Lavouras no verão e pastagens no inverno no Sul do Brasil

Alvadi Antonio Balbinot Junior
Pesquisador da Embrapa Soja

Na Região Sul do Brasil existem várias culturas aptas ao cultivo na primavera/verão, ao passo que, no outono/inverno, há carência de alternativas economicamente viáveis para uso do solo. Na safra 2017/18, a área cultivada com soja, milho primeira safra e arroz irrigado somou, aproximadamente, 14,5 milhões de hectares nessa região, enquanto que a área cultivada com trigo e milho segunda safra não passou de 4,5 milhões de hectares. Com isso, mais de 10 milhões de hectares não foram utilizados para a produção de grãos no período outono/inverno.

Sabe-se, no entanto, que parte dessa área foi utilizada com culturas de cobertura do solo, principalmente aveia preta e azevém. Outra parte foi cultivada com pastagens anuais de inverno, visando à produção de carne e/ou leite entre os meses de abril e setembro. Por fim, parte da área foi mantida em pousio, gerando sérios problemas com infestação de plantas daninhas, erosão do solo, baixa fixação de carbono, reduzida ciclagem de nutrientes e, consequentemente, redução da qualidade do solo e da produtividade das culturas utilizadas em sucessão. Portanto, há grande potencial de aumento de áreas com pastagens anuais de inverno no sul do Brasil combinadas, especialmente, com lavouras de soja e milho primeira safra em sistema de integração lavoura-pecuária.

Enfatiza-se que há disponibilidade de várias espécies de pastagens anuais de inverno adaptadas às condições edafoclimáticas do Sul do Brasil, como aveia preta, aveia branca, centeio, azevém e ervilhacas. Essas espécies apresentam grande potencial para a produção animal, em função da boa produtividade e ótima qualidade. Além disso, fornecem alimento aos animais no período de maior escassez de forragem nos campos naturais e de pastagens perenes de verão, contribuindo para a adequada disponibilidade de alimento aos animas durante o ano.

Nesse cenário, é preciso considerar os bons fundamentos de mercado e a solidez das cadeias produtivas de carne bovina e de leite, o que pode contribuir para a expansão da produção. Outro ponto relevante é o adequado aporte de informações geradas pela pesquisa nas últimas duas décadas sobre manejo da pastagem, dos animais e das culturas de grãos no sistema de integração lavoura-pecuária.

Por outro lado, o uso dessa integração requer adequações das propriedades rurais, bem como maior aporte de conhecimento técnico e de gestão da propriedade, já que o sistema de produção é mais diversificado e complexo em relação a sistemas não integrados. Uma saída para contornar essa limitação é a parceria do agricultor com o pecuarista, o que já é bastante comum no sul do país. Com isso, pode-se alcançar a sinergia entre as pastagens e as lavouras de grãos sem a necessidade do agricultor se especializar na pecuária ou sem o pecuarista precisar se especializar na agricultura.

 

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