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Política de Impostos na Argentina e Cotação do Peso

Com a mudança de governo na Argentina, qual o impacto de uma possível alta nos impostos de exportação e por qual motivo as margens devem continuar elevadas. A eleição de um novo governo de esquerda na Argentina, capitaneado pelo presidente Alberto Fernández, sinaliza uma alternância político-ideológica naquele país, logo após 4 anos do liberal Maurício…

06 de novembro de 2019 às 13h45

Com a mudança de governo na Argentina, qual o impacto de uma possível alta nos impostos de exportação e por qual motivo as margens devem continuar elevadas.

A eleição de um novo governo de esquerda na Argentina, capitaneado pelo presidente Alberto Fernández, sinaliza uma alternância político-ideológica naquele país, logo após 4 anos do liberal Maurício Macri. Agora, além de mudanças já esperadas em políticas públicas, o setor produtivo continua esperando mais notícias sobre aumento das taxas de exportação de soja, milho e trigo, retiradas em 2015 pelo então presidente Macri.

Com as dificuldades de caixa enfretadas pelos hermanos, especuladores já começam a apostar que o governo vai precisar aumentar a arrecadação. Em resumo, qualquer alta nos impostos de exportação significará menos dinheiro para o produtor, ou pelo menos, margens menores. Antes porém, vamos analisar o que aconteceu com a Argentina após a retirada dos impostos 4 anos atrás. Não há dúvidas de que a retirada de impostos de exportação para milho e trigo e a redução percentual na soja foram fundamentais para a expansão do setor desde 2015. Veja no gráfico abaixo como a área colhida apresenta crescimento consecutivo. Desde a decisão dos cortes de impostos em 2015, a área total colhida argentina cresceu 11%. Agora vem a parte interessante: a área colhida de soja caiu 1.9 mil hectares, enquanto a área de milho e trigo subiu 4.8 mil hectares A redução quase total de impostos de exportação para grãos teve um impacto importante no sentimento do produtor (e também na sua escolha de qual cultura semear). A pergunta que fica aqui é: essa expansão de área, e consequente aumento de oferta no mercado, vai continuar em 2020?

A ARC Mercosul acredita que as tarifas de exportação no milho e trigo devem subir para 9% e 11%, respectivamente. Qualquer aumento neste tributo vai impactar diretamente na competitividade dos grãos argentinos no mercado internacional.

O custo do aumento das ofertas será repassado ao fazendeiro, que verá sua margem cair e poderá se sentir desestimulado a expandir sua área plantada. Ainda assim, desde 2015, o peso argentino caiu 84%. Este fato, e não os impostos de exportação, tem sido a força por trás do aumento da área plantada na Argentina. O gráfico abaixo mostra os preços de milho na Argentina conforme dados oficiais da Bolsa de Rosário. O novo governo ainda não anunciou altas, mas os preços atuais de milho na Argentina ainda são rentáveis, oferecendo incentivos para aumento de área de 14-15 milhões de acres no total. Mesmo que os impostos subam, um corte de 10% nos preços de milho os deixariam no mesmo patamar de março-abril de 2019.

A Argentina ainda é o país mais barato do planeta para se produzir milho. O gráfico abaixo mostra a média de custos (R$/saca) de produção nos principais países desde 2013. A ARC Mercosul não acredita que os custos devem mudar de maneira significativa deste ano para o ano que vem. A mensagem aqui é: produzir milho na Argentina continuará sendo lucrativo. A expansão deve reduzir o ritmo, especialmente sem previsibilidade do governo dizendo o que fará com os impostos nos próximos 4 anos. A menos que o governo limite exportações, a tendência da América do Sul continuar produzindo mais e abocanhando uma fatia maior do mercado mundial vai se manter.

Vale lembrar que a produção argentina cresceu também na década de 2000 na Argentina, sob domínio dos Kirchner, de esquerda. No fim das contas, a decisão de plantar ou não é uma questão de preços e margens!

