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Após acordo, Vale do São Francisco quer dobrar envio de uvas para a Europa

A região que compreende áreas de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) produz 250 mil toneladas de uva de mesa por ano

01 de julho de 2019 às 22h01

De Vitória da Conquista (BA) 

Produtores de uva de mesa do Vale do São Francisco anunciaram nesta segunda-feira, dia 1º,  que, com o acordo comercial entre Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e 28 países da União Europeia, firmado na sexta-feira passada, a perspectiva é que eles dobrem as exportações da fruta para a Europa.

Isso será possível porque o acordo prevê a eliminação de tarifas para que o suco de laranja, frutas (como é o caso da uva de mesa), peixes, crustáceos e óleos vegetais entrem no mercado europeu. O acordo tem previsão de entrar em vigor em dois anos, mas antes precisa passar por aprovação dos parlamentos dos países envolvidos.

>> Inédito, maracujá roxo da Bahia é aposta para se tornar símbolo de produção orgânica

Segundo a Associação dos Produtores e Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco (Valeexport), a região que compreende áreas de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) produz 250 mil toneladas de uva de mesa por ano. Desse total, 35 mil toneladas vão para os mercados europeus.

“Acreditamos que, após a efetivação deste acordo, o Vale do São Francisco amplie as exportações de uva de mesa em 100% para a Europa”, afirmou o gerente executivo da Valexport, Tássio Lustosa, segundo o qual com as tarifas atuais os produtores pagam até 2 euros por cada caixa de uva – o euro nesta segunda estava cotado a R$ 4,33.

Além da uva de mesa, o Vale do São Francisco exporta 100 mil toneladas de manga para a Europa, das 750 mil toneladas produzidas por ano. A região possui cerca de 3 mil fruticultores que atuam nos cultivos de manga, uva, goiaba e outras frutas. O segmento gera 100 mil empregos diretos e movimenta U$ 3,8 milhões.

>> Saiba os benefícios do uso do melaço da cana na fruticultura

Os exportadores do São Francisco também terão maior acesso à União Europeia por meio de quotas – para açúcar e etanol –, além do reconhecimento de produtos brasileiros diferenciados, como o vinho. Presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, Jailson Lira avaliou que o Vale vai se posicionar melhor no mercado internacional.

Vale do São Francisco é o maior exportador de uva de mesa do Brasil (Divulgação/Class Comunicação & Marketing)

Vale do São Francisco é o maior exportador de uva de mesa do Brasil (Divulgação/Class Comunicação & Marketing)

“Alguns países que concorrem conosco na mesma época de produção de frutas, como Estados Unidos, Chile, Peru e África do Sul, não têm a incidência de taxas da União Europeia. Então, esse acordo é histórico para nós porque coloca o Vale do São Francisco em pé de igualdade com esses competidores, uma vez que respondemos por 98% das exportações de uvas de mesa e 95% de mangas do país”, disse.

Programa de qualificação

Em Petrolina, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou o investimento de R$ 680 mil para implantação do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX).

O anúncio foi feito pelo gerente de Relações Institucionais e Governamentais da ApexBrasil, Wilson Almeida, durante reunião com o prefeito da cidade pernambucana, Miguel Coelho, onde participaram também representantes da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Valexport e do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina.

As inscrições para o Programa de Qualificação para Exportação são gratuitas e já podem ser feitas na Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (Facape) ou através do site:www.apexbrasil.com.br.

Segundo Wilson Almeida, serão capacitados inicialmente 100 produtores com perfil adequado para exportação. “Treinamos no ano passado, em todo país, aproximadamente 15 mil empresas no processo de exportação de forma planejada e segura e destas cinco mil são hoje efetivamente exportadores”, disse.

Para o prefeito Miguel Coelho, a chegada do PEIEX é um marco divisor para o incremento dos negócios em todos os segmentos produtivos da cidade.

“A demanda por frutas tropicais no mundo é crescente. Transformando nossos produtores em exportadores ampliamos também nossas fronteiras, geramos mais empregos, mais renda, aumentando consequentemente a circulação de mais dinheiro em nossa cidade”, pontuou.

O diretor do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina e presidente do Distrito de Irrigação Nilo Coelho, José Loyo, chamou a atenção para a inserção dos pequenos e médios produtores no programa.

“Uma iniciativa extremamente importante que vai proporcionar também aos pequenos e médios produtores um conhecimento abrangente das exigências dos mercados internacionais, das certificações, da rastreabilidade dos frutos, do certificado fitossanitário de origem”, comentou Loyo.

Ele observou ainda que o programa vai responder também questões a exemplo da melhor forma de fazer a fruta chegar ao mercado externo e como negociar e formar o preço do produto para outro país.


