Veja 7 medidas anunciadas pela ministra da Agricultura na Abertura da Colheita da Soja

Escrevo de Apucarana (PR), onde aconteceu nesta quinta-feira a Abertura Nacional da Colheita da Soja 2018/2019. Foi aqui, cercada de aproximadamente 1 mil pessoas, que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, realizou a primeira visita oficial como representante do governo Bolsonaro. Enquanto jornalista, me senti satisfeita ao ver a representante do agro não tangenciar temas caros para o setor neste começo de ano. Ao vivo para todo o Brasil, sem edição e sem cortes, ela respondeu a perguntas de assuntos como tabela de frete, crédito, seguro, taxação do agro no contexto da calamidade financeira de Estados brasileiros e Funrural.

Nessa pauta estão os assuntos que o agricultores gostariam que estivessem. Há respostas e alternativas perfeitas para lidar com esse desafios agora? Ainda não. Aos poucos, esperamos que a disposição em fazer o que precisar ser feito leve o agronegócio brasileiro para um patamar ainda mais competitivo no cenário internacional e rentável para quem faz a roda girar aqui no interior do Brasil.

Seguro Rural

A ministra afirmou que já foram feitas reuniões com representantes do Banco Central do Brasil e secretária de Política Agrícola em busca de soluções inteligentes para lidar com os desafios de acesso ao Seguro Rural no país. O tema está, também, sendo tratado por um dos grandes especialistas em seguro no país, Pedro Loyola, que assumiu a Diretoria de Gestão de Risco do ministério. ” O meu compromisso aqui é de achar uma maneira de seguro que seja barata. Não adianta cobrar 8% ou 9%, que isso não cabe na conta do produtor rural”, enfatizou.

Ela ressaltou o momento complicado pelo qual passam alguns produtores que enfrentaram problemas climáticos como a seca no Paraná e Mato Grosso do Sul e excesso de chuvas no Rio Grande do Sul.

“Eu trabalho para que o seguro rural democrático e amplo seja a marca deste ministério. Para isso, precisamos mudar a regra do seguro, pois se tivéssemos um modelo que atendesse a todos e um seguro de renda, não teríamos produtores rurais sem dormir, preocupados em pagar as contas e renegociar as dívidas.”

Funrural

Questionada sobre o Funrural, a ministra disse que conta com o apoio de Jair Bolsonaro para lutar pelas demandas do setor produtivo. “Estamos vendo algumas alternativas para ele (presidente Bolsonaro) cumprir a sua promessa de campanha a respeito do Funrural. Vocês precisam lembrar que são apenas 24 dias de governo”, disse.

Segundo ela, o presidente Bolsonaro tem sido um ferrenho defensor da classe. “Não tem uma vez em que ele não fale sobre o setor e a parceria que tem e quer continuar. Ele está fazendo o possível para cumprir sua promessa de campanha sobre o Funrural”, contou a ministra.

Renegociação de dívida

Sobre a renegociação de dívidas, ela disse que não deve haver uma solução generalizada, por enquanto. A ideia do atual governo é pensar, primeiro, em lugares que sofreram com problemas climáticos. “Eu vou conversar com o Banco do Brasil e com o sistema de crédito corporativo, que atua muito fortemente para que toda essa cadeia de quem financia o setor produtivo possa estar presente nessa hora de aflição que passam alguns produtores nossos”.

Crédito para a safrinha

Tereza Cristina informou que já se reuniu com o presidente do Banco Central e que, desse encontro, veio a boa notícia da liberação de crédito para o pequeno produtor. “Estamos arrumando para que tenhamos, até a próxima safra, um montante voltado principalmente para o pequeno e médio produtor. Estamos conversando para divulgar em breve esse valor”, contou.

A medida, chamada de “estepe” pela ministra, não atenderá aos grandes produtores. “Para os grandes produtores, temos uma modalidade de crédito livre que será um pouco mais caro, mas menor do que 10%. Em uma emergência, no entanto, é melhor ter o crédito do que não ter”.

A ideia da nova gestão é criar instrumentos para que o produtor possa recorrer ao crédito de maneira mais ampla, e que não precise depender tanto do governo para conseguir contratar esse serviço.

Infraestrutura

No evento, Tereza Cristina divulgou que o governo vai lançar no próximo dia 28 o Plano Safra da Infraestrutura, que vai atender importantes rodovias responsáveis pelo escoamento da produção nacional e que enfrentam dificuldades ao longo dos últimos anos.

“Será feito o atendimento nessas estradas que conhecemos muito bem, que ano após anos nossa produção fica presa em atoleiros. Esse é o diferencial deste governo, pois os ministros se conversam e, com isso, acabamos melhorando a governança, transparência e diminuindo custos”, contou

Tabela de frete

A ministra da Agricultura disse que a tabela de frete, que criou pisos mínimos para os preços do frete rodoviário, nunca vai conseguir ser justa. “Saiu um aumento, basicamente em cima do IPCA, mas o frete tem tantas variáveis. São segmentos diferentes usando o transporte rodoviário. Não é tabelamento justo”, declarou. Tereza salientou que o documento é tão ruim para o caminhoneiro quanto para o setor produtivo.

Para a ministra, o tabelamento não é necessário em um ambiente de livre mercado. “Não se conseguiu uma tabela justa, nem vai se conseguir. Não é um instrumento adequado”, afirmou.

Cristina enfatizou ainda que a solução do impasse está entre as prioridades de sua gestão. “A tabela no momento segue porque está na lei, mas nós já temos outras reuniões marcadas com caminhoneiros”, afirmou.

Plano Safra Plurianual

Ainda durante a sua fala no evento, a ministra chamou a atenção para as câmaras setoriais que, segundo ela, terão que ter a responsabilidade em definir as metas que serão apresentadas. “O Plano Plurianual será construído dentro das Câmaras Setoriais. As comissões de agricultura da Câmara e Senado serão importantes para que nossos projetos tenham continuidade e passem a existir. Só em uma democracia, gerando discussões e cobrando que é possível alcançar o êxito do que precisamos. O bom produtor será sempre defendido pelo Ministério da Agricultura”, contou.

Em seu primeiro compromisso oficial como ministra, Tereza Cristina deixou claro que nem todos os temas estão com a solução pronta, mas considero importante o produtor saber, ao menos, como o governo atual está direcionado as prioridades, ou seja, para aquilo que importa e atende aos interesses do setor produtivo de continuar produzindo e prosperando, com sustentabilidade ambiental e financeira.

Ficaremos acompanhando cada passo dessas medidas e torcendo para que o agronegócio, enfim, encontre um novo caminho de ainda mais prosperidade.