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Liberação de nutrientes da palha de pastagem de braquiária para a soja

Alvadi Antonio Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja A utilização de espécies de braquiária, em sistema Integração Lavoura-Pecuária (ILP), tem aumentado na última década, principalmente pela grande capacidade de produção de fitomassa, mesmo em solos com baixa fertilidade, proporcionando boa cobertura do solo, redução da infestação de plantas daninhas, elevado crescimento de raízes e alta…

28 de maio de 2019 às 14h04

Alvadi Antonio Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja

A utilização de espécies de braquiária, em sistema Integração Lavoura-Pecuária (ILP), tem aumentado na última década, principalmente pela grande capacidade de produção de fitomassa, mesmo em solos com baixa fertilidade, proporcionando boa cobertura do solo, redução da infestação de plantas daninhas, elevado crescimento de raízes e alta ciclagem de nutrientes.

A adubação nitrogenada desempenha papel fundamental na manutenção da produtividade e qualidade das pastagens formadas por gramíneas. A adubação com Nitrogênio (N) na pastagem pode melhorar a qualidade da forragem, aumentando o teor de proteína bruta. Nesse sentido, essa prática pode alterar as características químicas da palha e, consequentemente, a dinâmica de liberação de nutrientes à soja em sucessão. Foram desenvolvidos trabalhos de pesquisa em Londrina, PR, com o apoio financeiro da Fundação Agrisus, visando avaliar a liberação de macronutrientes da palha de pastagem de braquiária brizanta cultivar BRS Piatã à soja cultivada na sequência, em ILP.

Na data da dessecação, a quantidade de N presente na palha foi maior na pastagem adubada com 300 kg de N/ha, em relação à ausência da adubação nitrogenada. Praticamente todo o N presente na palha foi liberado gradualmente durante o ciclo da soja, 54 kg de N/ha na pastagem adubada com N e 36 kg de N/ha na pastagem não adubada. O tempo para liberação de 50% do N contido na palha variou de 60 a 70 dias após a dessecação da pastagem.

A quantidade de Fósforo (P) presente na palha da pastagem da braquiária foi pequena (7 e 9 kg/ha para a pastagem não adubada e adubada com N, respectivamente), sendo que todo P foi liberado para a soja cultivada em sucessão. O tempo necessário para liberação de 50% do P da palha variou de 30 a 40 dias, ou seja, a liberação desse nutriente para a soja é mais rápida do que o N.

Observou-se que a palha de pastagem de braquiária acumulou quantidades expressivas de Potássio (K) – 95 kg de K/ha na pastagem adubada com N e 50 kg de K/ha na pastagem não adubada com N. Isso ocorreu em função do maior teor de K na palha da pastagem adubada, uma vez que a quantidade de palha residual nas duas condições foi similar (5 t de matéria seca/ha). Todo o K presente na palha foi liberado à soja, pois esse nutriente não faz parte de estruturas vegetativas da planta, sendo rapidamente liberado ao solo. O tempo para liberação de 50% do K presente na palha variou de 15 a 20 dias. Ou seja, se a dessecação da pastagem for realizada com antecedência muito grande em relação à semeadura da soja – superior a 45 dias – é possível que parte do K seja perdida antes de ser aproveitado pela cultura.

A quantidade de Cálcio (Ca) presente na palha e liberada pela pastagem sem adubação nitrogenada foi superior à palha oriunda de pastagem adubada com N. Neste sentido, nas condições da presente pesquisa, a adubação nitrogenada da braquiária provocou redução dos teores desse nutriente na palha deixada para a soja. Isto se refletiu em menor taxa diária de liberação de Ca pela palha de pastagem adubada com N. A quantidade de Magnésio (Mg) na palha de pastagem com N foi ligeiramente superior à pastagem sem N e o tempo para liberação de 50% do nutriente presente na palha foi de 50 e 60 dias para a palha de pastagem com e sem N, respectivamente. A quantidade de S presente na palha de braquiária foi relativamente pequena (5 a 6 kg/ha).

A ordem da quantidade de nutrientes liberada da palha de pastagem de braquiária para a soja foi a seguinte: K>N>Ca>Mg>P>S, independentemente da adubação nitrogenada. A palha de pastagem de braquiária disponibiliza N e K em maiores quantidades, sobretudo quando a pastagem é adubada com N. Esses resultados demonstram a grande capacidade da braquiária BRS Piatã em ciclar nutrientes, especialmente quando adubada com N.

