Na busca pelo desenvolvimento que não chega

Desde os primórdios da colonização ouve-se a afirmação de que o Brasil é o país do futuro. Já se passaram alguns séculos e esse dia ainda não chegou. Como bons brasileiros, não desistiremos de acreditar que este sonho um dia se realizará, dadas as excelentes condições que o País possui, materializados em excelentes recursos naturais (solo, sol e chuvas) e humanos. Só precisamos acreditar, ter paciência e fé. Isto o brasileiro tem sobrando.

Lavoura de soja. Foto: RRRufino

Uma reportagem do início de março da Folha de São Paulo informava que segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), o Brasil crescerá 43% menos do que a média mundial, em 2019 (1,9% ante 3,3% da média mundial ou 3,5% da média dos países que constituem o bloco G20, do qual o Brasil faz parte). Embora o crescimento seja modesto, está dando sinais de uma recuperação lenta, mas consistente. O PIB cresceu 1,1% em 2018 e estima-se que crescerá 2,4% em 2020, além de 1,9% já informado para 2019.
Uma sequência positiva animadora – apesar de modesta – se considerarmos que a economia mundial está desacelerando (OCDE). O crescimento da economia chinesa, a mais dinâmica do mundo, cairá, segundo essas estimativas, de 6,6% em 2018, para 6,2% em 2019 e para 6,0% em 2020. Ainda assim, muito acima dos 3,3% da média mundial. Não deixa de ser uma tendência preocupante, visto que as economias da Comunidade Europeia e dos EUA, também, estão em processo de desaceleração, e segundo a sabedoria popular: quando eles pegam gripe, os emergentes pegam pneumonia.

Como já vem ocorrendo em anos recentes, o crescimento das economias da Índia e da China, apesar da desaceleração recente desta última, lideram o crescimento mundial com 7,3%/ano e 6,0%/ano, respectivamente. No contexto do bloco dos BRICS, o Brasil não está na pior situação; a África do Sul e a Rússia crescerão menos do que o Brasil, tanto em 2019 (1,7% e 1,4%, respectivamente), quanto em 2020 (2,0% e 1,5%, respectivamente).

O que chama a atenção no contexto das grandes economias globais, é o desempenho da Indonésia, cuja economia cresceu 5,2% em 2018, com estimativa de crescimento de 5,2% e 5,1%, respectivamente, em 2019 e 2020. Com tal performance, segundo a agência Standard Chartered, migrará da atual 16ª posição entre as maiores economias globais (US$ 1,24 bilhões), para a 5ª posição em 2030 (US$ 10.1 trilhões), superando por boa margem a economia brasileira, hoje a 9ª (US$ 2,14 trilhões), mas que em 2030 deverá ser a 6ª (US$ 8,6 trilhões). Nessa data, a economia brasileira deverá ser ultrapassada, inclusive, pela da Turquia, que que nos próximos três anos terá crescimento negativo, mas cujo PIB, se estima, evoluirá dos atuais US$ 0,83 bilhões para US$ 9.1 trilhões, em 2030.

No presente, se isto serve de algum consolo para o Brasil, tem países crescendo menos. Em situação mais delicada encontram-se Argentina, Turquia e Itália que, segundo estudos da OCDE, terão crescimento negativo em 2019: (-1,5), (-1,8) e (-0,2), respectivamente.  Se bem a economia brasileira como um todo, não cresce na velocidade que desejaríamos, o agronegócio é uma realidade a parte. O Brasil tem surpreendido o mundo pela velocidade com que aumentou a produtividade e, consequentemente, a produção agrícola desde a década de 1970, quando o país descobriu na soja a commodity que alavancaria o agronegócio nacional, gerando enormes excedentes exportáveis, inimagináveis nos seus primórdios: superávit superior a US$ 1,0 trilhão no período 2000 a 2018.
A pressa é a mãe de todas as imperfeições, diz o ditado. Talvez porque sempre tivemos pressa para chegar lá, ainda não construímos o caminho que nos levará no lugar ao sol, que merecemos.