Integração da soja com pastagens em solos arenosos e clima quente

Alvadi Antonio Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja

No Brasil, há vasta disponibilidade de áreas com baixos teores de argila – inferiores a 20% – e altos teores de areia. Essa condição de textura determina baixa capacidade de retenção de água, carbono orgânico e nutrientes e alta suscetibilidade à erosão. Aliado a isso, em geral, as áreas arenosas onde ocorre a expansão da soja se encontram em regiões quentes, com alta evapotranspiração. Assim, há convergência de dois fatores negativos ao cultivo da soja: o solo retém pouca água e o consumo desse recurso é alto. Em relação à matéria orgânica, é o mesmo raciocínio, pois há necessidade de acumular material orgânico no solo para melhorar a sua estrutura e aumentar a capacidade de troca de cátions (poupança de nutrientes) e a retenção de água, mas o ambiente é quente, o que acelera a decomposição da matéria orgânica. Isso impõe um grande desafio ao manejo do sistema de produção nessas áreas para permitir o cultivo da soja com viabilidade econômica.

Fazenda no noroeste do Paraná adota ILP Imagem: Décio de Assis

Uma das estratégias para inserir a soja em clima tropical e solos arenosos é a integração da cultura com pastagens, especialmente formadas por espécies de braquiária. Um dos modelos de integração utilizado nessa circunstância é o apresentado na Figura 1. Nesse modelo, metade da área total cultivada é ocupada com pastagens na primavera/verão e, no outono/inverno – época de menor produção forrageira – toda a área cultivada é ocupada com pastagens. A inserção da soja após a manutenção da pastagem perene por dois anos se justifica em razão da perda de produtividade de forragem após o segundo ano. Por sua vez, a implantação de pastagem perene após duas safras de soja se justifica pela redução da qualidade física do solo após o segundo ano de cultivo da oleaginosa.

Entre duas safras de soja, a área é cultivada com braquiária ruziziensis ou braquiária brizanta. No outono/inverno, a produção das pastagens cultivadas após a soja garante o fornecimento de forragem aos animais, uma vez que a pastagem é nova e apresenta elevada taxa de acúmulo de fitomassa, em razão do aproveitamento de nutrientes que restaram da soja. Com o modelo utilizado, há menores variações de produção forrageira entre as estações do ano, reduzindo o uso de forragem conservada na forma de silagem ou feno.

Esse modelo de produção vem demonstrando viabilidade operacional e econômica, por isso vem sendo muito difundido. Além disso, apresenta várias vantagens ambientais, como redução de erosão e manutenção ou melhoria da qualidade do solo.

Figura 1. Modelo de integração lavoura-pecuária para clima tropical e solos arenosos. Fonte: Franchini et al. (2016).