Mercado espreme as margens da safra 19/20! E agora?!

Não há dúvidas de que no ano de 2019 promete margens apertadas e 2020 ainda é uma incógnita para preços de soja e milho no Brasil! Produtores brasileiros estão se questionando por qual motivo os preços de soja e milho não estão subindo com mais força no Brasil em virtude dos problemas climáticos nos Estados…

13 de junho de 2019 às 16h35

Não há dúvidas de que no ano de 2019 promete margens apertadas e 2020 ainda é uma incógnita para preços de soja e milho no Brasil!

Produtores brasileiros estão se questionando por qual motivo os preços de soja e milho não estão subindo com mais força no Brasil em virtude dos problemas climáticos nos Estados Unidos.

 

O primeiro ponto é que o mercado tem dificuldades de subir por conta da fraca demanda e as altas vistas são exclusivamente devido às perdas que a safra americana terá. A última alta de preços no fim de maio e início de junho, foi causado pelo atraso no plantio da safra dos EUA, e impactou principalmente o milho, já que a janela de plantio de soja ainda vai até o fim de junho. As fortes chuvas obrigaram os fundos a venderem suas enormes posições vendidas (apostando na baixa dos preços). Assim que ficou claro que o clima melhoraria em junho, a soja-julho caiu de $8,93/bushel na CBOT para $ 8,54 na semana passada, e o milho-julho caiu de $ 4,35/bushel para $4,12.

 

Já nesta semana, dois novos fatos ajudaram as cotações a subirem de maneira forte:

 

  1. O USDA surpreendeu e reduziu a área plantada e as produtividades de milho em níveis superiores aos esperados pelo mercado. Com isso, as cotações subiram e retomaram o patamar de U$$4,39/bushel no contrato para Julho/19.
  2. Os mapas climáticos voltaram a mostrar fortes chuvas no Meio Oeste americano, o que colaborou para as altas nas cotações de soja (já que o plantio será prejudicado), voltando a operar acima de US$8,80/bushel no contrato para Julho/19.

 

Para o mercado brasileiro, vale lembrar que os prêmios de exportação também não atingiram o patamar de uS$$2,20/bushel do ano passado, o que não deve ocorrer devido à menor demanda da China. O cenário no Brasil seria bem pior se o câmbio estivesse na região de R$ 3,50, o que até já era esperado por parte do mercado em função da vitória do presidente Jair Bolsonaro.

 

Importações China e Produção Mundial

 

Outro fator importante que tem pesado no mercado é o excesso de oferta e crescimento lento da demanda. A China importou 7.36 milhões de toneladas de soja no mês de maio, 24% abaixo do ano passado e o menor valor para maio desde 2015. Isso é uma combinação entre gripe suína e tarifas americanas no âmbito da Guerra Comercial. No acumulado do ano (Janeiro-Maio) o total importado é 12% inferior ao ano passado.

 

Neste ano, estima-se que o Brasil deva exportar 69-70 milhões de toneladas de soja, bem abaixo dos 84 milhões de toneladas do ano passado. Com a produção levemente menor e demanda interna mantida, teremos estoques novamente enxutos, abrindo disputa entre as indústrias locais e os exportadores, o que será positivo aos preços. Com a demanda chinesa (mesmo menor) focada por aqui em função da Guerra Comercial, os efeitos de Chicago se amenizam com os prêmios aquecidos, dando maior importância ao câmbio.

 

Hoje, para o mercado da soja e milho disparar em Chicago, será necessário que o clima continue desfavorável, ou que seja feito um acordo entre EUA e China na Guerra Comercial. Sem um choque de demanda ou uma perda considerável de produção, a tendência é que os estoques elevados impeçam altas sustentadas nos preços. A produção mundial de soja neste ano deve superar 350 milhões de toneladas e com os estoques vigentes, o total de oferta deve chegar próximo a 475 milhões de toneladas!

 

Para o milho no Brasil, a demanda é um fator bastante positivo neste momento, com preços sustentados devido à forte demanda de exportação. Neste ano comercial (de março até agora), o Brasil já exportou 695% mais milho se comparado ao mesmo período do ano passado, e os preços do cereal brasileiro estão competitivos no mercado mundial, puxados pelo Real desvalorizado. O país deve superar a estimativa de 32 milhões de toneladas feita pelo USDA em maio e exportar algo próximo a 36-37 milhões de toneladas.

