Fazenda que teve animal com vaca louca atípica em MT seguirá em quarentena

Foi com alívio que o setor da pecuária recebeu a confirmação de que o caso de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) identificado em uma vaca no norte de Mato Grosso é atípico. O resultado, divulgado pelo Ministério da Agricultura na última sexta-feira, dia 31, manteve o Brasil com status de “risco insignificante” para o “mal da vaca louca”, como a doença é conhecida, condição essencial para evitar que os países que importam nossa carne bovina venham a barrar as compras do nosso produto por questões sanitárias.

Para a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), além de “recuperar a tranquilidade”, os pecuaristas também esperam que a manutenção do status brasileiro seja suficiente para evitar “reflexos negativos” no mercado da carne bovina. Diretora-executiva da Acrimat, Daniella Bueno reforça que uma eventual retaliação e/ou desvalorização da arroba “não se justificariam, já que nenhum mercado vai ter algo consistente para sustentar uma eventual suspensão às nossas exportações”.

Ainda na sexta-feira, quando foi confirmado o caso da doença no estado, o Brasil notificou oficialmente à Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) e os países importadores, conforme preveem as normas internacionais. Aliás, desde a identificação de que o animal apresentava suspeitas da doença, o procedimento adotado pelos órgãos de defesa sanitária animal seguiu à risca todo o protocolo internacional para casos deste tipo. De acordo com Alison Cericatto, que é diretor técnico do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (INDEA/MT), a fêmea “doente” tinha de 17 anos de idade e foi encaminhada ao abate de emergência por apresentar prostração quando chegou ao frigorífico.

Em situações assim, é preciso coletar amostras do tronco cerebral para a realização de análises, que foram feitas em laboratório referência do Ministério da Agricultura com sede em Pernambuco. Como os exames indicaram a existência de “EEB”, o material foi encaminhado para um laboratório no Canadá, credenciado à Organização Mundial de Saúde Animal,  que posteriormente confirmou que se tratava de um caso atípico. Além da idade avançada do animal, vale destacar que as investigações comprovaram que não havia nenhum indício de que a vaca – e o restante do rebanho da fazenda – tenham sido alimentados com algum produto de origem animal, como farinha de osso, por exemplo.

O diretor-técnico explica ainda que logo após a identificação da suspeita da EEB, a propriedade foi imediatamente interditada pelo Indea. A fazenda fica em Nova Canaã do Norte e possui cerca de 20 mil cabeças de gado. Com a confirmação da OIE de que se trata de um caso atípico, a propriedade poderá voltar a comercializar e a movimentar animais com até 36 meses de idade. Porém, seguirá sob monitoramento do Indea e permanecerá impedida de movimentar (para abate ou venda) animais com mais de 3 anos de idade. Segundo Cericatto, essa restrição também faz parte do protocolo sanitário para casos assim e deve ser mantida até que o Ministério da Agricultura suspenda a medida, o que – na avaliação dele – não deve demorar a acontecer, já que se trata de um caso atípico.

Ainda segundo o diretor-técnico do Indea, a ação rápida dos órgãos de defesa sanitária foi de extrema importância para evitar impactos negativos ao setor.


Em mais de 20 anos de vigilância para a doença, o Brasil registrou somente três casos de EEB atípica e nenhum caso de EEB clássica.

Uma resposta para “Fazenda que teve animal com vaca louca atípica em MT seguirá em quarentena”

  1. Isaulino Martins disse:

    Tenho interesse em saber como corrigir de forma natural o controle do carrapato.

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