Saiba como evitar erros na hora de produzir peixes de água doce em tanques escavados

Em Mato Grosso, quarto maior produtor de peixes do Brasil, o uso de tanques escavados na atividade é “quase” uma hegemonia. Nada menos que 98% dos pescados são criados “nesses ambientes”. Mas você conhece as condições necessárias para iniciar com segurança e qualidade este cultivo?

O engenheiro de pesca e instrutor credenciado do Senar-MT, Jailson Baumgartner, explica que alguns passos são fundamentais como: encontrar o local ideal para iniciar a escavação do tanque, ter acompanhamento técnico constante e, claro, seguir o que manda a legislação.

A construção e preparação dos tanques envolve um processo que vai desde a escavação, limpeza, calcareamento e adubação até a marcação do terreno. Caso o tanque já tenha sido utilizado anteriormente, além dos passos citados, o produtor deve realizar o escoamento do tanque, seguir um período de vazio sanitário e fazer a calagem – que tem como objetivo equilibrar o Ph e a alcalinidade do solo e da água, além de eliminar organismo e doenças indesejáveis. Entre os tipos de tanques mais utilizados estão aqueles feitos em locais secos com captação superficial de água, em locais úmidos com captação subsuperficial de água, e os tanques com lona.

Outro fator de extrema importância durante o processo de preparação dos tanques é avaliar minuciosamente as características físicas e químicas da água. Afinal, sob “condições ideais” o crescimento e a sobrevivência dos peixes são favorecidos. A temperatura da água, por exemplo deve estar entre 25ºC a 30ºC. Ela desempenha papel fundamental na alimentação, respiração e reprodução dos peixes. O pH da da água deve estar entre 6 a 7,5. A medida expressa se a água é ácida ou alcalina. O produtor também deve analisar o oxigênio dissolvido, que deve  estar acima de 3 mg/L. O oxigênio é consumido pelos animais, vegetais e também pelo processo de decomposição da matéria orgânica.

O engenheiro de pesca recomenda que antes mesmo da introdução dos alevinos no tanque sejam adotados alguns cuidados com o transporte e soltura desses animais. Por serem peixes que acabaram de deixar a fase da larva, eles necessitam cuidados especiais e acompanhamentos constantes. Caso o transporte seja feito em sacolas plásticas, na hora de introduzir o alevino no tanque, é necessário colocar as sacolas ainda lacradas para boiar na água, e introduzir, aos poucos a água do  tanque durante algum tempo, para que a temperatura da água contida na embalagem se aproxime da temperatura da água e do ph do tanque, evitando assim que os alevinos sofram um choque térmico. Mas se o transporte for feito em caixas, o produtor deve inserir, de forma dosada, uma pouco da água do tanque no recipiente que o alevino esta. O processo, lentamente irá renovar a água das caixas, evitando o “choque.”

Além disso, o produtor precisa ter atenção especial com relação ao manejo nutricional, e sempre fornecer ração de qualidade, aminoácidos, prebioticos e probióticos. No Bom Dia Senar-MT, desta quarta-feira (06), Jailson lembra que todos esses fatores devem ser levados em consideração, para que o produto ofertado seja de qualidade.

Abaixo, estão algumas das principais  duvidas sobre o assunto, confira:

1-Tenho uma propriedade pequena com 10 tanques, com área total de 10.000 m². Caso aumente a profundidade dos tanques, poderei aumentar a número de peixes?

R. Não, pois os peixes ocupam os espaços dentro de profundidades mais baixas devido a disponibilidade de oxigênio e temperatura de água. Sendo assim calculado a quantidade de peixes em m². Para aumentar a quantidade de peixes, poderá ser empregado o uso de aeradores.

2-Quando os tanques já estão com peixes em cultivo posso por calcário, adubo e cal nestes?

R. Se houver necessidade, sim. Porém sempre deve ser realizado as medições dos parâmetros em que a água se encontra e de preferencia, consultar um técnico para determinar as quantidades que poderão ser aplicadas. Tendo muito cuidado com o manuseio e quantidade. Caso necessite, sempre realizar a aplicação de cal virgem.

3-Tenho um tanque com 1000 peixes, como poderei realizar a biometria desses?

R. Os peixes podem ser capturados com tarrafa ou de preferencia rede. E utilizar em torno de 3% a 10% do numero total de peixes no tanque. Sendo assim deverão ser pesados de 30 à 100 peixes aleatoriamente, onde serão pesados e poderão ser medidos, e então desconsideramos o maior e o menor peso. Após isso, deve ser somado os demais pesos obtendo a média de peso do tanque. E assim, será possível calcular a quantidade de ração fornecida no tanque por dia.

4- Qual a quantidade de ração que devo fornecer a 1000 peixes? 

R. Isso irá depender do peso e a fase dos peixes. Por exemplo: Se estivermos trabalhando com peixes jovens com média de peso de 110 gramas (por peixe), o peso total do tanque será de 110kg. Então nesta fase, os animais estão se alimentando em torno de 3% a 6% do peso total. Assim se utilizarmos 4% do peso total para fornecer a ração, o calculo deve ser os seguinte: (Peso Total) x (% de ração fornecida) = 110kg x 4% = 4,4kg/dia.

5-Os peixes dos tanques ficaram pretos, qual a causa disso e o que fazer para resolver? 

R. Isso ocorre quando a água está muito transparente, então devido aos raios solares, o peixe acaba aumentando a melanina para a proteção da pele, o que pode ocorrer com peixes de escamas e de couro. Para resolver o problema, será necessário corrigir a transparência para níveis adequados de preferencia acima de 30 cm e obrigatoriamente abaixo de 60 cm .

Saiba como otimizar os custos com a produção de peixes, com o engenheiro de pesca e instrutor credenciado do Senar-MT, Jailson Baumgartner, no Senar-MT Responde: 

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