combater o fungo. Para reduzir a sobrevivência da doença foi criado o vazio sanitário da soja (período de 90 dias, em que não pode haver plantas vivas da oleaginosa cultivadas ou guaxas nas lavouras). Aliás, no documento em que defende o cultivo em fevereiro, a Aprosoja-MT deixa claro que permanece contrária ao plantio de soja sobre soja (soja safrinha) e que, o vazio sanitário “é sagrado” e precisa continuar sendo respeitado.


Confira na íntegra a recomendação da Aprosoja-MT sobre a normativa:

Nota de esclarecimento do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT):

 

2 respostas para “Aprosoja-MT quer plantio de soja em fevereiro, fora do calendário do Indea”

  1. Cabernet Rutini disse:

    Esse era meu medo: IMBECIS DAS CAMIONETES COMEÇASSEM A QUERER COMANDAR O BRASIL. CIÊNCIA NELLES!

  2. […] – A polêmica sobre o pedido do não cumprimento da normativa vigente no estado, feita pela Aprosoja-MT, vem causando grande comoção no setor. A entidade alega que Instrução […]

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