Mercado espreme as margens da safra 19/20! E agora?!

Não há dúvidas de que no ano de 2019 promete margens apertadas e 2020 ainda é uma incógnita para preços de soja e milho no Brasil! Produtores brasileiros estão se questionando por qual motivo os preços de soja e milho não estão subindo com mais força no Brasil em virtude dos problemas climáticos nos Estados…

13 de junho de 2019 às 16h35

Não há dúvidas de que no ano de 2019 promete margens apertadas e 2020 ainda é uma incógnita para preços de soja e milho no Brasil!

Produtores brasileiros estão se questionando por qual motivo os preços de soja e milho não estão subindo com mais força no Brasil em virtude dos problemas climáticos nos Estados Unidos.

 

O primeiro ponto é que o mercado tem dificuldades de subir por conta da fraca demanda e as altas vistas são exclusivamente devido às perdas que a safra americana terá. A última alta de preços no fim de maio e início de junho, foi causado pelo atraso no plantio da safra dos EUA, e impactou principalmente o milho, já que a janela de plantio de soja ainda vai até o fim de junho. As fortes chuvas obrigaram os fundos a venderem suas enormes posições vendidas (apostando na baixa dos preços). Assim que ficou claro que o clima melhoraria em junho, a soja-julho caiu de $8,93/bushel na CBOT para $ 8,54 na semana passada, e o milho-julho caiu de $ 4,35/bushel para $4,12.

 

Já nesta semana, dois novos fatos ajudaram as cotações a subirem de maneira forte:

 

  1. O USDA surpreendeu e reduziu a área plantada e as produtividades de milho em níveis superiores aos esperados pelo mercado. Com isso, as cotações subiram e retomaram o patamar de U$$4,39/bushel no contrato para Julho/19.
  2. Os mapas climáticos voltaram a mostrar fortes chuvas no Meio Oeste americano, o que colaborou para as altas nas cotações de soja (já que o plantio será prejudicado), voltando a operar acima de US$8,80/bushel no contrato para Julho/19.

 

Para o mercado brasileiro, vale lembrar que os prêmios de exportação também não atingiram o patamar de uS$$2,20/bushel do ano passado, o que não deve ocorrer devido à menor demanda da China. O cenário no Brasil seria bem pior se o câmbio estivesse na região de R$ 3,50, o que até já era esperado por parte do mercado em função da vitória do presidente Jair Bolsonaro.

 

Importações China e Produção Mundial

 

Outro fator importante que tem pesado no mercado é o excesso de oferta e crescimento lento da demanda. A China importou 7.36 milhões de toneladas de soja no mês de maio, 24% abaixo do ano passado e o menor valor para maio desde 2015. Isso é uma combinação entre gripe suína e tarifas americanas no âmbito da Guerra Comercial. No acumulado do ano (Janeiro-Maio) o total importado é 12% inferior ao ano passado.

 

Neste ano, estima-se que o Brasil deva exportar 69-70 milhões de toneladas de soja, bem abaixo dos 84 milhões de toneladas do ano passado. Com a produção levemente menor e demanda interna mantida, teremos estoques novamente enxutos, abrindo disputa entre as indústrias locais e os exportadores, o que será positivo aos preços. Com a demanda chinesa (mesmo menor) focada por aqui em função da Guerra Comercial, os efeitos de Chicago se amenizam com os prêmios aquecidos, dando maior importância ao câmbio.

 

Hoje, para o mercado da soja e milho disparar em Chicago, será necessário que o clima continue desfavorável, ou que seja feito um acordo entre EUA e China na Guerra Comercial. Sem um choque de demanda ou uma perda considerável de produção, a tendência é que os estoques elevados impeçam altas sustentadas nos preços. A produção mundial de soja neste ano deve superar 350 milhões de toneladas e com os estoques vigentes, o total de oferta deve chegar próximo a 475 milhões de toneladas!

 

Para o milho no Brasil, a demanda é um fator bastante positivo neste momento, com preços sustentados devido à forte demanda de exportação. Neste ano comercial (de março até agora), o Brasil já exportou 695% mais milho se comparado ao mesmo período do ano passado, e os preços do cereal brasileiro estão competitivos no mercado mundial, puxados pelo Real desvalorizado. O país deve superar a estimativa de 32 milhões de toneladas feita pelo USDA em maio e exportar algo próximo a 36-37 milhões de toneladas.