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Política de Impostos na Argentina e Cotação do Peso

Com a mudança de governo na Argentina, qual o impacto de uma possível alta nos impostos de exportação e por qual motivo as margens devem continuar elevadas. A eleição de um novo governo de esquerda na Argentina, capitaneado pelo presidente Alberto Fernández, sinaliza uma alternância político-ideológica naquele país, logo após 4 anos do liberal Maurício…

06 de novembro de 2019 às 13h45

Com a mudança de governo na Argentina, qual o impacto de uma possível alta nos impostos de exportação e por qual motivo as margens devem continuar elevadas.

A eleição de um novo governo de esquerda na Argentina, capitaneado pelo presidente Alberto Fernández, sinaliza uma alternância político-ideológica naquele país, logo após 4 anos do liberal Maurício Macri. Agora, além de mudanças já esperadas em políticas públicas, o setor produtivo continua esperando mais notícias sobre aumento das taxas de exportação de soja, milho e trigo, retiradas em 2015 pelo então presidente Macri.

Com as dificuldades de caixa enfretadas pelos hermanos, especuladores já começam a apostar que o governo vai precisar aumentar a arrecadação. Em resumo, qualquer alta nos impostos de exportação significará menos dinheiro para o produtor, ou pelo menos, margens menores. Antes porém, vamos analisar o que aconteceu com a Argentina após a retirada dos impostos 4 anos atrás. Não há dúvidas de que a retirada de impostos de exportação para milho e trigo e a redução percentual na soja foram fundamentais para a expansão do setor desde 2015. Veja no gráfico abaixo como a área colhida apresenta crescimento consecutivo. Desde a decisão dos cortes de impostos em 2015, a área total colhida argentina cresceu 11%. Agora vem a parte interessante: a área colhida de soja caiu 1.9 mil hectares, enquanto a área de milho e trigo subiu 4.8 mil hectares A redução quase total de impostos de exportação para grãos teve um impacto importante no sentimento do produtor (e também na sua escolha de qual cultura semear). A pergunta que fica aqui é: essa expansão de área, e consequente aumento de oferta no mercado, vai continuar em 2020?

A ARC Mercosul acredita que as tarifas de exportação no milho e trigo devem subir para 9% e 11%, respectivamente. Qualquer aumento neste tributo vai impactar diretamente na competitividade dos grãos argentinos no mercado internacional.

O custo do aumento das ofertas será repassado ao fazendeiro, que verá sua margem cair e poderá se sentir desestimulado a expandir sua área plantada. Ainda assim, desde 2015, o peso argentino caiu 84%. Este fato, e não os impostos de exportação, tem sido a força por trás do aumento da área plantada na Argentina. O gráfico abaixo mostra os preços de milho na Argentina conforme dados oficiais da Bolsa de Rosário. O novo governo ainda não anunciou altas, mas os preços atuais de milho na Argentina ainda são rentáveis, oferecendo incentivos para aumento de área de 14-15 milhões de acres no total. Mesmo que os impostos subam, um corte de 10% nos preços de milho os deixariam no mesmo patamar de março-abril de 2019.

A Argentina ainda é o país mais barato do planeta para se produzir milho. O gráfico abaixo mostra a média de custos (R$/saca) de produção nos principais países desde 2013. A ARC Mercosul não acredita que os custos devem mudar de maneira significativa deste ano para o ano que vem. A mensagem aqui é: produzir milho na Argentina continuará sendo lucrativo. A expansão deve reduzir o ritmo, especialmente sem previsibilidade do governo dizendo o que fará com os impostos nos próximos 4 anos. A menos que o governo limite exportações, a tendência da América do Sul continuar produzindo mais e abocanhando uma fatia maior do mercado mundial vai se manter.

Vale lembrar que a produção argentina cresceu também na década de 2000 na Argentina, sob domínio dos Kirchner, de esquerda. No fim das contas, a decisão de plantar ou não é uma questão de preços e margens!