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Liberação de nutrientes da palha de pastagem de braquiária para a soja

Alvadi Antonio Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja A utilização de espécies de braquiária, em sistema Integração Lavoura-Pecuária (ILP), tem aumentado na última década, principalmente pela grande capacidade de produção de fitomassa, mesmo em solos com baixa fertilidade, proporcionando boa cobertura do solo, redução da infestação de plantas daninhas, elevado crescimento de raízes e alta…

28 de maio de 2019 às 14h04

Alvadi Antonio Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja

A utilização de espécies de braquiária, em sistema Integração Lavoura-Pecuária (ILP), tem aumentado na última década, principalmente pela grande capacidade de produção de fitomassa, mesmo em solos com baixa fertilidade, proporcionando boa cobertura do solo, redução da infestação de plantas daninhas, elevado crescimento de raízes e alta ciclagem de nutrientes.

A adubação nitrogenada desempenha papel fundamental na manutenção da produtividade e qualidade das pastagens formadas por gramíneas. A adubação com Nitrogênio (N) na pastagem pode melhorar a qualidade da forragem, aumentando o teor de proteína bruta. Nesse sentido, essa prática pode alterar as características químicas da palha e, consequentemente, a dinâmica de liberação de nutrientes à soja em sucessão. Foram desenvolvidos trabalhos de pesquisa em Londrina, PR, com o apoio financeiro da Fundação Agrisus, visando avaliar a liberação de macronutrientes da palha de pastagem de braquiária brizanta cultivar BRS Piatã à soja cultivada na sequência, em ILP.

Na data da dessecação, a quantidade de N presente na palha foi maior na pastagem adubada com 300 kg de N/ha, em relação à ausência da adubação nitrogenada. Praticamente todo o N presente na palha foi liberado gradualmente durante o ciclo da soja, 54 kg de N/ha na pastagem adubada com N e 36 kg de N/ha na pastagem não adubada. O tempo para liberação de 50% do N contido na palha variou de 60 a 70 dias após a dessecação da pastagem.

A quantidade de Fósforo (P) presente na palha da pastagem da braquiária foi pequena (7 e 9 kg/ha para a pastagem não adubada e adubada com N, respectivamente), sendo que todo P foi liberado para a soja cultivada em sucessão. O tempo necessário para liberação de 50% do P da palha variou de 30 a 40 dias, ou seja, a liberação desse nutriente para a soja é mais rápida do que o N.

Observou-se que a palha de pastagem de braquiária acumulou quantidades expressivas de Potássio (K) – 95 kg de K/ha na pastagem adubada com N e 50 kg de K/ha na pastagem não adubada com N. Isso ocorreu em função do maior teor de K na palha da pastagem adubada, uma vez que a quantidade de palha residual nas duas condições foi similar (5 t de matéria seca/ha). Todo o K presente na palha foi liberado à soja, pois esse nutriente não faz parte de estruturas vegetativas da planta, sendo rapidamente liberado ao solo. O tempo para liberação de 50% do K presente na palha variou de 15 a 20 dias. Ou seja, se a dessecação da pastagem for realizada com antecedência muito grande em relação à semeadura da soja – superior a 45 dias – é possível que parte do K seja perdida antes de ser aproveitado pela cultura.

A quantidade de Cálcio (Ca) presente na palha e liberada pela pastagem sem adubação nitrogenada foi superior à palha oriunda de pastagem adubada com N. Neste sentido, nas condições da presente pesquisa, a adubação nitrogenada da braquiária provocou redução dos teores desse nutriente na palha deixada para a soja. Isto se refletiu em menor taxa diária de liberação de Ca pela palha de pastagem adubada com N. A quantidade de Magnésio (Mg) na palha de pastagem com N foi ligeiramente superior à pastagem sem N e o tempo para liberação de 50% do nutriente presente na palha foi de 50 e 60 dias para a palha de pastagem com e sem N, respectivamente. A quantidade de S presente na palha de braquiária foi relativamente pequena (5 a 6 kg/ha).

A ordem da quantidade de nutrientes liberada da palha de pastagem de braquiária para a soja foi a seguinte: K>N>Ca>Mg>P>S, independentemente da adubação nitrogenada. A palha de pastagem de braquiária disponibiliza N e K em maiores quantidades, sobretudo quando a pastagem é adubada com N. Esses resultados demonstram a grande capacidade da braquiária BRS Piatã em ciclar nutrientes, especialmente quando adubada com N.