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Funrural causa ‘climão’ entre ministros

Tereza Cristina questionou diretamente Paulo Guedes sobre a proposta que a pasta dele estaria preparando

13 de setembro de 2019 às 21h18

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O vídeo divulgado na semana passada em que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), fala sobre a possibilidade de votação da extinção da dívida do Funrural causou mal estar entre a ministra da Agricultura e o ministro da Economia. Tereza Cristina questionou diretamente Paulo Guedes sobre a proposta que a pasta dele estaria preparando para fazer a remissão da dívida sem passar por ela. Na publicação, Maia afirma que vai dar prioridade à matéria assim que o governo enviar para o Congresso.

Segundo fontes, Tereza Cristina não gostou de saber que o tema estava sendo tratado sem o consentimento e conhecimento dela e dos técnicos do Ministério da Agricultura. Ela mandou o vídeo de Rodrigo Maia por WhatsApp para Paulo Guedes cobrando uma explicação sobre o assunto. O ministro, no entanto, disse que nada disso havia passado por ele. Integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também reclamaram da questão com Maia. O assunto já quase custou a cabeça do subsecretário de Política Agrícola e Meio Ambiente, Rogério Boueri, responsável direto por projetos dessa área.

A confirmação da existência de um texto foi feita pela Receita Federal ao deputado Jerônimo Goergen. Porém, a proposta sequer foi apresentada ao ministro Paulo Guedes. A equipe dele trabalha em alternativas para fazer a remissão desde abril, quando o presidente Jair Bolsonaro determinou que a questão fosse solucionada.

Paulo Guedes afirmou a lideranças do setor agropecuário e do Ministério da Agricultura essa semana que “há meses” o assunto não é tratado com alguém fora da pasta dele, apenas internamente. O ministro reforçou, após a bronca da ministra, que quando o texto da proposta estiver pronto “qualquer notícia só vai ser divulgada via Tereza Cristina” e que “só ela vai receber a informação”.

A proposta estudada pela equipe de Guedes, guardada a sete chaves e que ainda não está pronta, prevê a reabertura do prazo do Refis para a adesão de quem não renegociou a dívida até hoje, com um percentual de pagamento um pouco maior daqueles que já paga o parcelamento, para tentar equiparar os valores desembolsados. A partir do ano que vem, a parcela desse débito deixaria de ser cobrada com a inclusão de uma nova fonte de arrecadação no Orçamento para compensar a renúncia fiscal com a não cobrança do passivo. O que os técnicos estão estudando é onde será o impacto financeiro, se na Receita Federal ou no Tesouro Nacional, e de que forma suprir isso.

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Funrural causa ‘climão’ entre ministros

Tereza Cristina questionou diretamente Paulo Guedes sobre a proposta que a pasta dele estaria preparando

13 de setembro de 2019 às 21h18

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O vídeo divulgado na semana passada em que o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), fala sobre a possibilidade de votação da extinção da dívida do Funrural causou mal estar entre a ministra da Agricultura e o ministro da Economia. Tereza Cristina questionou diretamente Paulo Guedes sobre a proposta que a pasta dele estaria preparando para fazer a remissão da dívida sem passar por ela. Na publicação, Maia afirma que vai dar prioridade à matéria assim que o governo enviar para o Congresso.

Segundo fontes, Tereza Cristina não gostou de saber que o tema estava sendo tratado sem o consentimento e conhecimento dela e dos técnicos do Ministério da Agricultura. Ela mandou o vídeo de Rodrigo Maia por WhatsApp para Paulo Guedes cobrando uma explicação sobre o assunto. O ministro, no entanto, disse que nada disso havia passado por ele. Integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também reclamaram da questão com Maia. O assunto já quase custou a cabeça do subsecretário de Política Agrícola e Meio Ambiente, Rogério Boueri, responsável direto por projetos dessa área.

A confirmação da existência de um texto foi feita pela Receita Federal ao deputado Jerônimo Goergen. Porém, a proposta sequer foi apresentada ao ministro Paulo Guedes. A equipe dele trabalha em alternativas para fazer a remissão desde abril, quando o presidente Jair Bolsonaro determinou que a questão fosse solucionada.

Paulo Guedes afirmou a lideranças do setor agropecuário e do Ministério da Agricultura essa semana que “há meses” o assunto não é tratado com alguém fora da pasta dele, apenas internamente. O ministro reforçou, após a bronca da ministra, que quando o texto da proposta estiver pronto “qualquer notícia só vai ser divulgada via Tereza Cristina” e que “só ela vai receber a informação”.

A proposta estudada pela equipe de Guedes, guardada a sete chaves e que ainda não está pronta, prevê a reabertura do prazo do Refis para a adesão de quem não renegociou a dívida até hoje, com um percentual de pagamento um pouco maior daqueles que já paga o parcelamento, para tentar equiparar os valores desembolsados. A partir do ano que vem, a parcela desse débito deixaria de ser cobrada com a inclusão de uma nova fonte de arrecadação no Orçamento para compensar a renúncia fiscal com a não cobrança do passivo. O que os técnicos estão estudando é onde será o impacto financeiro, se na Receita Federal ou no Tesouro Nacional, e de que forma suprir isso.