Agricultura familiar deve ser incorporada ao Mapa

A confirmação do nome de Tereza Cristina para o Ministério da Agricultura e a desistência por parte do novo governo de uni-lo ao Ministério do Meio Ambiente agora abrem brecha para que outra área muito sensível seja incorporada à pasta: a da agricultura familiar. Atualmente, o tema é comandado por uma secretaria especial vinculada à Casa Civil, após a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) em 2016. As pautas defendidas pela futura ministra, como a da assistência técnica, e o currículo dela, que já comandou a secretaria de Desenvolvimento Agrário de Mato Grosso do Sul, fortalecem a tendência de que o presidente eleito Jair Bolsonaro possa transferir as demandas dos agricultores familiares para o Mapa.

Os deputados que coordenam as frentes parlamentares da agricultura familiar e da assistência técnica no Congresso Nacional defendem a transferência da área para o Ministério da Agricultura. Segundo Zé Silva (SD/MG) e Heitor Schuch (PSB/RS), essa ideia já existe e deve ser concretizada em breve. A atual Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário (Sead) seria realocada dentro do Mapa como uma Secretaria de Agricultura Familiar.

“A conversa já vinha acontecendo entre a FPA, a Asbraer (Associação Brasileira das Empresas de Assistência Técnica e Extensão Rural) e a frente da Assistência Técnica. Vai haver um redesenho. A Tereza tem capacidade de aglutinar as forças da agricultura. Não precisa dividir a agricultura, tem que estar juntos para uma convergência que irá fortalecer a agricultura brasileira como um todo”, afirmou o deputado Zé Silva.

Já para Heitor Schuch, coordenador da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar, a mudança é a melhor coisa que pode ser feita já que o setor não tem atualmente nem terá um ministério específico. “O MDA nunca deveria ter acabado, agora que não existe, na filosofia desse novo governo não tem viabilidade para recriá-lo. Vamos reorganizar a Sead (Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário)  dentro do Mapa”.

Na opinião deles, a agricultura familiar seria fortalecida de diversas formas. “Um secretário não participa da reunião da Camex, por exemplo, que trata das importações de trigo, leite, queijo, arroz, frutas. O ministro sim. Então, é melhor ter uma ministra que possa falar pelo setor porque quem paga a conta por essas importações é a agricultura familiar”, expôs Schuch.

Já Zé Silva acredita que a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) ganharia mais força e eficácia. “A Anater passaria a fazer contrato de gestão com o Mapa e ficaria com a missão de desenhar e coordenar as políticas públicas e de assistência e fomento. Outras políticas, como Pronaf, seguro rural, crédito fundiário seriam da secretaria de agricultura familiar no Mapa. Fica mais ágil, enxuta e eficaz e garante essa relação federativa com os Estados, as Ematers estaduais”.

Segundo os parlamentares, esse redesenho tem tudo para dar certo, mas ainda não está fechado e também não existem nomes indicados pelo setor para assumir essa nova secretaria dentro do Mapa até então. O ex-secretário de Política Agrícola do Mapa, José Carlos Vaz, vê como positiva a medida. “Parece que vai juntar, que é o mais razoável mesmo. Não tem lógica manter separado, dois ministrrios para uma mesma agricultura”.

Nesta quinta-feira, a futura ministra falou sobre o tema e disse que essa incorporação será discutira em uma reunião que será realizada na próxima terça-feira, dia 13.

5 respostas para “Agricultura familiar deve ser incorporada ao Mapa”

  1. Antonio Carlos Paiva Ribeiro disse:

    No momento fico feliz em saber que estamos no caminho certo.

  2. Jose Masculino de Abreu disse:

    Muito Bom Gostei

  3. Jeferson Moura disse:

    Sempre trabalhei com Extensão Rural, a divisão da agricultura empresarial e da agricultura familiar nunca teve sentido para mim. Basta cooperativar a agricultura familiar que em um passe de mágica se torna agricultura empresarial .
    Portanto essa divisão em dois ministérios sempre prejudicou aqueles que realmente colocam comida na mesa do nosso povo. Concordo com a junção

  4. Paulo Carvalho disse:

    Se essa junção acontecer, o que espero que não, será um atestado da falta de capacidade deste deste governo em reconhecer e valorizar quem mais alimenta o povo brasileiro e fortalece a economia com as exportações.

  5. Maria Lusia da Silva disse:

    Estamos esperançosos que dessa vez resolvam definitivo a situação do Banco da Terra. Que estamos sobrevivendo pela misericórdia de Deus.

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