-

Embrapa Soja: 44 anos

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja A Embrapa surgiu em abril de 1973, como resposta a uma urgente necessidade de agilizar a geração de tecnologias agrícolas, e com esse apoio suprir as necessidade do país em alimentos e gerar excedentes exportáveis. Era inconcebível, no entender dos gestores brasileiros da época, que um país com o…

16 de abril de 2019 às 08h50

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja

A Embrapa surgiu em abril de 1973, como resposta a uma urgente necessidade de agilizar a geração de tecnologias agrícolas, e com esse apoio suprir as necessidade do país em alimentos e gerar excedentes exportáveis. Era inconcebível, no entender dos gestores brasileiros da época, que um país com o potencial agrícola do Brasil estivesse, eventualmente, precisando importar alimentos.

Nos anos 60, década anterior à fundação da Embrapa, houve intensa mobilização no âmbito do Ministério da Agricultura objetivando ajustar a estrutura de pesquisa agrícola existente, para adequá-la às reais necessidades do Brasil, que almejava a autossuficiência na produção agrícola. A conclusão dos analistas, após pormenorizado diagnóstico do modelo de pesquisa agrícola vigente no Brasil, foi pela necessidade de mudar o modelo, excessivamente burocrático e pouco ágil, optando pela criação de uma corporação mais estruturada e ágil. Optou-se, então, pela criação da Embrapa.

Campo experimental da Embrapa Soja em Londrina (PR). Imagem: Wilson Vieira

A criação da Embrapa foi homologada em dezembro de 1972 e em março de 1973 foram aprovados os estatutos da nova Empresa e suas atividades iniciadas em abril desse mesmo ano. Um novo Sistema de Pesquisa Agrícola foi aprovado em 1974, o qual estabeleceu a geração de tecnologias como atribuição da Embrapa, delegando às instituições estaduais de pesquisa agrícola a validação dessas tecnologias no âmbito de cada estado. Para as Universidades, o modelo previa a geração de conhecimentos básicos.

Ao definir as prioridades de pesquisa, a nova organização elegeu a soja como uma das culturas prioritárias para pesquisar, dada a importância que ela havia adquirido na década de 1960 e a promessa de crescimento muito mais vigoroso na década seguinte, dadas as boas perspectivas de crescimento da demanda interna e externa do grão.  A Embrapa Soja, originalmente denominada de Centro Nacional de Pesquisa de Soja foi criada em 16 de abril de 1975 e estabeleceu-se em Londrina, porque a cidade oferecia boa logística urbana e podia contar com o suporte das instalações recém inauguradas do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Ademais, Londrina está localizada próximo ao Trópico de Capricórnio, zona de transição climática que favorece a seleção de material genético de soja, tanto para a região subtropical localizada ao sul do país, quanto para a região tropical, ao norte.

O primeiro registro de pesquisa de soja no Brasil data de 1882, no Recôncavo Baiano. A iniciativa não teve êxito, porque as variedades de soja disponíveis na época não eram adaptadas para a região. Nessa época, a produção comercial de soja no mundo restringia-se à região leste da Ásia (China, Coreia, Japão), em latitudes próximas a 40°N onde o clima é temperado, em contraste com o clima tropical e a baixa latitude (12°S) da Bahia, onde o material foi testado.

A produção de soja somente teve êxito no Brasil a partir dos anos 40, quando foi introduzida no Estado do Rio Grande do Sul, em latitude próxima aos 30°S, utilizando variedades americanas. Inicialmente, a soja era destinada prioritariamente à produção de feno para bovinos de leite. Os poucos grãos produzidos eram consumidos internamente nas propriedades produtoras para engorda de suínos, visto que o comércio do grão era precário. Em 1949, com a produção de 25.881 t, o Brasil figurou pela primeira vez como produtor de soja nas estatísticas internacionais.
Se bem a Embrapa Soja não seja a única responsável pelo espetacular desenvolvimento da cultura no país, ela foi fundamental na liderança das pesquisas que resultaram na geração da Soja Tropical, capaz de se desenvolver adequadamente em qualquer região de baixa latitude, porque possui um período juvenil longo, o qual inibe a floração precoce das plantas, permitindo seu bom desenvolvimento mesmo a zero grau de latitude.

Nos seus primórdios no Brasil (anos 40), até a promulgação da Lei de Proteção de Cultivares na década de 1990, a pesquisa com a oleaginosa restringiu-se a instituições públicas. A partir de meados dessa década, no entanto, empresas privadas, principalmente transnacionais, passaram a investir importantes recursos no desenvolvimento de novas variedades, dada a possibilidade de proteção dos direitos autorais que a Lei permite, incrementando significativamente a disponibilidade de variedades comerciais de desempenho superior.
Atualmente, o complexo soja é o principal produto na pauta das exportações brasileiras, tendo gerado em 2018 cerca de US$ 41 bilhões em vendas ao exterior, o que representa mais de 15% do total exportado pelo país.  A Embrapa Soja se sente satisfeita por acreditar que faz parte deste sucesso.

-

Embrapa Soja: 44 anos

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja A Embrapa surgiu em abril de 1973, como resposta a uma urgente necessidade de agilizar a geração de tecnologias agrícolas, e com esse apoio suprir as necessidade do país em alimentos e gerar excedentes exportáveis. Era inconcebível, no entender dos gestores brasileiros da época, que um país com o…

16 de abril de 2019 às 08h50

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja

A Embrapa surgiu em abril de 1973, como resposta a uma urgente necessidade de agilizar a geração de tecnologias agrícolas, e com esse apoio suprir as necessidade do país em alimentos e gerar excedentes exportáveis. Era inconcebível, no entender dos gestores brasileiros da época, que um país com o potencial agrícola do Brasil estivesse, eventualmente, precisando importar alimentos.

Nos anos 60, década anterior à fundação da Embrapa, houve intensa mobilização no âmbito do Ministério da Agricultura objetivando ajustar a estrutura de pesquisa agrícola existente, para adequá-la às reais necessidades do Brasil, que almejava a autossuficiência na produção agrícola. A conclusão dos analistas, após pormenorizado diagnóstico do modelo de pesquisa agrícola vigente no Brasil, foi pela necessidade de mudar o modelo, excessivamente burocrático e pouco ágil, optando pela criação de uma corporação mais estruturada e ágil. Optou-se, então, pela criação da Embrapa.

Campo experimental da Embrapa Soja em Londrina (PR). Imagem: Wilson Vieira

A criação da Embrapa foi homologada em dezembro de 1972 e em março de 1973 foram aprovados os estatutos da nova Empresa e suas atividades iniciadas em abril desse mesmo ano. Um novo Sistema de Pesquisa Agrícola foi aprovado em 1974, o qual estabeleceu a geração de tecnologias como atribuição da Embrapa, delegando às instituições estaduais de pesquisa agrícola a validação dessas tecnologias no âmbito de cada estado. Para as Universidades, o modelo previa a geração de conhecimentos básicos.

Ao definir as prioridades de pesquisa, a nova organização elegeu a soja como uma das culturas prioritárias para pesquisar, dada a importância que ela havia adquirido na década de 1960 e a promessa de crescimento muito mais vigoroso na década seguinte, dadas as boas perspectivas de crescimento da demanda interna e externa do grão.  A Embrapa Soja, originalmente denominada de Centro Nacional de Pesquisa de Soja foi criada em 16 de abril de 1975 e estabeleceu-se em Londrina, porque a cidade oferecia boa logística urbana e podia contar com o suporte das instalações recém inauguradas do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). Ademais, Londrina está localizada próximo ao Trópico de Capricórnio, zona de transição climática que favorece a seleção de material genético de soja, tanto para a região subtropical localizada ao sul do país, quanto para a região tropical, ao norte.

O primeiro registro de pesquisa de soja no Brasil data de 1882, no Recôncavo Baiano. A iniciativa não teve êxito, porque as variedades de soja disponíveis na época não eram adaptadas para a região. Nessa época, a produção comercial de soja no mundo restringia-se à região leste da Ásia (China, Coreia, Japão), em latitudes próximas a 40°N onde o clima é temperado, em contraste com o clima tropical e a baixa latitude (12°S) da Bahia, onde o material foi testado.

A produção de soja somente teve êxito no Brasil a partir dos anos 40, quando foi introduzida no Estado do Rio Grande do Sul, em latitude próxima aos 30°S, utilizando variedades americanas. Inicialmente, a soja era destinada prioritariamente à produção de feno para bovinos de leite. Os poucos grãos produzidos eram consumidos internamente nas propriedades produtoras para engorda de suínos, visto que o comércio do grão era precário. Em 1949, com a produção de 25.881 t, o Brasil figurou pela primeira vez como produtor de soja nas estatísticas internacionais.
Se bem a Embrapa Soja não seja a única responsável pelo espetacular desenvolvimento da cultura no país, ela foi fundamental na liderança das pesquisas que resultaram na geração da Soja Tropical, capaz de se desenvolver adequadamente em qualquer região de baixa latitude, porque possui um período juvenil longo, o qual inibe a floração precoce das plantas, permitindo seu bom desenvolvimento mesmo a zero grau de latitude.

Nos seus primórdios no Brasil (anos 40), até a promulgação da Lei de Proteção de Cultivares na década de 1990, a pesquisa com a oleaginosa restringiu-se a instituições públicas. A partir de meados dessa década, no entanto, empresas privadas, principalmente transnacionais, passaram a investir importantes recursos no desenvolvimento de novas variedades, dada a possibilidade de proteção dos direitos autorais que a Lei permite, incrementando significativamente a disponibilidade de variedades comerciais de desempenho superior.
Atualmente, o complexo soja é o principal produto na pauta das exportações brasileiras, tendo gerado em 2018 cerca de US$ 41 bilhões em vendas ao exterior, o que representa mais de 15% do total exportado pelo país.  A Embrapa Soja se sente satisfeita por acreditar que faz parte deste sucesso.