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Índice de área foliar ótimo na cultura da soja

Alvadi Antônio Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja Para atingir altas produtividades de soja – acima de 5 t/ha – as plantas precisam ter alta eficiência em interceptar a radiação solar, em converter a radiação interceptada em biomassa via fotossíntese e, por fim, ter alta partição da biomassa nos grãos. Uma variável que pode influenciar…

21 de novembro de 2018 às 09h21

Alvadi Antônio Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja

Para atingir altas produtividades de soja – acima de 5 t/ha – as plantas precisam ter alta eficiência em interceptar a radiação solar, em converter a radiação interceptada em biomassa via fotossíntese e, por fim, ter alta partição da biomassa nos grãos. Uma variável que pode influenciar nesses processos é o índice de área foliar (IAF). O IAF é a relação entre a área foliar e a área de solo ocupada pelas plantas. Por exemplo, IAF 5,0 corresponde a 5,0 m2 de folhas em 1 m2 de área. A avaliação do IAF geralmente é realizada por meio da medição da largura e comprimento das folhas ou por equipamentos específicos, de alto custo.

Após a emergência das plantas de soja, o IAF aumenta com o avanço do ciclo de desenvolvimento, até atingir um ponto em que não há mais emissão e/ou expansão de folhas, a partir do qual o IAF reduz em função da morte das folhas. Nas cultivares com tipo de crescimento indeterminado, o IAF máximo geralmente ocorre entre os estádios R3 (início de formação de vagens) até R5.1 (início de formação dos grãos). Nesse período do ciclo, IAF baixo pode limitar o acúmulo de biomassa e a produtividade de grãos, em razão da baixa interceptação de radiação. Por outro lado, IAF excessivamente alto pode reduzir a produtividade pelo aumento de consumo de energia via respiração e fotorrespiração para manter as estruturas vegetativas vivas e pela senescência precoce das folhas. Além disso, o excesso de folhas pode aumentar a proliferação de doenças e insetos-praga, que se beneficiam do microambiente úmido da lavoura e da baixa penetração de fungicidas e inseticidas até o terço inferior das plantas. Essa informação explica porque, em alguns casos, determinado nível de desfolha pode aumentar a produtividade da soja.

Pesquisas recentes têm apontado que o IAF máximo ótimo para maximizar a produtividade em cultivares de soja com tipo de crescimento indeterminado se encontra na faixa de 5,5 a 7,0, variando com a cultivar, manejo empregado e método de determinação. Essa informação é relevante para ajustar as práticas de manejo para cada cultivar e região, tais como época de semeadura, população de plantas, fertilização e controle fitossanitário, visando à obtenção desses níveis de IAF no início do enchimento dos grãos. Na prática, é difícil o produtor fazer a avaliação de IAF, mas pode, juntamente com técnicos, visualizar padrões de IAF baixo, ideal ou muito alto.

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Índice de área foliar ótimo na cultura da soja

Alvadi Antônio Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja Para atingir altas produtividades de soja – acima de 5 t/ha – as plantas precisam ter alta eficiência em interceptar a radiação solar, em converter a radiação interceptada em biomassa via fotossíntese e, por fim, ter alta partição da biomassa nos grãos. Uma variável que pode influenciar…

21 de novembro de 2018 às 09h21

Alvadi Antônio Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja

Para atingir altas produtividades de soja – acima de 5 t/ha – as plantas precisam ter alta eficiência em interceptar a radiação solar, em converter a radiação interceptada em biomassa via fotossíntese e, por fim, ter alta partição da biomassa nos grãos. Uma variável que pode influenciar nesses processos é o índice de área foliar (IAF). O IAF é a relação entre a área foliar e a área de solo ocupada pelas plantas. Por exemplo, IAF 5,0 corresponde a 5,0 m2 de folhas em 1 m2 de área. A avaliação do IAF geralmente é realizada por meio da medição da largura e comprimento das folhas ou por equipamentos específicos, de alto custo.

Após a emergência das plantas de soja, o IAF aumenta com o avanço do ciclo de desenvolvimento, até atingir um ponto em que não há mais emissão e/ou expansão de folhas, a partir do qual o IAF reduz em função da morte das folhas. Nas cultivares com tipo de crescimento indeterminado, o IAF máximo geralmente ocorre entre os estádios R3 (início de formação de vagens) até R5.1 (início de formação dos grãos). Nesse período do ciclo, IAF baixo pode limitar o acúmulo de biomassa e a produtividade de grãos, em razão da baixa interceptação de radiação. Por outro lado, IAF excessivamente alto pode reduzir a produtividade pelo aumento de consumo de energia via respiração e fotorrespiração para manter as estruturas vegetativas vivas e pela senescência precoce das folhas. Além disso, o excesso de folhas pode aumentar a proliferação de doenças e insetos-praga, que se beneficiam do microambiente úmido da lavoura e da baixa penetração de fungicidas e inseticidas até o terço inferior das plantas. Essa informação explica porque, em alguns casos, determinado nível de desfolha pode aumentar a produtividade da soja.

Pesquisas recentes têm apontado que o IAF máximo ótimo para maximizar a produtividade em cultivares de soja com tipo de crescimento indeterminado se encontra na faixa de 5,5 a 7,0, variando com a cultivar, manejo empregado e método de determinação. Essa informação é relevante para ajustar as práticas de manejo para cada cultivar e região, tais como época de semeadura, população de plantas, fertilização e controle fitossanitário, visando à obtenção desses níveis de IAF no início do enchimento dos grãos. Na prática, é difícil o produtor fazer a avaliação de IAF, mas pode, juntamente com técnicos, visualizar padrões de IAF baixo, ideal ou muito alto.