Diesel: entenda a polêmica sobre o reajuste do combustível

Nesta sexta-feira as atenções estiveram voltadas para a política de preços de combustível que deverá ser adotada pelo governo Bolsonaro no Brasil de agora em diante, isso porque o presidente determinou na quinta-feira que a Petrobras voltasse atrás na decisão de aumentar em quase 6% o preço do diesel nas refinarias a partir de hoje.  No mercado financeiro, os investidores viram a medida com desconfiança e avaliaram como sinal de que o governo pode fazer intervenções nos preços dos combustíveis, isso remeteu a política de congelamento de preços do governo Dilma que foi uma das responsáveis por perdas financeiras na Petrobras. As ações da Petrobras chegaram a cair 7% no pregão desta sexta-feira.

Afinal, por que a Petrobras quer elevar o preço do diesel? Um dos motivos apontados por especialistas é que o preço do petróleo subiu no mercado internacional.  Aqui no Brasil os preços acompanham a variação do mercado internacional e por conta da alta no exterior a estatal avaliou que o reajuste seria necessário.

O agronegócio teme novas altas nos preços do diesel, já que o combustível impacta no valor do frete e frete é um dos principais custos do setor agropecuário, que está escoando a safra de soja neste momento. No Mercado & Cia, programa do Canal Rural que apresento, perguntamos para os telespectadores se o presidente acertou ao impedir a alta do diesel,  91% disseram que sim. Na próxima terça-feira, o presidente Bolsonaro vai ter uma reunião com membros da Petrobras para decidir quais medidas devem ser adotadas sobre o assunto daqui para frente.

O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires,  diz que o presidente errou ao intervir no preço dos combustíveis. Veja: 

Kellen Severo – O presidente Bolsonaro acertou em em impedir a alta do diesel?

Adriano Pires – Ele errou. Eu acho que isso foi uma decepção para o mercado. O mercado não esperava essa atitude do presidente Bolsonaro. Até porque o tempo todo estava se falado da Petrobras ter independência e autonomia na política de preços. O que está acontecendo é que, de janeiro até ontem, o preço do petróleo subiu 59%, então, se você for seguir a política de mercado internacional, o que todo mundo espera, teria que ter um aumento aí.

Kellen –  Por quanto tempo o governo vai conseguir segurar essa alta de quase 6% que estava prevista para hoje?

Adriano Pires – A gente tem que torcer pra ter uma reversão no mercado internacional. Se a gente der a sorte de o preço do barril parar com essa trajetória de alta e começar a cair, aí o governo pode adiar bastante e até esse aumento ser menor lá na frente.

Kellen – Existe tendência para que isso ocorra?

Adriano Pires –  Eu acho que hoje não. A tendência é de o preço continuar, talvez, subindo um pouco, eu não vejo nenhuma mudança no mercado internacional que de fato esse preço vai cair de uma maneira muito grande que evite o aumento nos preços brasileiros. Agora, eu acho que é possível o governo continuar com a política de seguir a tendência do mercado internacional no preço do diesel e  gasolina e a gente vai continuar tendo essa pressão de aumento no preço do diesel no mercado interno. Eu acho que a gente tem que ter uma solução definitiva pra isso, não pode ficar na mão do mercado internacional e acredito que a solução definitiva passa pela criação de um fundo de estabilização de preços de combustíveis no Brasil. 

Assista a entrevista completa:

De acordo com o economista-chefe da Nector Corretora, André Perfeito, o preço do diesel está no mesmo patamar de quando foi iniciada a greve dos caminhoneiros em 2018.

“O que a gente tem que observar é que o presidente Bolsonaro está sobre forte pressão em respeito até a greve dos caminhoneiros. Se você vê o preço do diesel hoje em dia, está quase no mesmo nível que estava quando teve a greve no ano passado, então, isso deve ter dado um frio na espinha no Palácio do Planalto, que resolveu a despeito do desgaste que vai ter junto ao mercado, evitar uma possível nova greve. No entanto, não sabemos se esse gesto será suficiente para impedir uma nova paralisação”, disse.

Assista o vídeo com a opinião do economista André Perfeito: