-

Uso do 2,4-D deve ser mantido no Brasil

O coordenador de Agrotóxicos e Afins do Ministério da Agricultura, Carlos Venâncio, afirmou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve manter a permissão de uso do herbicida 2,4-D no Brasil. Em reavaliação desde 2006 pelo órgão, o produto é contestado pelo alto potencial tóxico e por ter sido banido em vários países, como…

08 de março de 2019 às 01h59

O coordenador de Agrotóxicos e Afins do Ministério da Agricultura, Carlos Venâncio, afirmou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve manter a permissão de uso do herbicida 2,4-D no Brasil. Em reavaliação desde 2006 pelo órgão, o produto é contestado pelo alto potencial tóxico e por ter sido banido em vários países, como Suécia, Dinamarca, Kuwait e algumas províncias do Canadá. A agência deve apresentar o relatório final da reavaliação em breve e pode pedir algumas restrições para a aplicação, como fez no caso do glifosato, mas não vai banir a utilização do defensivo pelos produtores brasileiros.

A Anvisa já está encaminhando a reavaliação do 2,4-D, em breve deve soltar a consulta pública. Foi bastante semelhante ao resultado do glifosato, tem algumas restrições pro uso correto do produto. O 2,4-D, como a gente sabe, tem problema de volatilização. Você tem que usar técnica agrícola de forma muito apurada, usar um bico adequado, de preferência com indução de ar que reduz a possibilidade de deriva, os adjuvantes que reduzem a possibilidade de deriva. Tem uma série de técnicas agrícolas. O 2,4-D é um produto fundamental, principalmente para o combate de plantas infestantes resistentes, então é produto muito importante pra agricultura brasileira e a gente já teve a parte técnica finalizada. A gente espera que em breve a área técnica da Anvisa apresente para a diretoria colegiada e a gente tenha a consulta pública Mas é um trabalho para dar tranquilidade ao agricultor. A parte técnica já foi finalizada e está nos trâmites burocráticos finais para consulta pública”, adiantou Venâncio.

Para o setor produtivo, a preocupação é permanente. O diretor executivo da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), Márcio Portocarrero, afirma que é preciso encontrar produtos substitutos à altura para o caso de banimento do 2,4-D. Para ele, a saída para ter segurança no campo é a pesquisa encontrar novas moléculas, mais eficazes e menos tóxicas, e o Ministério da Agricultura agilizar o registro. “Nós também aguardamos uma solução pro 2,4-D, é produto estratégico. E que surjam novas moléculas químicas que substituam com segurança o 2,4-D. A reavaliação dele, do Thiran, e de outros produtos que estão na lista de reavaliação, que seja feita com coerência, cuidado, buscando informações consolidadas pela ciência para que todo mundo tenha segurança de ir para o mercado de consumo e comprar os produtos que realmente não estejam afetando a sua vida”, informou.

Em pareceres preliminares e mais antigos, a Anvisa recomenda a manutenção do registro do 2,4-D com ressalvas, como a exclusão de alguns fabricantes, a alteração da classificação toxicológica para a Classe I (Extremamente Tóxico), a exclusão da modalidade de aplicação costal, a proibição do uso de produtos à base de 2,4-D em ambientes aquáticos, gramados e na cultura do eucalipto e o cancelamento do registro de produtos à base de 2,4-D + Propanil.

 

Polêmica

Recentemente, o uso do 2,4-D gerou polêmica no Rio Grande do Sul. Produtores de uva alegaram perdas de até 40% na região da Campanha gaúcha devido aos estragos feitos pelo produto utilizado em lavouras de soja vizinhas. Como é muito volátil, a capacidade de espalhamento do defensivo, chamada deriva, principalmente pelo ar, é muito grande e teria atingido os parreirais da fruta. A aplicação também teria prejudicado o cultivo de oliveiras e maçãs no Estado. Áreas urbanas também foram atingidas, segundo laudos de biólogos. O Ministério Público Estadual estuda os casos desde 2015 e prometeu ampliar as investigações.

