Parecis SuperAgro: Dúvidas sobre o futuro do crédito agrícola geram preocupação entre os produtores rurais

Quem visita o parque de exposições Odenir Ortolan, em Campo Novo do Parecis, logo percebe que os expositores vieram dispostos a fazer negócios. De insumos à grandes máquinas agrícolas, são várias as revendas que prepararam condições especiais para conquistar o cliente e garantir a realização da venda. A estratégia é muito usada nas principais feiras agrícolas do país, mas ganhou uma relevância maior no fim deste primeiro semestre. O motivo? A cautela de muitos produtores diante das incertezas quanto ao futuro do crédito rural no Brasil.

A preocupação é com o custo do dinheiro do próximo plano safra, que possivelmente irá apresentar elevação nas taxas de juros, conforme indicam os direcionamentos da equipe econômica do Governo Federal. Somado a isso, a rentabilidade abaixo da esperada em muitas fazendas, em decorrência da queda de produtividade e do preço da soja

Agricultora e diretora do Sindicato Rural de Campo Novo do Parecis, Giovana Velke confirma o momento apreensivo enfrentado pelo setor e alerta : “a falta do custeio controlado pode descapitalizar ainda mais o agricultor, que já quase não tem recursos para se preparar para a próxima safra”. Ela reforça que o impacto do eventual encarecimento do crédito será grande. “O agricultor está sendo pressionado a vender neste momento sua soja, no preço que está, para poder fazer a safra 2019/20 e isso está ‘enforcando’ o produtor’’, desabafa Giovana.

Apesar das incertezas quanto o possível encarecimento do plano safra, o setor de máquinas agrícolas ainda não sentiu mudanças no ritmo das vendas… que aliás, estão melhores que no ano passado. De acordo com a Anfavea (Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores), no primeiro trimestre deste ano as vendas de máquinas agrícolas em todo o país saltaram 23,5% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Na avaliação de Marco Miranda, que é diretor comercial da Áster Máquinas (uma das revendedoras John Deere em Mato Grosso), a procura elevada é um reflexo da necessidade que o produtor rural tem de investir na modernização do parque de máquinas, que hoje se tornaram ferramentas essenciais para garantir uma boa gestão do negócio. Essa “necessidade”, muitas vezes acaba falando mais alto – inclusive – do que um eventual aumento das taxas de juros das linhas oficias (Moderfrota). “Se ele tiver um subsídio do governo, melhor. Mas nós sentimos que o produtor precisa desse investimento. O ano está bastante aquecido, com uma demanda forte por tecnologia, por produtos que garantam essa certeza de conseguir produzir e ter uma produtividade elevada em sua propriedade rural’’, comenta.

Mesmo que o Governo eleve as taxas de juros, o Marco acredita que o Moderfrota (linha voltada para financiamento da compra de máquinas e implementos agrícolas) tende a ser mantido com volumes de recursos e taxas compatíveis com a realidade do mercado. “Uma mudança brusca nesta taxa de juros, ou no aporte do Moderfrota, seria a paralisação da indústria de mecanização e todas as suas consequências, aumentando o desemprego no país (…) e, principalmente a diminuição da produção agrícola, que é o grande impulsionador da balança comercial brasileira’’, analisa.

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