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Carne de frango, soja e milho e a inflação pós Plano Real

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja O Brasil figura como segundo produtor e maior exportador global de carne de frango, o animal que mais consome o farelo de soja e de milho, grãos que o país produz em larga escala. Foi de frango a carne cuja produção mais cresceu no Brasil nas últimas décadas: 29,4…

27 de agosto de 2019 às 08h30

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja

O Brasil figura como segundo produtor e maior exportador global de carne de frango, o animal que mais consome o farelo de soja e de milho, grãos que o país produz em larga escala. Foi de frango a carne cuja produção mais cresceu no Brasil nas últimas décadas: 29,4 vezes, comparando a produção média da década de 1970 (500 mil toneladas) com a de 2019 (14,7 milhões de toneladas – Mt).

Se bem a produção da carne de frango cresceu exponencialmente nesse período, a carne suína e bovina também experimentou crescimento significativo: 5,9 vezes e 4,9 vezes, respectivamente, elevando a produção total dessas carnes no Brasil de 3,3 Mt na média da década de 1970, para 29,0 Mt em 2019. Consequência, principalmente, do protagonismo do Brasil na produção de soja e de milho, principais produtos utilizados na formulação da ração que alimenta estes animais; frangos, especialmente.

Segundo estimativas da Conab e do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a produção brasileira de carne de frango deverá continuar crescendo na próxima década, mas num ritmo bem menor do que nas décadas anteriores e similar ao das outras carnes. Segundo essas estimativas, até 2028 a produção da carne de frango será aumentada em 29,1%, a bovina em 22,7% e a suína em 29,3%. De acordo com o Índice Geral de Preços da Fundação Getúlio Vargas, a inflação acumulada nos 25 anos de vigência do Plano Real foi de 628%, ante o aumento de apenas 450% no preço de mercado do kg de frango vivo. E, apesar da aparente defasagem dos preços de mercado da ave frente à inflação, a produção deslanchou e continuará crescendo a uma taxa aproximada de 3% ao ano no correr da próxima década, informa o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

A pergunta que não pode esperar é a seguinte: como pode a produção de frangos ter, não só sobrevivido ao desbalanço entre os preços de mercado e a inflação nesses 25 anos, mas crescido substancialmente num período durante o qual a inflação superou em 180 pontos percentuais o preço de mercado do produto?!

A resposta está nos significativos aumentos da produtividade, graças à incorporação de genética mais avançada na criação dos animais, quanto no aumento da produtividade da soja e do milho. Aves melhoradas geneticamente ganharam mais peso com a mesma quantidade de ração e em muito menos tempo. Há meio século, um frango era abatido com 60 a 90 dias, contra os atuais 40 a 45 dias. Cabe ressaltar a importância do aumento da escala de produção na redução dos custos, o que resultou em ganhos de competitividade. Além disso, o avanço na nutrição e sanidade animal também apresentou relevância no sucesso da cadeia de frango no Brasil.

Escala de produção com eficiência produtiva confere ao produtor brasileiro de frango condições para competir no mercado da carne, mesmo quando a inflação supera o avanço dos preços no mercado.

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Carne de frango, soja e milho e a inflação pós Plano Real

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja O Brasil figura como segundo produtor e maior exportador global de carne de frango, o animal que mais consome o farelo de soja e de milho, grãos que o país produz em larga escala. Foi de frango a carne cuja produção mais cresceu no Brasil nas últimas décadas: 29,4…

27 de agosto de 2019 às 08h30

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja

O Brasil figura como segundo produtor e maior exportador global de carne de frango, o animal que mais consome o farelo de soja e de milho, grãos que o país produz em larga escala. Foi de frango a carne cuja produção mais cresceu no Brasil nas últimas décadas: 29,4 vezes, comparando a produção média da década de 1970 (500 mil toneladas) com a de 2019 (14,7 milhões de toneladas – Mt).

Se bem a produção da carne de frango cresceu exponencialmente nesse período, a carne suína e bovina também experimentou crescimento significativo: 5,9 vezes e 4,9 vezes, respectivamente, elevando a produção total dessas carnes no Brasil de 3,3 Mt na média da década de 1970, para 29,0 Mt em 2019. Consequência, principalmente, do protagonismo do Brasil na produção de soja e de milho, principais produtos utilizados na formulação da ração que alimenta estes animais; frangos, especialmente.

Segundo estimativas da Conab e do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a produção brasileira de carne de frango deverá continuar crescendo na próxima década, mas num ritmo bem menor do que nas décadas anteriores e similar ao das outras carnes. Segundo essas estimativas, até 2028 a produção da carne de frango será aumentada em 29,1%, a bovina em 22,7% e a suína em 29,3%. De acordo com o Índice Geral de Preços da Fundação Getúlio Vargas, a inflação acumulada nos 25 anos de vigência do Plano Real foi de 628%, ante o aumento de apenas 450% no preço de mercado do kg de frango vivo. E, apesar da aparente defasagem dos preços de mercado da ave frente à inflação, a produção deslanchou e continuará crescendo a uma taxa aproximada de 3% ao ano no correr da próxima década, informa o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

A pergunta que não pode esperar é a seguinte: como pode a produção de frangos ter, não só sobrevivido ao desbalanço entre os preços de mercado e a inflação nesses 25 anos, mas crescido substancialmente num período durante o qual a inflação superou em 180 pontos percentuais o preço de mercado do produto?!

A resposta está nos significativos aumentos da produtividade, graças à incorporação de genética mais avançada na criação dos animais, quanto no aumento da produtividade da soja e do milho. Aves melhoradas geneticamente ganharam mais peso com a mesma quantidade de ração e em muito menos tempo. Há meio século, um frango era abatido com 60 a 90 dias, contra os atuais 40 a 45 dias. Cabe ressaltar a importância do aumento da escala de produção na redução dos custos, o que resultou em ganhos de competitividade. Além disso, o avanço na nutrição e sanidade animal também apresentou relevância no sucesso da cadeia de frango no Brasil.

Escala de produção com eficiência produtiva confere ao produtor brasileiro de frango condições para competir no mercado da carne, mesmo quando a inflação supera o avanço dos preços no mercado.