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Embrapa coordena bancos genéticos que guardam biodiversidade

A diversidade biológica é a base para o desenvolvimento de muitas atividades agrícolas, pecuárias e florestais

18 de setembro de 2019 às 11h14

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja

Há uma preocupação crescente na sociedade global quanto à destruição do ambiente por práticas não-sustentáveis de manejo e a consequente perda de biodiversidade. Desmatamentos e queimadas para atividades agrícolas, industriais, de mineração e para ampliação de áreas urbanas, rodovias e ferrovias são as maiores ameaças à destruição da biodiversidade, fonte inesgotável de genes para o melhoramento genético das plantas e animais.

Embrapa faz curadoria do Banco Ativo de Germoplasma de soja: mais de 55 mil acessos.

A demanda por mais alimentos para atender uma população sempre crescente obriga o agricultor contemporâneo a produzir mais, ocupando áreas cada vez menores. Produzir mais nos espaços tradicionais é possível via uso de mais e melhores tecnologias de produção, incluindo as plantas melhoradas geneticamente pelo uso da biodiversidade. A diversidade biológica é a base para o desenvolvimento de muitas atividades agrícolas, pecuárias e florestais, assim como da indústria de cosméticos, remédios e ecoturismo, indicando a importância da sua preservação.

A biodiversidade ou diversidade biológica, como o próprio nome sugere, consiste no somatório de todas as formas de vida existentes na Biosfera. Indica a diversidade de biótipos (plantas, animais e micro-organismos) que habitam um determinado espaço, podendo este espaço ser uma cidade, um estado, um país ou o próprio Planeta Terra. Não se sabe quantas espécies animais e vegetais habitam o ambiente terrestre. As estimativas são discrepantes; enquanto uns indicam a existência entre 3.6 até mais de 100 milhões de espécies, outros estimam existirem entre 10 e 50 milhões, a maior parte ainda desconhecida.

Entre os especialistas, o Brasil é considerado o país da megadiversidade, concentrando cerca de 1/5 das espécies de seres vivos existentes no Planeta; boa parte localizados no Bioma Amazônia, a região do planeta com maior biodiversidade. Em cada hectare de floresta amazônica podem ser encontradas de 40 a 300 espécies de árvores diferentes, ante apenas 4 a 25 nas florestas temperadas da América do Norte ou da Europa.

Os insetos constituem a maior parte dos animais encontrados na Amazônia e a maior parte deles são espécies endêmicas; só ocorrem lá. Os ecossistemas Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga também são ricos em biodiversidade, mas eles não são páreo para a riqueza biológica encontrada no ecossistema amazônico.

A biodiversidade não é estática e não está distribuída igualmente entre as diferentes regiões do Planeta. Quanto maior a latitude, menor o número de espécies, indicando que existem mais espécies diferentes nos trópicos do que em regiões temperadas. As espécies estão em constante transformação, gerando biótipos diferentes a cada instante, a partir da inter-relação entre eles, seja via mutações espontâneas ou por cruzamentos naturais.

A biodiversidade das florestas tropicais – muito especialmente a da floresta amazônica – tem sido considerada o passaporte para um futuro brilhante de progresso econômico para os países que as possuem, Brasil no centro. Por possuírem uma gigantesca biodiversidade, as florestas tropicais são muitas vezes mais valiosas em seu estado natural do que derrubadas para extração de madeira e/ou para exploração agrícola ou pecuária. Isto indica a importância de os países que detém essas florestas investirem na sua conservação, até conseguirem desenvolver a capacidade de aproveitar a biodiversidade nelas existente e usufruí-la sustentavelmente.

Visando proteger-se da possibilidade de perder importantes recursos genéticos da flora nacional, o Brasil implantou Bancos de Germoplasma coordenados pela Embrapa, os quais armazenam sementes de exemplares de importantes espécies da flora nacional, evitando sua extinção. No mundo existem outras importantes iniciativas para a conservação (ou salvamento) da biodiversidade (especificamente de sementes de culturas agrícolas), por iniciativa de governos como o da Noruega, que guarda milhares de sementes das mais diversas espécies do mundo, no subsolo de uma montanha gelada, sob o Círculo Polar Ártico.

