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Consórcio do milho segunda safra com braquiária beneficia o solo e a soja

Alvadi Antonio Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja Na última década, o sistema de sucessão soja/milho segunda safra se consolidou no Brasil, sobretudo em regiões tropicais que apresentam adequada disponibilidade hídrica. Essa sucessão permite o cultivo de duas safras de grãos por ano, intensificando o uso da terra, das máquinas e da mão de obra,…

18 de junho de 2019 às 10h11

Alvadi Antonio Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja

Na última década, o sistema de sucessão soja/milho segunda safra se consolidou no Brasil, sobretudo em regiões tropicais que apresentam adequada disponibilidade hídrica. Essa sucessão permite o cultivo de duas safras de grãos por ano, intensificando o uso da terra, das máquinas e da mão de obra, sendo utilizada em mais de 11 milhões de hectares no país. Por um lado, o uso de sistemas de produção simples, como a sucessão soja/milho, facilita a rotina operacional nas propriedades rurais. Por outro lado, pode provocar e intensificar, a longo prazo, a degradação da qualidade do solo e o aumento de problemas fitossanitários, especialmente a infestação de plantas daninhas resistentes a herbicidas e o incremento de algumas doenças e insetos-praga de difícil controle.

Essa realidade apresentada, em muitas circunstâncias, tem prejudicado a sustentabilidade do Sistema Plantio Direto (SPD), aumentado os custos de produção e reduzido a rentabilidade do negócio. Uma opção para melhorar o manejo do solo em SPD, sem abrir mão do cultivo da soja e do milho segunda safra, é utilizar o consórcio do milho com espécies de braquiária ( imagens abaixo). Com isso, há aumento da produção de biomassa de raízes e parte aérea na entressafra da soja, o que contribui para melhorar a estrutura do solo, incorporar matéria orgânica no sistema e produzir maior quantidade de palha para o cultivo da soja em sucessão.

A melhoria da estrutura do solo promovida pelo crescimento de raízes da braquiária se reflete em vários atributos do solo, como, por exemplo, aumento da taxa de infiltração e formação de bioporos contínuos que facilitam a entrada de oxigênio no solo e o crescimento de raízes das culturas semeadas na sequencia. Por sua vez, o aumento da cobertura do solo com palha reduz expressivamente a incidência de plantas daninhas, permite menor aquecimento do solo, diminui as perdas de água por evaporação e minimiza o selamento e o encrostamento do solo nas linhas de semeadura de soja, decorrente de chuvas intensas logo após a semeadura. Outro benefício importante do consórcio do milho com braquiárias, frequentemente percebido e citado pelos produtores, é a significativa redução da erosão, em razão, principalmente, da maior cobertura do solo, aumento da infiltração de água e formação de agregados de solo mais estáveis.

O conjunto desses benefícios se reflete em melhoria no desempenho agronômico da soja semeada em sucessão. Além disso, ao longo das safras, há experimentos que demonstram o benefício do consórcio para o próprio milho segunda safra, que também responde à melhoria da qualidade do solo. Nesse contexto, o consórcio do milho segunda safra com braquiárias é uma oportunidade para aprimorar sistemas de produção de grãos no Brasil.

Consórcio de milho segunda safra com braquiária ruziziensis. Foto: Alvadi A. Balbinot Junior/Arquivo Embrapa

 

Consórcio de milho segunda safra com braquiária ruziziensis. Foto: Alvadi A. Balbinot Junior/Arquivo Embrapa

 

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Consórcio do milho segunda safra com braquiária beneficia o solo e a soja

Alvadi Antonio Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja Na última década, o sistema de sucessão soja/milho segunda safra se consolidou no Brasil, sobretudo em regiões tropicais que apresentam adequada disponibilidade hídrica. Essa sucessão permite o cultivo de duas safras de grãos por ano, intensificando o uso da terra, das máquinas e da mão de obra,…

18 de junho de 2019 às 10h11

Alvadi Antonio Balbinot Junior, pesquisador da Embrapa Soja

Na última década, o sistema de sucessão soja/milho segunda safra se consolidou no Brasil, sobretudo em regiões tropicais que apresentam adequada disponibilidade hídrica. Essa sucessão permite o cultivo de duas safras de grãos por ano, intensificando o uso da terra, das máquinas e da mão de obra, sendo utilizada em mais de 11 milhões de hectares no país. Por um lado, o uso de sistemas de produção simples, como a sucessão soja/milho, facilita a rotina operacional nas propriedades rurais. Por outro lado, pode provocar e intensificar, a longo prazo, a degradação da qualidade do solo e o aumento de problemas fitossanitários, especialmente a infestação de plantas daninhas resistentes a herbicidas e o incremento de algumas doenças e insetos-praga de difícil controle.

Essa realidade apresentada, em muitas circunstâncias, tem prejudicado a sustentabilidade do Sistema Plantio Direto (SPD), aumentado os custos de produção e reduzido a rentabilidade do negócio. Uma opção para melhorar o manejo do solo em SPD, sem abrir mão do cultivo da soja e do milho segunda safra, é utilizar o consórcio do milho com espécies de braquiária ( imagens abaixo). Com isso, há aumento da produção de biomassa de raízes e parte aérea na entressafra da soja, o que contribui para melhorar a estrutura do solo, incorporar matéria orgânica no sistema e produzir maior quantidade de palha para o cultivo da soja em sucessão.

A melhoria da estrutura do solo promovida pelo crescimento de raízes da braquiária se reflete em vários atributos do solo, como, por exemplo, aumento da taxa de infiltração e formação de bioporos contínuos que facilitam a entrada de oxigênio no solo e o crescimento de raízes das culturas semeadas na sequencia. Por sua vez, o aumento da cobertura do solo com palha reduz expressivamente a incidência de plantas daninhas, permite menor aquecimento do solo, diminui as perdas de água por evaporação e minimiza o selamento e o encrostamento do solo nas linhas de semeadura de soja, decorrente de chuvas intensas logo após a semeadura. Outro benefício importante do consórcio do milho com braquiárias, frequentemente percebido e citado pelos produtores, é a significativa redução da erosão, em razão, principalmente, da maior cobertura do solo, aumento da infiltração de água e formação de agregados de solo mais estáveis.

O conjunto desses benefícios se reflete em melhoria no desempenho agronômico da soja semeada em sucessão. Além disso, ao longo das safras, há experimentos que demonstram o benefício do consórcio para o próprio milho segunda safra, que também responde à melhoria da qualidade do solo. Nesse contexto, o consórcio do milho segunda safra com braquiárias é uma oportunidade para aprimorar sistemas de produção de grãos no Brasil.

Consórcio de milho segunda safra com braquiária ruziziensis. Foto: Alvadi A. Balbinot Junior/Arquivo Embrapa

 

Consórcio de milho segunda safra com braquiária ruziziensis. Foto: Alvadi A. Balbinot Junior/Arquivo Embrapa