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Após acordo, Vale do São Francisco quer dobrar envio de uvas para a Europa

A região que compreende áreas de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) produz 250 mil toneladas de uva de mesa por ano

01 de julho de 2019 às 22h01

De Vitória da Conquista (BA) 

Produtores de uva de mesa do Vale do São Francisco anunciaram nesta segunda-feira, dia 1º,  que, com o acordo comercial entre Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e 28 países da União Europeia, firmado na sexta-feira passada, a perspectiva é que eles dobrem as exportações da fruta para a Europa.

Isso será possível porque o acordo prevê a eliminação de tarifas para que o suco de laranja, frutas (como é o caso da uva de mesa), peixes, crustáceos e óleos vegetais entrem no mercado europeu. O acordo tem previsão de entrar em vigor em dois anos, mas antes precisa passar por aprovação dos parlamentos dos países envolvidos.

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Segundo a Associação dos Produtores e Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco (Valeexport), a região que compreende áreas de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) produz 250 mil toneladas de uva de mesa por ano. Desse total, 35 mil toneladas vão para os mercados europeus.

“Acreditamos que, após a efetivação deste acordo, o Vale do São Francisco amplie as exportações de uva de mesa em 100% para a Europa”, afirmou o gerente executivo da Valexport, Tássio Lustosa, segundo o qual com as tarifas atuais os produtores pagam até 2 euros por cada caixa de uva – o euro nesta segunda estava cotado a R$ 4,33.

Além da uva de mesa, o Vale do São Francisco exporta 100 mil toneladas de manga para a Europa, das 750 mil toneladas produzidas por ano. A região possui cerca de 3 mil fruticultores que atuam nos cultivos de manga, uva, goiaba e outras frutas. O segmento gera 100 mil empregos diretos e movimenta U$ 3,8 milhões.

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Os exportadores do São Francisco também terão maior acesso à União Europeia por meio de quotas – para açúcar e etanol –, além do reconhecimento de produtos brasileiros diferenciados, como o vinho. Presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, Jailson Lira avaliou que o Vale vai se posicionar melhor no mercado internacional.

Vale do São Francisco é o maior exportador de uva de mesa do Brasil (Divulgação/Class Comunicação & Marketing)

Vale do São Francisco é o maior exportador de uva de mesa do Brasil (Divulgação/Class Comunicação & Marketing)

“Alguns países que concorrem conosco na mesma época de produção de frutas, como Estados Unidos, Chile, Peru e África do Sul, não têm a incidência de taxas da União Europeia. Então, esse acordo é histórico para nós porque coloca o Vale do São Francisco em pé de igualdade com esses competidores, uma vez que respondemos por 98% das exportações de uvas de mesa e 95% de mangas do país”, disse.

Programa de qualificação

Em Petrolina, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou o investimento de R$ 680 mil para implantação do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX).

O anúncio foi feito pelo gerente de Relações Institucionais e Governamentais da ApexBrasil, Wilson Almeida, durante reunião com o prefeito da cidade pernambucana, Miguel Coelho, onde participaram também representantes da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), Valexport e do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina.

As inscrições para o Programa de Qualificação para Exportação são gratuitas e já podem ser feitas na Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina (Facape) ou através do site:www.apexbrasil.com.br.

Segundo Wilson Almeida, serão capacitados inicialmente 100 produtores com perfil adequado para exportação. “Treinamos no ano passado, em todo país, aproximadamente 15 mil empresas no processo de exportação de forma planejada e segura e destas cinco mil são hoje efetivamente exportadores”, disse.

Para o prefeito Miguel Coelho, a chegada do PEIEX é um marco divisor para o incremento dos negócios em todos os segmentos produtivos da cidade.

“A demanda por frutas tropicais no mundo é crescente. Transformando nossos produtores em exportadores ampliamos também nossas fronteiras, geramos mais empregos, mais renda, aumentando consequentemente a circulação de mais dinheiro em nossa cidade”, pontuou.

O diretor do Sindicato dos Produtores Rurais de Petrolina e presidente do Distrito de Irrigação Nilo Coelho, José Loyo, chamou a atenção para a inserção dos pequenos e médios produtores no programa.

“Uma iniciativa extremamente importante que vai proporcionar também aos pequenos e médios produtores um conhecimento abrangente das exigências dos mercados internacionais, das certificações, da rastreabilidade dos frutos, do certificado fitossanitário de origem”, comentou Loyo.

Ele observou ainda que o programa vai responder também questões a exemplo da melhor forma de fazer a fruta chegar ao mercado externo e como negociar e formar o preço do produto para outro país.


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