China nos indica o caminho da prosperidade

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja

Gigante no tamanho e na população, a China ostenta, também, uma economia poderosa (US$ 12,24 trilhões, o 2º PIB mundial), construída ao longo de pouco mais de três décadas. Segundo o FMI, em 1980, a renda per capita de um trabalhador chinês era quase 16 vezes menor que a do brasileiro (U$ 302 vs. U$ 4.800). Desde então, no entanto, a renda do chinês cresceu 57 vezes e a do brasileiro, apenas 3,5 vezes. Hoje, a renda anual do trabalhador chinês supera a do brasileiro (U$ 17,5 mil da China vs. 16.7 mil do Brasil), embora o PIB/capita ainda seja levemente inferior (U$ 8.830 da China contra U$ 9.896 do Brasil).  Contrastando a renda/cápita do Brasil com a dos quatro países asiáticos abaixo indicados, percebemos quão frustrante foi o crescimento do Brasil nos últimos 38 anos. Desfrutávamos da maior renda/capita em 1980 e em 2018, a menor. Lastimável. Algo a ver com a Constituição de 1988?

A China acelera o passo na direção do Primeiro Mundo. Segundo estudos do FMI, o PIB da China alcançará os U$ 22,2 trilhões em 2030, acercando-se ao PIB dos EUA (U$ 24,8 trilhões) e o superará com larga margem em 2050, quando o PIB chinês está estimado em U$ 58,5 trilhões vs. U$ 34,1 trilhões para os EUA.
A China participava com meros 2,0% do PIB mundial em 1980 e para 2018, está estimado em 16,6%. Muito contribuiu para o alcance de tal milagre, as privatizações e desregulamentações governamentais, que destravaram a economia de mercado e promoveram o crescimento. Esta é uma dica para o Brasil, campeão de entraves burocráticos, que desestimulam os potenciais investidores interessados no País.

Previamente ao salto de desenvolvimento processado na China, outros países asiáticos haviam trilhado esse mesmo caminho e alcançado o almejado desenvolvimento social e econômico de primeira grandeza, como Japão, Coreia do Sul e Taiwan. Mais recentemente, a Índia ensaia ingressar nesse dinâmico time e está crescendo a taxas chinesas (8,2% em 2018 vs. 6,7% da China), sinalizando trilhar a mesma rota de crescimento e deixando o Brasil, parceiro da Índia e da China no grupo BRICS, uma vez mais para trás. Com o crescimento dos últimos anos, o PIB indiano ultrapassou o PIB brasileiro (U$ 2,597 trilhões vs. U$ 2,05 trilhões) e, mais recentemente, passou o PIB francês (U$ 2,582 trilhões). Já é a 6ª economia global, será a 5ª ainda em 2018 – deixando a Inglaterra para trás (U$ 2,622) e será a 3ª em 2030, quando terá um PIB estimado de U$ 6,6 trilhões. O PIB per capita da Índia, no entanto, continua muito baixo: U$ 1.975 vs. U$ 8.830 da China ou U$ 9.896 do Brasil.

Essas nações eram pobres como o Brasil há algumas décadas, mas reagiram, sacudiram a poeira e deram a volta por cima. Será tão difícil para o Brasil repetir essa estratégia, acordar da letargia que usufrui no seu berço esplêndido, realizar as reformas que travam a economia e repetir o salto que deram esses países asiáticos?!
O setor agrícola está dando o exemplo de como alcançar o tão almejado desenvolvimento de Primeiro Mundo. A produção de grãos, por exemplo, deu um salto chinês nos últimos 28 anos, passando de 58 milhões de toneladas (Mt) em 1990, para 232 Mt em 2018; aumento de 300%. Com a produção de carnes não foi diferente: 6,5 Mt na média da década de 1980, para estimados 28 Mt em 2018; aumento de 331%.

Produção de grãos no Brasil. Foto: RRRufino.

Qual o segredo do agronegócio brasileiro, que resultou diferente dos demais segmentos da economia nacional? Certamente muito contribuiu a utilização intensiva de novas e modernas tecnologias desenvolvidas pela pesquisa brasileira para a realidade do país, além da determinação e do esforço dos dinâmicos agricultores locais, um verdadeiro produto de exportação.
Vamos reagir gente, a China, e agora também a Índia, podem nos indicar o caminho das pedras.