Três coisas para saber sobre a moratória da soja

Moratória da soja: 3 coisas para saber hoje

 

Moratória da Soja é um acordo feito entre organizações não governamentais, agroindústrias e governos com o compromisso de não comprar a commodity de áreas desmatadas. O tema está na pauta nacional e internacional e repercute no agronegócio. Nesta semana, a moratória da soja foi citada no documento The Agreement in Principle (O Acordo em Princípio) no capítulo Trade and Sustainable (comércio e sustentabilidade) do acordo entre União Europeia e Mercosulno qual os países citam o compromisso com o combate ao desmatamento. 

Em um trecho do texto está escrito que iniciativas do setor privado reforçam o compromisso de não obter carnes de fazendas em áreas recentemente desmatadas. Outra parte cita iniciativas ligadas à agricultura sustentável, incluindo ações do setor privado sobre cadeias de fornecimento de desmatamento zero e iniciativas como a moratória da soja no Brasil para limitar a expansão de plantações de soja em áreas florestais. O governo brasileiro, no entanto, afirma que não houve comprometimento do país com a moratória da soja.

Em entrevista ao Mercado & Cia, o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Orlando Leite Ribeiro, afirmou que “não há nenhuma cláusula que proponha algum tipo de restrição ao comércio de área de desmatamento, eles estavam se referindo a causa do princípio da precaução, que no entanto foi encapsulada de uma forma que não terá nenhum tipo de influência no comércio entre os dois blocos. Para simplificar, não há como a União Europeia usar a desculpa de desmatamento para suspender importações brasileiras, e se isso acontecer, vamos poder recorrer à OMC.”

No Brasil, a moratória da soja no Cerrado voltou para a pauta do setor nos últimos dias, principalmente depois de a Cargill, multinacional norte-americana, publicar carta aberta aos agricultores brasileiros explicando que é contrária a prática. O posicionamento se deu depois que a companhia anunciou investimentos de US$ 30 milhões para recuperação ambiental no bioma e polêmicas envolvendo o tema repercutiram no setor. Nesta terça-feira, a Cargill reiterou que é contrária à moratória no Cerrado e que os “recursos vão ser usados para gerar ideias que permitam o agricultor ter outra receita” pontuou o diretor do departamento de grãos e processamento da Cargill na América do Sul, Paulo Sousa.

A Associação dos Produtores de Soja e Milho do Brasil (Aprosoja Brasil) esclareceu que o avanço da soja no país se deu em áreas de pastagens e o produtor rural brasileiro é o único, em nível mundial, que realmente tem um papel relevante de preservação do meio ambiente. Segundo diretor-executivo da entidade, Fabrício Rosa,  “ficou claro através da moratória da soja na amazônia que a produção não é um fator relevante de desmatamento e também para o Cerrado que o bioma não está em risco, seja de maneira geral, seja dentro do Matopiba já que hoje se fala em um moratória da soja no Cerrado”.