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Uso de drones para a visualização de danos de erosão

O uso de imagens aéreas pode auxiliar na identificação de pontos críticos de erosão, subsidiando as tomadas de decisão para minimizar o problema

15 de maio de 2019 às 12h06

Alvadi Antonio Balbinot Junior, Julio Cezar Franchini e Henrique Debiasi, pesquisadores da Embrapa Soja

No Brasil, o Sistema Plantio Direto vem contribuindo expressivamente para a redução da erosão hídrica. Contudo, em função da falta de rotação de culturas e da retirada dos terraços, tem-se observado problemas com erosão, notadamente em regiões que apresentam áreas cultivadas com declividades superiores a 5%. Nessas condições, a erosão tem provocado impacto ambiental negativo, além de prejuízos econômicos decorrentes de perdas de produtividade e aumento de custos com fertilizantes.

Em geral, a análise do estado de conservação do solo e da água tem sido realizada no âmbito do empreendimento agrícola. Por outro lado, o processo erosivo transcende os limites das lavouras, por isso a análise considerando bacias ou microbacias hidrográficas é de extrema relevância. A análise do processo erosivo na escala de microbacia deve focar nos pontos críticos geradores das perdas de solo e água. Assim, o uso de imagens aéreas obtidas por drones pode auxiliar na identificação de pontos críticos de erosão, subsidiando as tomadas de decisão para minimizar o problema.

Durante a safra 2017/2018, foram obtidas imagens aéreas de uma microbacia na região Norte do Paraná, nos dias 06/12/2017, 05/01/2018, 17/02/2018, 12/03/2018 e 30/03/2018 (Figura 1). Nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro não foi possível identificar as áreas críticas quanto à conservação do solo e da água, já que a cobertura do solo pela soja impediu a visualização dos sulcos de erosão. No entanto, após a colheita da cultura foi possível identificar claramente as áreas com maior problema. Na imagem do dia 12/03/2018 foi constatada maior intensidade de erosão em três propriedades – B, F e I. Na imagem do dia 30/03/2018, após a ocorrência de chuvas intensas, constatou-se intensificação do processo erosivo em todas as glebas, sendo, no entanto, mais expressivo em cinco delas: A, B, C, F e I. Nas glebas C e F, a semeadura do milho no sentido do declive e ausência de terraços, respectivamente, tornou o processo erosivo mais intenso. Nesse contexto, o uso de imagens aéreas possibilita a identificação de pontos críticos em relação ao processo erosivo em microbacias hidrográficas.

Imagens aéreas obtidas durante a safra 2017/2018 na microbacia de primeira ordem no Norte do Paraná. A, B, C, D, E, F, G, H, e I correspondem à divisão das glebas que compõem a microbacia. Fonte: Franchini et al. (2018).

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Uso de drones para a visualização de danos de erosão

O uso de imagens aéreas pode auxiliar na identificação de pontos críticos de erosão, subsidiando as tomadas de decisão para minimizar o problema

15 de maio de 2019 às 12h06

Alvadi Antonio Balbinot Junior, Julio Cezar Franchini e Henrique Debiasi, pesquisadores da Embrapa Soja

No Brasil, o Sistema Plantio Direto vem contribuindo expressivamente para a redução da erosão hídrica. Contudo, em função da falta de rotação de culturas e da retirada dos terraços, tem-se observado problemas com erosão, notadamente em regiões que apresentam áreas cultivadas com declividades superiores a 5%. Nessas condições, a erosão tem provocado impacto ambiental negativo, além de prejuízos econômicos decorrentes de perdas de produtividade e aumento de custos com fertilizantes.

Em geral, a análise do estado de conservação do solo e da água tem sido realizada no âmbito do empreendimento agrícola. Por outro lado, o processo erosivo transcende os limites das lavouras, por isso a análise considerando bacias ou microbacias hidrográficas é de extrema relevância. A análise do processo erosivo na escala de microbacia deve focar nos pontos críticos geradores das perdas de solo e água. Assim, o uso de imagens aéreas obtidas por drones pode auxiliar na identificação de pontos críticos de erosão, subsidiando as tomadas de decisão para minimizar o problema.

Durante a safra 2017/2018, foram obtidas imagens aéreas de uma microbacia na região Norte do Paraná, nos dias 06/12/2017, 05/01/2018, 17/02/2018, 12/03/2018 e 30/03/2018 (Figura 1). Nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro não foi possível identificar as áreas críticas quanto à conservação do solo e da água, já que a cobertura do solo pela soja impediu a visualização dos sulcos de erosão. No entanto, após a colheita da cultura foi possível identificar claramente as áreas com maior problema. Na imagem do dia 12/03/2018 foi constatada maior intensidade de erosão em três propriedades – B, F e I. Na imagem do dia 30/03/2018, após a ocorrência de chuvas intensas, constatou-se intensificação do processo erosivo em todas as glebas, sendo, no entanto, mais expressivo em cinco delas: A, B, C, F e I. Nas glebas C e F, a semeadura do milho no sentido do declive e ausência de terraços, respectivamente, tornou o processo erosivo mais intenso. Nesse contexto, o uso de imagens aéreas possibilita a identificação de pontos críticos em relação ao processo erosivo em microbacias hidrográficas.

Imagens aéreas obtidas durante a safra 2017/2018 na microbacia de primeira ordem no Norte do Paraná. A, B, C, D, E, F, G, H, e I correspondem à divisão das glebas que compõem a microbacia. Fonte: Franchini et al. (2018).