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Embrapa coordena bancos genéticos que guardam biodiversidade

A diversidade biológica é a base para o desenvolvimento de muitas atividades agrícolas, pecuárias e florestais

18 de setembro de 2019 às 11h14

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja

Há uma preocupação crescente na sociedade global quanto à destruição do ambiente por práticas não-sustentáveis de manejo e a consequente perda de biodiversidade. Desmatamentos e queimadas para atividades agrícolas, industriais, de mineração e para ampliação de áreas urbanas, rodovias e ferrovias são as maiores ameaças à destruição da biodiversidade, fonte inesgotável de genes para o melhoramento genético das plantas e animais.

Embrapa faz curadoria do Banco Ativo de Germoplasma de soja: mais de 55 mil acessos.

A demanda por mais alimentos para atender uma população sempre crescente obriga o agricultor contemporâneo a produzir mais, ocupando áreas cada vez menores. Produzir mais nos espaços tradicionais é possível via uso de mais e melhores tecnologias de produção, incluindo as plantas melhoradas geneticamente pelo uso da biodiversidade. A diversidade biológica é a base para o desenvolvimento de muitas atividades agrícolas, pecuárias e florestais, assim como da indústria de cosméticos, remédios e ecoturismo, indicando a importância da sua preservação.

A biodiversidade ou diversidade biológica, como o próprio nome sugere, consiste no somatório de todas as formas de vida existentes na Biosfera. Indica a diversidade de biótipos (plantas, animais e micro-organismos) que habitam um determinado espaço, podendo este espaço ser uma cidade, um estado, um país ou o próprio Planeta Terra. Não se sabe quantas espécies animais e vegetais habitam o ambiente terrestre. As estimativas são discrepantes; enquanto uns indicam a existência entre 3.6 até mais de 100 milhões de espécies, outros estimam existirem entre 10 e 50 milhões, a maior parte ainda desconhecida.

Entre os especialistas, o Brasil é considerado o país da megadiversidade, concentrando cerca de 1/5 das espécies de seres vivos existentes no Planeta; boa parte localizados no Bioma Amazônia, a região do planeta com maior biodiversidade. Em cada hectare de floresta amazônica podem ser encontradas de 40 a 300 espécies de árvores diferentes, ante apenas 4 a 25 nas florestas temperadas da América do Norte ou da Europa.

Os insetos constituem a maior parte dos animais encontrados na Amazônia e a maior parte deles são espécies endêmicas; só ocorrem lá. Os ecossistemas Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga também são ricos em biodiversidade, mas eles não são páreo para a riqueza biológica encontrada no ecossistema amazônico.

A biodiversidade não é estática e não está distribuída igualmente entre as diferentes regiões do Planeta. Quanto maior a latitude, menor o número de espécies, indicando que existem mais espécies diferentes nos trópicos do que em regiões temperadas. As espécies estão em constante transformação, gerando biótipos diferentes a cada instante, a partir da inter-relação entre eles, seja via mutações espontâneas ou por cruzamentos naturais.

A biodiversidade das florestas tropicais – muito especialmente a da floresta amazônica – tem sido considerada o passaporte para um futuro brilhante de progresso econômico para os países que as possuem, Brasil no centro. Por possuírem uma gigantesca biodiversidade, as florestas tropicais são muitas vezes mais valiosas em seu estado natural do que derrubadas para extração de madeira e/ou para exploração agrícola ou pecuária. Isto indica a importância de os países que detém essas florestas investirem na sua conservação, até conseguirem desenvolver a capacidade de aproveitar a biodiversidade nelas existente e usufruí-la sustentavelmente.

Visando proteger-se da possibilidade de perder importantes recursos genéticos da flora nacional, o Brasil implantou Bancos de Germoplasma coordenados pela Embrapa, os quais armazenam sementes de exemplares de importantes espécies da flora nacional, evitando sua extinção. No mundo existem outras importantes iniciativas para a conservação (ou salvamento) da biodiversidade (especificamente de sementes de culturas agrícolas), por iniciativa de governos como o da Noruega, que guarda milhares de sementes das mais diversas espécies do mundo, no subsolo de uma montanha gelada, sob o Círculo Polar Ártico.