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Soja lidera com folga o agronegócio brasileiro

O Brasil se beneficia do aumento global do consumo de soja e de seus derivados, pois dispõe de muitas áreas aptas e disponíveis para produzir mais soja

31 de janeiro de 2019 às 09h07

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja

As exportações do complexo soja lideram a pauta das exportações do Brasil e nada indica que essa liderança será perdida no curto prazo, visto que a demanda de soja continua aquecida e os preços de mercado são satisfatórios. A área cultivada com a oleaginosa nas principais regiões produtoras do País continua aumentando, um esforço necessário para atender à crescente demanda pelo produto. Proporcionalmente à área cultivada com outros grãos em nível mundial, a de soja tem sido a que mais cresceu no correr das últimas décadas e, mesmo assim, não houve a formação de estoques gigantes, promotores de queda nos preços.

Segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, na safra 2018/19 o Brasil poderá ultrapassar os Estados Unidos (EUA) na produção de soja (117 milhões de toneladas – Mt contra 116,5 Mt) e assumir a liderança global, que, desde os anos 50, pertence aos EUA. A atual safra americana sinaliza com uma queda de 3,5 Mt sobre a safra anterior (120 Mt), em parte porque houve redução da área cultivada (36,22 milhões de hectares – Mha vs. 35,79 Mha) e também, porque se estimou a produtividade da safra – em pleno processo de colheita – como sendo a média dos últimos cinco anos. Poderá ser maior ou menor, assim como a área poderá ser superior ou inferior. Melhor esperar para comemorar o campeonato, embora seja bastante provável que, caso o Brasil não leve o troféu nesta oportunidade, seguramente o fará na próxima.

A produção mundial de soja 2018/19 está estimada em 354,5 Mt, sendo que 81,65% desse total se concentra em três países: Brasil (33%), EUA (32,85% e Argentina (15,8%). Era expectativa dos brasileiros de que, já na safra 2016/17, o Brasil superaria os EUA na produção de soja, dado o quase esgotamento de áreas aptas e disponíveis naquele país, dependendo de trade off entre culturas para aumentar a produção. Essa troca já aconteceu em safras recentes, mas poderá ser ampliada?

Seria compreensível se o produtor brasileiro estiver angustiado com a pressão que a recente sequência de supersafras nos EUA (117 Mt,120Mt e 116,5 Mt) e no Brasil (114 Mt, 117 Mt e 117 Mt), respectivamente, em 2016/17, 2017/18 e 2018/19, poderia exercer sobre as cotações mundiais do produto. Contudo, as cotações do mercado para os produtores brasileiros estão muito satisfatórias, em boa medida por causa do câmbio favorável e da briga China vs EUA. Já a realidade não é tão colorida para os produtores americanos.

Com o espetacular crescimento da economia mundial no correr das últimas décadas (US$ 12 trilhões em 1980 vs. US$ 87 trilhões em 2018), a renda per capita das pessoas também aumentou, particularmente dos cidadãos que habitam os países em desenvolvimento – ainda muito carentes de proteínas animais. Com mais dinheiro no bolso, esses cidadãos passaram a consumir menos carboidratos (grãos) e mais proteína animal (carnes, leite e ovos), que têm no farelo de soja sua principal matéria prima.

Embora o óleo não seja a razão principal para cultivar-se a soja, sua produção está, também, sendo requisitada para consumo doméstico e para biodiesel, indicando que a produção da oleaginosa é duplamente estimulada: como alimento humano e animal e como biocombustível.

O Brasil se beneficia do aumento global do consumo de soja e de seus derivados, pois dispõe de muitas áreas aptas e disponíveis para produzir mais soja, clima favorável para produzir o ano todo, tecnologia para explorar zonas tropicais de baixa latitude e água para irrigar, se compensar.

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Soja lidera com folga o agronegócio brasileiro

O Brasil se beneficia do aumento global do consumo de soja e de seus derivados, pois dispõe de muitas áreas aptas e disponíveis para produzir mais soja

31 de janeiro de 2019 às 09h07

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja

As exportações do complexo soja lideram a pauta das exportações do Brasil e nada indica que essa liderança será perdida no curto prazo, visto que a demanda de soja continua aquecida e os preços de mercado são satisfatórios. A área cultivada com a oleaginosa nas principais regiões produtoras do País continua aumentando, um esforço necessário para atender à crescente demanda pelo produto. Proporcionalmente à área cultivada com outros grãos em nível mundial, a de soja tem sido a que mais cresceu no correr das últimas décadas e, mesmo assim, não houve a formação de estoques gigantes, promotores de queda nos preços.

Segundo estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, na safra 2018/19 o Brasil poderá ultrapassar os Estados Unidos (EUA) na produção de soja (117 milhões de toneladas – Mt contra 116,5 Mt) e assumir a liderança global, que, desde os anos 50, pertence aos EUA. A atual safra americana sinaliza com uma queda de 3,5 Mt sobre a safra anterior (120 Mt), em parte porque houve redução da área cultivada (36,22 milhões de hectares – Mha vs. 35,79 Mha) e também, porque se estimou a produtividade da safra – em pleno processo de colheita – como sendo a média dos últimos cinco anos. Poderá ser maior ou menor, assim como a área poderá ser superior ou inferior. Melhor esperar para comemorar o campeonato, embora seja bastante provável que, caso o Brasil não leve o troféu nesta oportunidade, seguramente o fará na próxima.

A produção mundial de soja 2018/19 está estimada em 354,5 Mt, sendo que 81,65% desse total se concentra em três países: Brasil (33%), EUA (32,85% e Argentina (15,8%). Era expectativa dos brasileiros de que, já na safra 2016/17, o Brasil superaria os EUA na produção de soja, dado o quase esgotamento de áreas aptas e disponíveis naquele país, dependendo de trade off entre culturas para aumentar a produção. Essa troca já aconteceu em safras recentes, mas poderá ser ampliada?

Seria compreensível se o produtor brasileiro estiver angustiado com a pressão que a recente sequência de supersafras nos EUA (117 Mt,120Mt e 116,5 Mt) e no Brasil (114 Mt, 117 Mt e 117 Mt), respectivamente, em 2016/17, 2017/18 e 2018/19, poderia exercer sobre as cotações mundiais do produto. Contudo, as cotações do mercado para os produtores brasileiros estão muito satisfatórias, em boa medida por causa do câmbio favorável e da briga China vs EUA. Já a realidade não é tão colorida para os produtores americanos.

Com o espetacular crescimento da economia mundial no correr das últimas décadas (US$ 12 trilhões em 1980 vs. US$ 87 trilhões em 2018), a renda per capita das pessoas também aumentou, particularmente dos cidadãos que habitam os países em desenvolvimento – ainda muito carentes de proteínas animais. Com mais dinheiro no bolso, esses cidadãos passaram a consumir menos carboidratos (grãos) e mais proteína animal (carnes, leite e ovos), que têm no farelo de soja sua principal matéria prima.

Embora o óleo não seja a razão principal para cultivar-se a soja, sua produção está, também, sendo requisitada para consumo doméstico e para biodiesel, indicando que a produção da oleaginosa é duplamente estimulada: como alimento humano e animal e como biocombustível.

O Brasil se beneficia do aumento global do consumo de soja e de seus derivados, pois dispõe de muitas áreas aptas e disponíveis para produzir mais soja, clima favorável para produzir o ano todo, tecnologia para explorar zonas tropicais de baixa latitude e água para irrigar, se compensar.