-

Uso do 2,4-D deve ser mantido no Brasil

O coordenador de Agrotóxicos e Afins do Ministério da Agricultura, Carlos Venâncio, afirmou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve manter a permissão de uso do herbicida 2,4-D no Brasil. Em reavaliação desde 2006 pelo órgão, o produto é contestado pelo alto potencial tóxico e por ter sido banido em vários países, como…

08 de março de 2019 às 01h59

O coordenador de Agrotóxicos e Afins do Ministério da Agricultura, Carlos Venâncio, afirmou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve manter a permissão de uso do herbicida 2,4-D no Brasil. Em reavaliação desde 2006 pelo órgão, o produto é contestado pelo alto potencial tóxico e por ter sido banido em vários países, como Suécia, Dinamarca, Kuwait e algumas províncias do Canadá. A agência deve apresentar o relatório final da reavaliação em breve e pode pedir algumas restrições para a aplicação, como fez no caso do glifosato, mas não vai banir a utilização do defensivo pelos produtores brasileiros.

A Anvisa já está encaminhando a reavaliação do 2,4-D, em breve deve soltar a consulta pública. Foi bastante semelhante ao resultado do glifosato, tem algumas restrições pro uso correto do produto. O 2,4-D, como a gente sabe, tem problema de volatilização. Você tem que usar técnica agrícola de forma muito apurada, usar um bico adequado, de preferência com indução de ar que reduz a possibilidade de deriva, os adjuvantes que reduzem a possibilidade de deriva. Tem uma série de técnicas agrícolas. O 2,4-D é um produto fundamental, principalmente para o combate de plantas infestantes resistentes, então é produto muito importante pra agricultura brasileira e a gente já teve a parte técnica finalizada. A gente espera que em breve a área técnica da Anvisa apresente para a diretoria colegiada e a gente tenha a consulta pública Mas é um trabalho para dar tranquilidade ao agricultor. A parte técnica já foi finalizada e está nos trâmites burocráticos finais para consulta pública”, adiantou Venâncio.

Para o setor produtivo, a preocupação é permanente. O diretor executivo da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), Márcio Portocarrero, afirma que é preciso encontrar produtos substitutos à altura para o caso de banimento do 2,4-D. Para ele, a saída para ter segurança no campo é a pesquisa encontrar novas moléculas, mais eficazes e menos tóxicas, e o Ministério da Agricultura agilizar o registro. “Nós também aguardamos uma solução pro 2,4-D, é produto estratégico. E que surjam novas moléculas químicas que substituam com segurança o 2,4-D. A reavaliação dele, do Thiran, e de outros produtos que estão na lista de reavaliação, que seja feita com coerência, cuidado, buscando informações consolidadas pela ciência para que todo mundo tenha segurança de ir para o mercado de consumo e comprar os produtos que realmente não estejam afetando a sua vida”, informou.

Em pareceres preliminares e mais antigos, a Anvisa recomenda a manutenção do registro do 2,4-D com ressalvas, como a exclusão de alguns fabricantes, a alteração da classificação toxicológica para a Classe I (Extremamente Tóxico), a exclusão da modalidade de aplicação costal, a proibição do uso de produtos à base de 2,4-D em ambientes aquáticos, gramados e na cultura do eucalipto e o cancelamento do registro de produtos à base de 2,4-D + Propanil.

 

Polêmica

Recentemente, o uso do 2,4-D gerou polêmica no Rio Grande do Sul. Produtores de uva alegaram perdas de até 40% na região da Campanha gaúcha devido aos estragos feitos pelo produto utilizado em lavouras de soja vizinhas. Como é muito volátil, a capacidade de espalhamento do defensivo, chamada deriva, principalmente pelo ar, é muito grande e teria atingido os parreirais da fruta. A aplicação também teria prejudicado o cultivo de oliveiras e maçãs no Estado. Áreas urbanas também foram atingidas, segundo laudos de biólogos. O Ministério Público Estadual estuda os casos desde 2015 e prometeu ampliar as investigações.